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Mostrando postagens com o rótulo antropologia

"Wokismo": uma religião universitária?

    Jean Marcel Carvalho França* É popular, e há séculos repetida com orgulho pelos seus membros, a história de que as universidades emergiram na paisagem urbana europeia, entre os séculos XI e XIV, como um espaço de liberdade e mesmo de rebeldia, um espaço em que se podia estudar, refletir e ensinar com uma certa flexibilidade, distante da rigidez e do dogmatismo do ambiente monástico, onde o conhecimento era majoritariamente produzido. O mundo, no entanto, é mudança, e quase nunca para as bandas que esperamos. A mesma instituição que surgiu sobre a égide da crítica e que, depois do iluminismo, se consolidou como o lugar do livre pensar e do combate ao tal obscurantismo, sobretudo o religioso, pariu recentemente, entre o ocaso do século XX e as décadas iniciais do XXI, uma religião tão ou mais dogmática do que aquelas que dizia combater: a religião woke . Para os interessados em conhecer mais detalhadamente a história e os dogmas desse discurso de fé que cobra contrição mas ...

MÍDIA, IGREJA E PANDÊMIA

      Paul A. Soukup A ecologia da mídia, um campo particular dos estudos da comunicação, aborda seu objeto como um ecossistema. Para usar a metáfora de um ecossistema natural, esse tipo de estudo imagina a comunicação como um ambiente no qual muitos elementos diferentes interagem. Não contém apenas diferentes meios de comunicação, nomeadamente telefone, rádio, televisão, redes sociais , mídia impressa e assim por diante, mas também pessoas, ideias, culturas, eventos históricos, etc. Como acontece em qualquer ecossistema, qualquer parte, mudando, afeta todas as outras. Mantendo a imagem de um ecossistema natural, por exemplo um lago em uma floresta, a introdução de uma nova espécie de sapo afetará os insetos que vivem perto do lago, as ervas e flores da área, os pássaros, os p...

O ensino religioso nas escolas públicas - Nota

fonte: Unicatólica Quixadá - Blog

Cem anos de pedofilia

Olavo de Carvalho O Globo, 27 de abril de 2002 Na Grécia e no Império Romano, o uso de menores para a satisfação sexual de adultos foi um costume tolerado e até prezado. Na China, castrar meninos para vendê-los a ricos pederastas foi um comércio legítimo durante milênios. No mundo islâmico, a rígida moral que ordena as relações entre homens e mulheres foi não raro compensada pela tolerância para com a pedofilia homossexual. Em alguns países isso durou até pelo menos o começo do século XX, fazendo da Argélia, por exemplo, um jardim das delícias para os viajantes depravados (leiam as memórias de André Gide, “Si le grain ne meurt”). Por toda parte onde a prática da pedofilia recuou, foi a influência do cristianismo — e praticamente ela só — que libertou as crianças desse jugo temível. Mas isso teve um preço. É como se uma corrente subterrânea de ódio e ressentimento atravessasse dois milênios de história, aguardando o momento da vingança. Esse momento chegou. O mo...

A Modernidade em 3 ideias (tese, antítese e síntese abissal)

Joathas Soares Bello* 1) Deísmo agnóstico  (Deus ocioso ou não Providente nem Revelador; adoração prática às leis científicas = destino ou "linguagem divina") Sensualismo (“empirismo”) - Concupiscência da carne Crítica da Razão Pura (→ Positivismo) Revolução Industrial Liberal-conservadorismo (“direita”) Antecedente mítico: Zeus Antecedentes pré-socráticos: Anaxímenes (a lógica explicativa da processualidade do “ar”); pitagóricos (o “número” como estruturação da realidade) Exemplo teológico recente: racionalismo histórico-crítico; teologia da prosperidade (importa menos o dinheiro do que o bem-estar como "medida" da graça) Exemplo político brasileiro recente: PSDB → funciona como direita (conceito/realidade sempre relativa), enquanto esta significa virtude “ordenadora” (da economia) 2) Imanentismo ateu (“panteísmo” ou o Mundo como Deus; adoração prática à ação) Conceitualismo continental (“racionalismo”) – Soberba da ...

Mandando a real

no sentido horário: Kant, Fichte, Schelling , Hegel     Joathas Soares Bello*   Por que a filosofia moderna e contemporânea pode parecer mais difícil que a grega e medieval (chamada injustamente de realismo "ingênuo")? Porque seus princípios não têm base real, não correspondem a qualquer evidência ao alcance de todos (nem são auto-evidentes, isto é, também não possuem justificação metafísica). Isso, somado ao domínio argumentativo dos filósofos (só um Peter Singer da vida às vezes erra contra a lógica formal clássica...), dá a impressão de que eles falam de algo muito complexo acima da compreensão do homem comum e "superior" à filosofia clássica; daí a necessidade de uma espécie de "iniciação", em que você precisa dominar os jargões dos filósofos, e daí também a prática incomunicabilidade das correntes filosóficas atuais, pois não partindo da realidade, mas de ficções ou construtos lógicos sem base real, não podem ter ponto...

Uma senzala chamada Ideologia

Gravura de Johann Moritz Rugendas   Perto de minha casa mora um catador de recicláveis. Não é negro. Altivo, perambula, com seu amigo inseparável — um cão vira-latas –, pelas ruas do bairro puxando um carrinho e virando lixos à procura do que lhe sirva. Não me parece doente, tampouco desesperado. Parece o que realmente é: pobre  — alguém pouco favorecido. Não o conheço. Não sei se foi rico, se tem estudo, família; mas quando o vejo, reconheço: é pobre. Pensando nesse homem, vi com estranheza uma notícia que se espalhou de maneira epidêmica dias atrás — da militância de extrema esquerda (incluindo aquela que diz “mosquita” e desgovernou o país recentemente) aos jornais de TV em horário nobre: “Negra, pobre e da rede pública fica em 1º em curso mais concorrido da Fuvest”. Foi aprovada para o curso de Medicina da USP-Ribeirão, feito pelo qual merece os parabéns. Lendo a matéria, no entanto, descobri que a “negra-pobre” é fã de Grey’s Anatomy (série exibid...

Cinco reflexões de Bauman sobre o mundo digital

Sociólogo polonês,ex-filiado ao Partido Comunista da Polônia, falecido nesta segunda-feira, 9/1/17, era um crítico estudioso dos efeitos das redes sociais na vida cotidiana Zygmunt Bauman Conhecido pelo conceito de “modernidade liquida”, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, morto nesta segunda-feira, 9, aos 91 anos, por causas desconhecidas, é citado com frequência por profissionais de marketing e comunicação, sobretudo, quando os temas estão ligados ao comportamentos nas redes sociais e ao consumismo. Em 1990, Bauman resumiu seu conceito: “em uma vida moderna líquida não há laços permanentes, e qualquer coisa que seguramos por um tempo deve ser amarrada vagamente para que os laços possam ser desatados novamente, tão rápido e tão facilmente quanto possível, quando as circunstâncias mudarem”, afirmou. Observador dos movimentos de interação social digital, Bauman deixava claro, em suas entrevistas, o que pensava sobre a influência das redes sociais. Ve...

Conheça os oito tipos de inteligência.

Com informações da BBC Educação e inteligência Quantas vezes você se sentiu mal ao chegar em casa com notas baixas? O sistema educacional atual junta numa mesma sala de aula crianças diferentes e exige o mesmo desempenho de todas nas mesmas matérias padronizadas, o que torna difícil detectar diferentes tipos de inteligência. "Quando você tira notas altas no colégio, fica achando que é muito inteligente. Mas se for ao teatro, visitar uma fazenda ou uma granja, verá que outras inteligências são importantes," explica o psicólogo Howard Gardner, na Universidade Harvard (EUA) e autor da Teoria das Inteligências Múltiplas. Para ele, existem oito tipos de inteligência e, assim, é possível identificar gênios entre pessoas consideradas fracas ou não valorizadas pelo sistema de educação tradicional. Descubra a seguir se você pode ser algum tipo de gênio não reconhecido. 1. Inteligência lógico-matemática Todo mundo conhece alguém que tem habilidade extraordi...

A Garota Dinamarquesa é um disparate. Eu falo com conhecimento de causa. Fui uma mulher transgênero.

    by Walt Heyer     Por vezes eu me senti como se estivesse encurralado escutando uma interminável conversa de vendedor de pacote turístico. Quando acabariam aquelas frases de efeito tão previsíveis? A Garota Dinamarquesa está cheio de sentimentos fofos e pegajosos projetados para convencer heterossexuais “homofóbicos” ou “transfóbicos” de que as voltas e reviravoltas na vida de um transgênero são na verdade uma busca saudável e corajosa pelo seu verdadeiro eu. O filme transborda tópicos batidos do discurso LGBT. Num momento chave, o personagem principal exclama: “Eu finalmente sou quem eu sou!” A Garota Dinamarquesa , baseado num romance homônimo de David Ebershoff e dirigido por Tom Hooper, conta a história de Lilli Elbe, um dos primeiros beneficiários da cirurgia de mudança de sexo. O filme apresenta Eddie Redmayne no papel de Einar Wegener/Lilli Elbe, a emergente transgênero feminina. Alicia Vikander coestrela como Gerda, sua e...