Tudo que você precisa saber sobre como o governo sustenta blogs na internet




Brasil 247. Carta Capital. Conversa Afiada. Jornal GGN.
Você provavelmente conhece alguns desses sites ou pelo menos já ouviu falar deles em algum momento: são os maiores portais de notícia de inclinação progressista do país, com viés notadamente em favor do governo.
Junto com eles, você também provavelmente já esbarrou com um ou outro texto do Diário do Centro do Mundo, da Revista Fórum ou da Carta Maior, outraspublicações assumidamente de esquerda.
Não se engane: as semelhanças entre esses sites não se restringe apenas à visãopolítica, ela envolve dinheiro. Dinheiro, diga-se de passagem, que, muitas vezes, sai da mesma fonte: o seu bolso. Envolve também empresas de publicidade, governos municipais, ONGs e banqueiros.
Aqui, a primeira parte de um especial com tudo que você precisa saber sobre como funcionam os blogs governistas – seus financiadores, suas ligações com políticos e empresários, e histórias que colocam em cheque a reputação dessas mídias como democráticas.

O banqueiro e o blogueiro

Grandes Blogs - Brasil 247 - Patrocínio Caixa e Petrobras
Naji Nahas e Daniel Dantas
 
são dois nomes fortes do mercado financeiro brasileiro, principalmente quando o que está em jogo são acusações de fraudes financeiras e obtenção de informações privilegiadas.
Nahas virou manchete na década de 1980, após montar um esquema de fraude na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro que lhe renderia milhões de reais em plena hiperinflação. O esquema acabaria descoberto, colocando não apenasa imagem do libanês em descrédito, como também da Bolsa, que desabou nopregão seguinte à sua divulgação.
Já Dantas foi o grande protagonista da Operação Satiagrahada Polícia Federal, em 2008. A ação deflagrou casos de corrupção, crimes no mercado financeiro e lavagem de dinheiro, com o envolvimento do banqueiro, que terminaria preso. Nahas seguiu o mesmo caminho, acusado de participar de um esquema paralelo de venda de dólares. As investigações surgiram após indícios de que o Banco Opportunity, de Dantas, estaria envolvido no esquema do Valerioduto.
Como revelou o repórter Mino Pedrosa, ex-editor da IstoÉ Brasília, com a imagem em risco, Dantas teria acionado um de seus contatos na mídia, Leonardo Attuch, então jornalista da IstoÉ Dinheiro,
para publicar matérias que defendessem seus interesses na revista. As reportagens eram, em geral, produzidas por outros jornalistas ligados aobanqueiro, e repassadas para Attuch, então encarregado de assiná-las e inseri-las na publicação.
Em escutas telefônicas realizadas pelaPolícia Federal, Attuch seria flagrado orientando Nahas a processar Mino Carta (da Carta Capital), Diogo Mainardi (então colunista da Veja) ePaulo Henrique Amorim (da Rede Record e do Conversa Afiada), por noticiarem contra o especulador e o banqueiro. Em 2011, ele montaria suaprópria publicação: o Brasil 247, acusado de ser financiado por Dantas, algo que o jornalista nega.Nos últimos 8 meses, duas acusações contrao 247 surgiram. A primeira foi encontrada num imóvel do doleiro AlbertoYoussef, delator da Operação Lava Jato, num monitor de um computador: um papel com a anotação “Leonardo Attuch 11-950206533 6×40.000.00
24/02/2014”, sugerindo pagamentos entre a quadrilha de Youssef e o editor do portal.
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O 247 se defende dasacusações, dizendo que os pagamentos eram referentes à publicidade
veiculada pela agência de turismo Marsans. O site, no entanto, omitiu a informação de que, desde 2010, a empresa era controlada por Alberto Youssef.
A outra foi encontrada emmaio deste ano, nas informações bancárias de uma empresa de fachada
pertencente ao lobista Milton Pascowitch, outro envolvido na Lava Jato. Numa quebra de sigilo bancário, o Ministério Público encontrou 4 movimentações, no valor de R$ 30 mil cada, para a conta da Editora 247, dona do Brasil 247. Além dos pagamentos, foram também encontradas movimentações milionárias entre as contas da empresa e empreiteiras investigadas. A empresa não possuía um único funcionário.No mesmo dia dessas descobertas, o Brasil 247
 publicou uma matéria mencionando Pascowitch, defendendo a soltura do lobista.E não parapor aí: o site ainda recebe patrocínios milionários de empresas do Governo Federal. Mas isso é assunto para outra hora.

O Barão

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Durante a década de 1980, a palavra “Barão” era constantemente associada a dinheiro. E a razão era simples: a cédula de mil cruzeiros vinha com o rosto de José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco, estampado. Mas aqui, esqueça José Maria: o Barão que vamos falar é outro– ele não possui formalmente um título de nobreza, embora use a honraria como inspiração para um instituto que leva seu nome. E não pense que a falta de um título oficial deixará o instituto do nosso
Barão desassociado de poder e dinheiro; nosso Barão se reinventou nos tempos modernos para atrair financiamento público e pressionar políticos.
Estamos falando do Barão de Itararé.Ou melhor, do “Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé”, um instituto ligado ao movimento dos blogueiros progressistas (BlogProg). A história desse instituto é vinculada ao movimento desde sua fundação e é impossível falar de um sem mencionar o outro. Mas para isso, precisamos voltar um pouquinho no tempo.
Os primeiros blogueiros progressistas a fazerem sucesso na internet foram Paulo Henrique Amorim (do já citado Conversa Afiada) e Luís Nassif (do Jornal GGN). Amorim sempre com duras críticas à Globo, Nassif combatente da Veja. Seguindo seus exemplos, outros blogueiros surgiriamna rede com o intuito de criticar ou expor grandes veículos de mídia, por onde alguns deles haviam passado. Os motivos eram quase sempre os mesmos: a falta de boa vontade dessas grandes publicações com o governo federal.
Com a aproximação das eleições de 2010, a blogosfera progressista viu a necessidade de formar um movimento único com o intuito de formular pautas em comum acordo para a defesa da candidatura de Dilma Rousseff. Era criado então o Movimento dos Blogueiros Progressistas, BlogProg, em São Paulo, com a participação de personalidades como Altamiro Borges (Blog do Miro), Leonardo Sakamoto (Blog do Sakamoto), Luiz Carlos Azenha (Viomundo), além dos já citados Paulo Henrique Amorim e Luís Nassif.
A união dos blogueiros rapidamente chamaria a atenção pública do Partido dos Trabalhadores e de Lula, então presidente, que concederia uma entrevistacoletiva a alguns dos donos desses blogs no Palácio do Planalto – algo
que foi repetido anos depois, em 2014, no Instituto que leva seu nome.Durante a reunião que criaria o movimento, foi fundado também o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, presidido por Altamiro Borges (Blog do Miro e Carta Maior).
Após o evento, o instituto recém fundado lançaria a “Carta dos Blogueiros Progressistas”. Preste atenção nessas palavras.
“Contudo, produzir um blog
independente, no Brasil, ainda é um ato de heroísmo porque não existem
meios sólidos de financiamento para exercer a atividade
profissionalmente, ou seja, obtendo remuneração.”
O clamor do Barão parece ter surtido efeito: hoje, esses blogs, outrora em crise,recebem patrocínios milionários do governo, através de verbas de publicidade. A farra com o dinheiro público é tão avassaladora que, comoa Folha de São Paulo apurou, já houve caso até de um jornal fictício receber verbas publicitárias.
Desde que a
presidente Dilma chegou ao poder, os gastos com publicidade só
aumentaram. Apenas no ano passado, a presidente gastou R$ 210 milhões com campanhas em nome da Presidência da República: um valor
mais alto do que o gasto com publicidade com campanhas do Ministério da Saúde.
Mas não pense que a farra termina nos gastos diretos da presidência – ela envolve diversas estatais que tomam dinheiro público para financiar blogueiros ligados ao governo.Só entre 2010 e 2013, o Conversa Afiada já recebeu R$ 2,48 milhões –apenas a título de comparação, no mesmo período, o site da Veja, com uma audiência incomparavelmente maior, recebeu R$ 559 mil.Tomando como base uma tabela de acessos divulgadapelo UOL há dois anos, é possível perceber como os gastos não são
proporcionais. Naquele ano, o blog de PHA teve 4 milhões de visualizações mensais e recebeu R$ 628,8 mil em publicidade do governo. Ao mesmo tempo, o site da Folha de São Paulo, que tem 127 milhões de visualizações, recebeu pouco mais de R$ 780 mil.

Dessa forma, é possível afirmar que, para cada leitor do blog Conversa Afiada,o governo gastou R$ 0,01 em publicidade enquanto que, para um leitor daFolha, o gasto foi de R$ 0,0005 – cinco centésimos de centavo. Ou seja,o blog de Paulo Henrique Amorim recebeu proporcionalmente 2000% mais dinheiro do que a versão online do maior jornal em circulação no Brasil.
Um caso ainda mais chocante é o do Ópera Mundi:R$ 573 mil para uma audiência de 514 mil visualizações de página/mês. São R$ 0,09 por cada pessoa que visualizou uma página do site,
independente dela ter clicado na propaganda ou não – um valor surreal emtermos de publicidade. Se o governo resolvesse gastar com publicidade no Facebook na mesma proporção que gastou com o portal Ópera Mundi, teria um rombo de R$ 44 bilhões, dinheiro suficiente para reconstruir todos os estádios da Copa do Mundo do ano passado 5 vezes, e ainda sobraria.
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As revistas também apresentam disparidades: em 2013, Veja, Época, IstoÉ e Carta Capital receberam, respectivamente, R$ 14,1 milhões, R$ 8,7 milhões, R$ 4,6 milhões e R$ 2,8 milhões. Mas a circulação de cada um desses veículos não corresponde com o gasto de publicidade.
De acordo com a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER), em 2013, a circulação média de todas essas revistas esteve acima dos 300 mil, exceto a Carta Capital, que vendeu 30.595 exemplares por mês. A tabela abaixo mostra esses valores com precisão.
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É importante ressaltar que o pagamento público aos blogs progressistas é muito maior que das revistas, como informam os dados obtidos pela Folha de São Paulo – mais a frente voltaremos a falar sobre eles.
O mídia kit do blog Conversa Afiada cita,por exemplo, grandes anunciantes: a Câmara Municipal de São Paulo, o programa Minha Casa Minha Vida e a campanha “Pare, Pense, Mude”, do Ministério das Cidades e do Denatran. Outros sites, como é o caso do Diário do Centro do Mundo,tem, entre outros anunciantes, a Prefeitura de São Paulo e a Prefeiturade Maricá (governada pelo Partido dos Trabalhadores). Isso põe em cheque a credibilidade do modelo de distribuição de verbas publicitárias
do governo, que afirma ser escolhido com base na audiência dos portais –a chamada “mídia técnica”. Isso tudo, no entanto, não é motivo suficiente para afastar defensores do modelo atual.
O Barão também não fica de fora dessa: apesar de ser um site com uma audiência modesta, que sequer aparece no ranking da Alexa no Brasil, a página do Centro de Estudos já abrigou campanhas da Prefeitura de São Paulo sobre a Virada Cultural e as chuvas de verão.
A relação entre o instituto e a Prefeitura de Haddad, que quando candidato procurou a ajuda de blogueiros, vai muito além da publicidade:em maio do ano passado, o instituto recebeu
R$ 50 mil da prefeitura da cidade para a realização do “4º Encontro Nacional de Blogueiros e Atividades Digitais”.
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A lógica defendida pelo Centro de Estudos Barão de Itararé é a de que a propaganda do governo não deve ter como objetivo atingir o maior número de pessoas, mas sim, “promover ampla liberdade de expressão e, assim, seguir uma lógica distinta da lógica privada de remuneração da mídia porpublicidade”.
Ou seja: para o instituto, o governo deve ter o compromisso de manter no ar blogsmenores por valores absurdamente altos. Se os sites não alcançam audiência sólida, não agradam o público, não conseguem patrocínio através do mercado, ainda assim o dinheiro do contribuinte deve ser gasto para mantê-los. Não se deve priorizar, por exemplo, levar uma campanha de prevenção ao câncer de mama para o maior número de mulheres: a prioridade deve ser inserir banners de estatais por custos estratosféricos em sites com o mesmo viés ideológico do partido que governa o país.
E, quando o dinheiro da publicidade não é suficiente, os blogueiros recebem também outros patrocínios indiretos. 
A premissapode até soar interessante, num primeiro momento: defender a liberdade de expressão e a descentralização da mídia dos grandes veículos. Mas, qual é realmente o compromisso dessas publicações? Como mostraremos a seguir, nem sempre com a verdade. A liberdade de expressão aqui, muitas vezes, serve apenas ao intuito de assassinar a reputação de pessoas e organizações.
Algumas organizaçõesda “mídia livre”, que surgiram para denunciar as mentiras da grande mídia – ou “PiG”, como costumam se referir –, hoje, muitas vezes, praticam aquilo que acusam. E pior, com o aval de lideranças partidáriase com participações no mínimo suspeitas.

As máquinas de mentiras

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Gentili foi amplamente apontado como racista pela blogosfera. Em 2014, a justiça o absolveu das acusações. Danilo conta essa história em seu blog.


Não, nem sempre o compromisso da blogosfera governista é com a informação. Não por acaso, muitos desses blogueiros vivem constantemente prestando satisfação à justiça. Só Paulo Henrique Amorim já foi processado pelo menos 37 vezes, em muitas das ocasiões por postar informações dúbias – oblogueiro, entretanto, alega quetodos os processos são frutos de perseguições políticas. Algumas vezes,nem mesmo desmentidos oficiais são suficientes para que alguns destes portais parem de repetir desinformações.
Isso tudo, porém, não é motivo suficiente para que essas publicações deixem de receber apoio financeiro do governo.
As alegações de Gentili, acusado de racismo pelo Diário do Centro do Mundo (num texto replicado em outros blogs progressistas, como o Pragmatismo Político), foram também aceitas pela Justiça, que em 2014 o absolveu das acusações.
Danilo Gentili, não por acaso, foi uma das primeiras figuras a expôr o funcionamento desses blogs. As críticas, no entanto, incitaram uma espécie de guerrilha virtual contra um comediante que não é ideologicamente alinhado com o governo. Os ataques, de tão numerosos, o levaram a criar o blog “Respondendo Idiotas”, onde ele procura desmistificar as críticas que recebe.
Seu caso não é uma exceção. Personalidades da imprensa, dos negócios e de blogs não alinhados com o governo são constantemente alvos desses ataques.
Desde 2013, Jorge Paulo Lemann e Verônica Serra, filha de José Serra, sofrem ataques infundados dessas mídias, que os acusam de desviarem dinheiro de paraísos fiscais. Nunca foi apresentado um documento ou evidência concreta desse crime, apenas especulações.
O motivo da suspeita seria um investimento realizado pelo fundo Innova, que contacom a participação de Verônica e Lemann, numa sorveteria. Na época, o fundo comprou, por R$ 100 milhões, 20% da Diletto, sorveteria fundada em2007 e em franca expansão: só entre 2013 e 2014, a empresa estimou um crescimento de 60%, passando de um faturamento de R$ 75 milhões, para R$ 120 milhões. Um número impressionante.
Mas os blogueiros, ignorando o potencial da empresa, calcularam que o valor erairreal e daí iniciaram uma cruzada contra o fundo e seus acionistas. Alguns deles apenas reproduziram a notícia da compra com questionamentossobre os valores, mas o Brasil 247 foialém e tentou associar a compra com misteriosos “recursos de paraísos fiscais”: “de onde realmente veio o dinheiro para um investimento tão sem sentido e o que foi feito com os recursos trazidos de paraísos fiscais para o Brasil?”, dizia o subtítulo de uma das reportagens que, apesar de propor a relação entre lavagem de dinheiro e a empresa, não explicou o motivo da suspeita.
Os blogs também não perdem a chance de atacar outros blogueiros.

Em abril, após a Folha de São Paulo exporpagamentos do governo de São Paulo à Appendix Consultoria, empresa do blogueiro Fernando Gouveia, do site Implicante, o caminho tomado foi o
mesmo: a blogosfera governista iniciou acusações a Geraldo Alckmin de sustentar o site de Gouveia, que tem um posicionamento crítico ao PT.
Mas a matéria continha uma série de erros – não por acaso, após a reportagem receber 88 caixas com documentos sobre os pagamento do governo, ficou claro para a Folha de que os pagamentos se tratavam de serviços prestados pela Appendix a uma agência licitada pelo governo, a Propeg, e
não um pagamento direto ao site. Ao contrário dos blogs que recebem quantias irreais de dinheiro pela publicidade veiculada, a Appendix havia sido contratada pela Propeg justamente pelo contrário – ela ofereceu o menor preço nas licitações.
A Folha se retratou pelo erro num editorial publicado 4 dias depois.Mesmo com o esclarecimento do caso – tanto por parte da Folha de São Paulo, como por parte de Gouveia –diversos blogueiros continuaram batendo no caso, incluindo agora uma sócia da Appendix, Cristina Ikonomidis, por já ter trabalhado na Secretaria de Cultura de São Paulo. O blog do Luís Nassif chegoua fazer uma tabelinha conspiratória de supostas ligações entre José Serra, estatais, secretários do governo e Cristina, numa postagem que tentava associar todos os envolvidos ao Implicante.
E as conspirações não terminam por aí. Em meio aos protestos pelo impeachmentde Dilma Rousseff que tomaram conta do país no início do ano, a Revista Fórum comproua versão conspiratória da esquerda americana sobre os movimentos
conservador e libertário dos Estados Unidos, reciclou nas cores verde e amarela e tentou associar os protestos do Movimento Brasil Livre (MBL) com os acontecimentos do exterior. O texto foi replicado pela
Carta Capital.Segundo a matéria, os bilionários irmãos Koch estavam financiando os protestos no país. A evidência apontada eram os valores pagos pelos irmãos ao movimento Students for Liberty (SFL), representado no Brasil pelo Estudantes pela Liberdade, e que possuía laços com representações do MBL. O que a revista omitiu era que os valores pagos pelos irmãos ao SFLnos últimos 16 anos representou menos de 6% de toda a receita do instituto, que é majoritariamente bancado pelos seus adeptos.
Quem está por trás de alguns desses blogs é algo que você verá na segunda reportagem dessa série.




Tudo que você precisa saber sobre como o governo sustenta blogs na internet - Spotniks

A “caetanização”, ou a essência da intelectualidade brasileira





Que a situação educacional e intelectual do Brasil não é das
melhores já é sabido. Para ser honesto, segundo índices e testes
internacionais, ela é mesmo das piores. As causas são tantas e tão
emaranhadas que é impraticável persegui-las aqui. No entanto, há um
epifenômeno dessa situação deplorável cuja onipresença sufocante – e
justamente por isso – é, ao mesmo tempo, obstinadamente ignorada.

Para
sumarizar tal processo, ainda que de maneira informal, costumo
batizá-lo a partir de um de seus máximos expoentes: o âmbito público de
debate de ideias sofre, no país, de uma síndrome ainda e sempre renovada
de “caetanização”. Não pretendo me concentrar aqui na análise da figura
arquetípica do “pseudointelectual de miolo mole”, que já há anos foi
denunciada por sujeitos do calibre de José Guilherme Merquior (o autor
do epíteto anterior) e Bruno Tolentino. Mas pode ser útil compreender um
tanto das causas e do processo que se repete incessantemente.


décadas o Brasil padece de uma falta tremenda de grandes expoentes
intelectuais ou científicos. Que eles existam, escondidos aqui e ali, de
nada adianta e só serve para exemplificar meu ponto, que consiste
exatamente no fato de que tais exceções são, do ponto de vista do debate
público, absolutamente irrelevantes. Essa falta de quórum é causa de
uma das duas marcas definitórias da caetanização: a automática e
imediata promoção de certos indivíduos de visibilidade pública inegável à
esfera dos intelectuais. Aqui pouco importa a definição que se queira
dar a essa classe, bastando apenas apontar seu efeito principal: a
disponibilidade e a abertura subserviente dos meios de comunicação para
que tais sujeitos nos brindem com suas opiniões sobre a mais variada
pletora de temas e problemas, de economia e política a artes e mecânica
quântica.

Nada contra a liberdade de expressão ou mesmo a
participação dessas figuras na vida pública mais ampla, como cidadãos
que são. O fenômeno que apontei seria apenas risível, se não fosse o
segundo de seus caracteres distintivos: a trasladação instantânea do
prestígio e sucesso alcançados em uma área específica para todo e
qualquer assunto ou questão dos quais esses baluartes possam porventura
tratar. O sucesso da música, da novela, da exposição; os gols feitos na
rodada, ou a mais remota hipótese de perseguição durante a ditadura
operam como uma espécie de toque de Midas espiritual sobre as faculdades
intelectivas, que converte tudo o que é dito ou escrito não em ouro,
mas em análise respeitável e a priori abalizada.

Não se pode
ignorar a identificação entre sucesso e credibilidade, assim como a
transferência de méritos de uma área não para outra que lhe seja
adjacente, mas para todas. Isso é sintoma evidente do estado avançado da
carência nacional de referências nos mais diversos campos. Tudo seria
menos lamentável se o motivo fosse apenas uma falta de espaço ou a
simples perseguição contra essa ou aquela posição, em vez da mais
completa falta de exemplares e da consequente falta de parâmetros de
comparação. E as mídias – velhas e novas – continuam transformando
letristas ou músicos em poetas; atores e atrizes em economistas e
cientistas políticos; jornalistas em pensadores. Se tiver um mínimo
pendor para falar de maneira um tanto incompreensível, o sortudo poderá
alçar os píncaros, tornando-se um “livre-pensador” ou filósofo. E não
interessa se alguém mais preparado lhes corrigir ou contradisser;
afinal, todos sabem que não existe esse negócio de alguém saber mais que
outro, sobretudo se o outro for um medalhão “caetanizado”.

A não
atentarmos a tempo, esse fenômeno será a substância primeira de toda a
atividade intelectual do país. Se o leitor acha suspeito o que digo,
dar-lhe-ei o golpe de misericórdia. Ou não.









Gabriel Ferreira,
mestre em Filosofia pela PUC-SP e doutorando na mesma área, foi visiting
scholar na Hong Kierkegaard Library, St. Olaf College (EUA).






A “caetanização”, ou a essência da intelectualidade brasileira | Artigos | Gazeta do Povo

Punições guiam comportamento melhor que recompensas



Redação do Diário da Saúde
     
     

Punições guiam comportamento melhor que recompensas


A pedagogia casada com a tecnologia é outro tema que disparou no interesse dos psicólogos.[Imagem: Newcastle University]



Palmatória ou elogio?



Há muito tempo o consenso geral da punição na educação - que vigorou
por séculos - mudou para um enfoque mais construtivo, com a punição
sendo substituída pela orientação e pelo incentivo.



Contudo, de forma um tanto surpreendente, cientistas agora concluíram
que as punições parecem ser mais eficazes em influenciar o
comportamento do que as recompensas ou promessas de recompensas.



O estudo constatou que as perdas - ou punições - têm um impacto de duas a três vezes maior do que os ganhos - ou recompensas.



Recompensas e punições



O experimento envolveu um grupo de estudos, no qual os alunos ouviam
uma série de estalidos ou luzes piscando, devendo indicar se teriam
ouvido mais cliques na orelha esquerda ou direita, ou se as piscadas
vinham de um ou outro lado.



Cada vez que um aluno fazia uma escolha, os pesquisadores
apresentavam um valor aleatório, que podia ser de 5, 10, 15, 20 ou 25
centavos - o valor podia representar a recompensa por uma resposta
correta, ou uma multa por uma resposta incorreta.



"Objetivamente, você pensaria que ganhar 25 centavos teria um efeito
da mesma magnitude que a perda de 25 centavos, mas não foi isso o que
encontramos," disse o professor Jan Kubanek, da Universidade de
Washington (EUA).



Multa versus prêmio



De fato, quando os alunos pagavam uma multa, eles se tornavam muito
mais atentos, reduzindo significativamente a chance de darem respostas
incorretas a seguir. Ganhar um prêmio não alterou a chance de erro
subsequente.



"A questão de como recompensas e punições influenciam o comportamento
tem ocupado os psicólogos há mais de 100 anos," comentou Richard
Abrams, coautor do estudo. "A dificuldade tem sido a elaboração de
tarefas eficazes para investigar essa questão. Usamos uma abordagem
simples que revela diferenças dramáticas na maneira como as pessoas
respondem a diferentes tipos de feedback."





Punições guiam comportamento melhor que recompensas







A "ideologia de gênero", a educação e os supostos "direitos sexuais".


Somente um governo que já perdeu a noção sobre o bem comum da
família, sobre o respeito à maioria dos cidadãos, pode promover tais
condutas e impor, inclusive, que sejam matéria de ensino para as
crianças e adolescentes, nos colégios públicos e privados.


Há um curioso paradoxo na afirmação de que as opções sexuais de
cada um são um assunto privado, por um lado, e a frenética luta para
promover a educação sexual de crianças e adolescentes, a ideologia do
gênero e o casamento civil homoafetivo, de outro. É um paradoxo
perverso. Porque silencia.



Silencia porque cada vez que alguém tenta falar publicamente sobre os
temas acima, de modo a expor suas próprias opiniões sobre o assunto, há
sempre alguém que retruca agressivamente com a afirmação de que a
conduta sexual de cada um, as escolhas sexuais de cada um, são assunto
estritamenteparticular e privado, e por isto aqueles
que manifestam-se no sentido de que a ideologia de gênero não é matéria
adequada para a educação de nossos jovens, que a identidade sexual não
pode prescindir do seu componente biológico para estabelecer-se, e que a
família não pode prescindir da complementariedade e da fecundidade para
definir-se são agredidos como se fossem apenas moralistas,
retrógrados e reacionários, além de fanáticos religiosos, que querem
impor seus próprios padrões de moralidade aos outros.
 Vivam e
deixem viver, dizem os defensores dessas ideologias. Não se metam nas
escolhas sexuais dos outros, dizem eles, porque vivemos num país livre e
laico e não lhes cabe impor a nós a (suposta) opressão heterossexual e a
discriminação de cidadãos com base em preferências sexuais.



Onde está o paradoxo? Está em dizer que tais assuntos são “privados”, e que portanto dizem respeito apenas aos que os vivem, e ao mesmo tempo tentar obter o reconhecimento público das
condutas dos que ostentam tais opções. Ora, se tais assuntos são
privados, e se é injusto que qualquer grupo social que tenha opiniões
diferentes venha a interferir nas escolhas de quem os adota, então de
igual modo é injusto que se pleiteie o reconhecimento público e a promoção estatal dessas escolhas. Mesmo a título de “educação inclusiva” ou “vencer os preconceitos e as discriminações”.



Ouvi, outro dia, durante um debate inflamado, alguém perguntar
agressivamente a um interlocutor que discordava da legalização do
casamento homoafetivo: “Por que você quer impor sua própria
heteronormatividade a quem tem uma sexualidade diferente da sua? Se você
acredita no casamento heterossexual, então case-se com alguém de outro
sexo e seja feliz, e deixe ser feliz quem acredita no casamento
homoafetivo e quer ter direito a ter sexo com alguém do mesmo sexo. Uma
vez que a conduta deste último não vai influir em nada na sua vida,
sua posição é simples moralismo, discriminação injusta, atraso de
mentalidade, falta de educação, violação do estado laico. Seu direito
acaba onde começa o direito do outro”.



Temendo ser retrógrado, atrasado, fanático ou moralista, o debatedor
que se opunha a tais “avanços” se calou, porque não tinha argumentos que
não parecessem simplesmente uma intromissão no direito sexual alheio,
ou na felicidade do outro, ou tradicionalismos e conservadorismos sem
valor.



Não há “direitos sexuais”.



Não são poucos os católicos que se deixam não somente calar, mas até
convencer por argumentos assim. Mas tais argumentos são simplesmente
falsos.Não há uma categoria pública de direitos sexuais. E a contradição aqui é gritante. Se a sexualidade se constitui de condutas privadas, a categoria dos “direitos” se constitui na esfera pública. Por isto, falar em “direitos sexuais” é submeter à condição de públicos os interesses que o próprio debatedor colocou como privados quando quis colocar-se a salvo da crítica de quem defendia a posição oposta.



Não há direitos sexuais, compreendidos como um direito subjetivo ao prazer genital. Nem sequer como possibilidade de estabelecimento de políticas públicas estatais sobre tais prazeres. Mesmo a título de “garantia de não discriminação” a quem tem qualquer pulsão, tendência ou opção sexual neste ou naquele sentido. Todo direito manifesta um poder, e a todo direito se opõe um dever.
Se há um “poder sexual” reconhecido como direito, há a possibilidade de
impor, por via estatal, a um outro, o dever de garantir, promover ou
conceder prazer sexual ao suposto “titular” desse direito. Ao admitir
tais direitos, estaríamos estabelecendo que caberia ás famílias, ao
estado, aos quartéis, aos hospitais, às escolas, enfim, a todas as
esferas públicas de convivência, o dever de garantir o exercício do
prazer sexual aos cidadãos que estiverem titularizados com tais
direitos. Não é difícil imaginar onde isto nos conduziria. Aliás, já
está conduzindo: os banheiros públicos, que sempre foram espaço de
atendimento de necessidades fisiológicas digestivas, separados,
portanto, conforme critérios estritamente biológicos e corporais,
transformaram-se, por decreto do Governo federal, em espaço de
manifestação de “identidade sexual” - ou seja, de expressão do “direito
sexual” dos ativistas, e da contrapartida do “dever sexual” de que nossa
preocupação com o pudor e a ingenuidade, por exemplo, de crianças e
adolescentes, seja derrogado em favor do “prazer sexual” dos ativistas.
Não é, pois, de condutas privadasque estamos falando aqui, mas
da imposição pública universal de opções particulares aos outros,
privando-o, por outro lado, de exercer suas próprias opções de não ver
misturados assuntos sexuais com assuntos digestivos. Se isto não for de
interesse de todos, então já não vivemos numa democracia, mas numa
ditadura cujo projeto é estabelecer os seus próprios conceitos de “fim
da discriminação sexual” e da “igualdade de gênero” por cima da razão,
da fé, da tradição, da corporeidade, da ciência, dos interesses, de
todos os cidadãos.



O matrimônio como relação complementar, reprodutiva e estável.



Além disso, o matrimônio sempre foi visto como o relacionamento
estável potencialmente fértil e reprodutivo entre seres biologicamente
complementares, e somente por isto ele despertou interesse público. Em
nome da necessidade de prorrogação, no tempo, da própria existência da
comunidade humana, bem como do valor que a prole gera a todos
os membros de uma nação – representando a nova geração de trabalhadores,
soldados, governantes, cidadãos – é que esta relação adquiria a dimensão pública que
a fazia de necessária regulamentação estatal. Não havia uma relação com
o prazer sexual em si, nem sequer com quaisquer pulsões ou desejos que
os cônjuges eventualmente sentissem, entre si ou com terceiros: a esfera
das emoções, dos sentimentos, dos desejos ou do prazer esteve sempre fora do âmbito público,
em matéria de família e matrimônio, salvo quando relacionado à
estabilidade, ao respeito recíproco e ao cuidado adequado com a prole.



O interesse estatal se dava pelo fato de que as consequências das relações sexuais complementares eram, essencialmente, duradouras e graves:
implicavam reprodução, e um novo ser humano, que precisava ser cuidado e
sustentado até a idade adulta, e adquiria, então, o dever recíproco de
cuidar de seus genitores. Qualquer outra atividade sexual que não
tivesse tal dimensão era um indiferente, ou mesmo um inconveniente jurídico,
porque colocava o desejo sexual individual acima do interesse social. E
a libido, neste contexto, é uma base extremamente frágil, e portanto
totalmente inconveniente, para estabelecer a família. Com prazer ou não,
com atração ou não, a simples condição potencial essencial da geração da prole, com todos os seus consectários, é o único fundamento válido para o reconhecimento público de tais relacionamentos como familiares.



No momento, porém, que se pleiteia uma nova base como fundamento para o próprio matrimônio, qual seja, a pulsão sexual indistinta por
qualquer outra pessoa, independentemente de complementariedade ou de
potencialidade para a reprodução natural, os fundamentos do casamento
estão sendo alterados, e não somente para os chamados “casais
homoafetivos”. Se não há diferença entre o desejo sexual homoafetivo e a
união complementar essencialmente reprodutiva, e ambas dão origem à
mesma pretensão de reconhecimento público, então a base do matrimônio
mudou, e mudou para a sociedade inteira. O que fundamenta o matrimônio,
agora, seria o contrato sexual, a libido recíproca, e não mais o
interesse social na estabilidade de um lar para a prole. E isto para
homoafetivos ou para heterossexuais. É por isso que o reconhecimento
estatal da união homoafetiva como casamento afeta a todos os
matrimônios, não somente aos homoafetivos. Por essa ideologia,
desaparecida a libido, ou dirigida ela a outra pessoa, desfaz-se a
família, porque o prazer sexual, tornado sinônimo de “felicidade”, é
tido como o único fundamento para o casamento civil.



Somente um governo que já perdeu a noção sobre o bem comum da
família, sobre o respeito à maioria dos cidadãos, pode promover tais
condutas e impor, inclusive, que sejam matéria de ensino para as
crianças e adolescentes, nos colégios públicos e privados. Em
pouquíssimo tempo, este mesmo governo estará processando pais de
família, religiosos e professores que ousem ensinar para os jovens que,
se a sexualidade sem critério fosse o centro da vida e da identidade humana, a humanidade seria apenas mais um rebanho de seres irracionais.
Quem sabe um dia tenhamos até uma “Campanha da Fraternidade” em favor
dessas políticas governamentais desarvoradas. Não duvido, mas espero e
rezo para que isto não ocorra.

















A "ideologia de gênero", a educação e os supostos "direitos sexuais". | ZENIT - O mundo visto de Roma

Paulo Freire e o assassinato do conhecimento


Por Jefferson Viana, publicado no Instituto Liberal

Paulo Freire. Filósofo, pedagogo, e educador, considerado o patrono da educação em nosso país, possui títulos de honoris causa em faculdades tarimbadas no mundo, como Oxford, Cambridge e Harvard, onde foi professor convidado. Sua teoria de educação é muito propagada no Brasil e os resultados do desenvolvimento educacional do Brasil não são dos melhores. Mas por que a educação brasileira tem a ver com a teoria de Freire?
Paulo Freire era adepto da teoria marxista e a sua aplicação na educação, implantando a luta de classes no ambiente escolar, dizendo que o problema educacional era social, que os menos favorecidos tinham que ser introduzidos na política, com uma das suas teorias mais conhecidas, a Pedagogia da Libertação, onde incorpora-se que não existe educação neutra. Aí está uma das origens da nossa já conhecida doutrinação marxista nas escolas e universidades, que em vez de formar cidadãos e profissionais para o crescimento do país, forma soldados dispostos a defender com unhas e dentes o marxismo no meio acadêmico.
Na sua principal obra, Pedagogia do Oprimido, Freire exalta a teoria da Ação Antidialógica, onde centra-se a “ação dos dominadores”, que preferem manter a divisão, para poder continuar a opressão e manter a manipulação, deixando as classes menos favorecidas fracas e facilmente manipuladas. Nada mais que a luta de classes proposta pelo alemão Karl Marx, só que com outras palavras.
Paulo Freire participou da última grande reforma educacional brasileira, ocorrida em 1996 durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Tal reforma deu origem à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira, cujos resultados estão aí para todos nós vermos. Nossa educação continua atrasada, doutrinária e fraca.
Contudo, a problemática da educação brasileira não vem de 1996, e sim do fim da década de 1950. Foi a época que as teorias de autores de esquerda ganharam força no Brasil e Paulo Freire estava nesse “pacotão” de autores, onde estavam na lista também Caio Prado Júnior, Nelson Werneck Sodré, Sérgio Buarque de Hollanda, Florestan Fernandes, Darcy Ribeiro e Maria Yedda Linhares. Em vez de solucionar o problema, o “Método Paulo Freire” só agrava o problema da educação nacional. Além da suspeita de plágio do método, mostrado pelo site Mídia Sem Máscara em artigo escrito pelo historiador David Gueiros Vieira, mostrando que o mesmo foi criado na verdade pelo americano Frank Laubach em 1915.
Enquanto a educação brasileira for baseada no método freireano o resultado continuará sendo o mais desanimador possível, com o nosso país caindo ainda mais no ranking do PISA (Programa internacional de avaliação de alunos) com o desempenho pífio de nossos alunos, que em vez de priorizada uma educação formativa de fato e neutra, tem aulas de marxismo que corrompem a mente de nossas crianças e adolescentes em prol da revolução cultural e silenciosa que o italiano Antonio Gramsci propunha. Paulo Freire tem uma grande colaboração nesse resultado triste para o futuro de nosso país. Precisamos urgentemente de mais mentes pensantes no futuro para ajudar no crescimento de nosso país, não de mais soldados socialistas.

Nazismo: Esquerda ou Direita?




adolfhitler









As
discussões políticas da Internet têm uma batata quente que é jogada de
colo em colo. Seu nome é Nazismo. Ninguém quer ficar com ela; a direita
diz que o nazismo era de esquerda, socialista, filo-comunista; a
esquerda acusa-o de direita, capitalista, liberal. E aí, quem tem razão?
O último lance
desse jogo veio da Cynara Menezes, do blog Socialista Morena, que
naturalmente vê o nazismo como algo da direita; mais especificamente, um
movimento capitalista, posto que financiado por capitalistas.
“A
ascensão do nazismo de Adolf Hitler na Alemanha e do fascismo de Benito
Mussolini na Itália durante os anos 1920, 1930 e 1940 só foi possível
com a colaboração e o suporte financeiro de grandes corporações ainda
hoje poderosas: BMW, Fiat, IG Farben (Bayer), Volkswagen, Siemens, IBM,
Chase Bank, Allianz… Sem contar, é claro, com os grupos de mídia.”
Tudo verdade. Mas daí a chamar o fascismo de “capitalista” vai um salto enorme.
É um
infortúnio, não totalmente acidental, que o termo “capitalista”
signifique duas coisas diferentes. Originalmente, “capitalista” é o
detentor do capital, dos meios de produção: os donos de empresas, bancos
e terras, os acionistas, etc. Mas desde que “capitalismo” passou, no
século 19, a significar um sistema econômico (nome dado por seus
opositores), “capitalista” significa também o defensor dessa causa
política, que é, em poucas palavras, a liberdade de mercado.
Segundo
Marx, a defesa do capitalismo era uma ideologia – uma construção teórica
enganadora que justifica interesses de classe – burguesa, ou seja, da
classe detentora do capital. Assim, os capitalistas – barões das
empresas e das finanças – seriam naturalmente defensores do capitalismo,
ideologia que justificava o sistema exploratório no qual eles lucravam.
A verdade, contudo, é mais complexa. A tendência geral é que os grandes empresários não sejam defensores da liberdade de mercado; pois ela não é de seu interesse.
Eles querem garantir para si o direito de monopólio e o auxílio
estatal, e estão numa situação melhor para influenciar a política do que
seus competidores menores. Sem dúvida, eles raramente serão
socialistas; a expropriação das empresas também não lhes interessa.
Fascismo e
nazismo, bem como outros movimentos da época, iam ao encontro dos
interesses de grandes empresas: garantiam-lhes privilégios via
apadrinhamento estatal ao mesmo tempo em que continham a ameaça
socialista. Por isso mesmo receberam apoio de tantas corporações.

hitler

Fascismo e
socialismo sempre brigaram entre si. Mas era uma briga entre duas
formas de coletivismo, nenhuma das quais era capitalista, ou seja,
defensora do livre mercado. Brigavam tanto justamente por disputarem o
mesmo público-alvo. Eram movimentos coletivistas numa época em que o
liberalismo e o individualismo estavam quase mortos como proposta
política. Muitos fascistas, aliás, vieram da militância socialista
(Mussolini é o maior exemplo) e do movimento sindical. Diversos
sindicatos eram fascistas e desempenharam papel importante na primeira
fase do regime, que terminou por extingui-los.
É um erro,
contudo, dizer que o fascismo ou o nazismo eram socialistas. Há
diferenças importantes. O socialismo via na classe econômica,
independentemente de fronteiras nacionais, a unidade social relevante; o
fascismo, na raça ou na nação. O socialismo pregava a luta de classes, a
derrubada do poder burguês; o fascismo pregava a harmonia entre classes
no Estado e a luta contra o inimigo externo ou seus agentes
infiltrados. Na economia, não queria estatizar tudo como fez a URSS;
queria proteger a indústria, promover a autarquia produtiva ao invés do
comércio internacional, formar grandes cartéis, coordenar as negociações
entre trabalhadores e empresários, impor leis trabalhistas rígidas,
investir pesado em obras estatais e exército. O modelo econômico do
fascismo, mais do que socialista, era corporativista. Cada um no seu
lugar, relações harmônicas entre os blocos com o Estado permeando tudo.
Os dois
movimentos rivais tinham, aliás, um inimigo em comum: a economia
liberal, a velha ordem “decadente”, o individualismo, os especuladores,
os comerciantes, os banqueiros não-aliados ao regime. A perseguição
nazista aos judeus tinha muito desse ódio à suposta classe especuladora e
usurária (cobradora de juros).  Opunham-se frontalmente ao livre
comércio e à livre iniciativa e a todas as relações voluntárias e
não-direcionadas a objetivos estatais. Em seu lugar, a identificação
entre sociedade e Estado, o partido como definidor dos rumos da nação.
“Tudo no Estado, nada contra o Estado, nada fora do Estado”, como diria
Mussolini.

Apesar da
derrota militar do fascismo, é curioso notar que a URSS e outros
socialistas adotaram diversas características do antigo rival: o regime
que começou com uma retórica internacionalista e revolucionária no campo
dos costumes virou, sob Stalin, nacionalista, militarista, conservador e
exaltador do grande líder, do pai da nação.

E então,
nazismo é direita ou esquerda? Depende de como definimos os termos.
Aliás, o livre mercado é direita ou esquerda? (Resposta: nenhum dos
dois). Acho que há diferenças relevantes entre socialismo e nazismo para
que eles não sejam identificados; embora haja também semelhanças que
não devemos perder de vista. Seja como for, uma coisa podemos dizer com
toda a certeza: nazismo e fascismo não tinham nada de capitalistas;
combatiam o livre mercado com todas as forças. Não eram liberais nem na
economia, nem nos costumes, nem na filosofia. Assim como muitos
capitães de indústria também não eram e não são. Via de regra,
capitalistas não são capitalistas. Tá na hora de atualizar nosso
vocabulário.
 
 
 

fonte: Nazismo: Esquerda ou Direita? – resposta a Cynara Menezes - LiberzoneLiberzone

A Universidade não é uma Ágora


O que parece inacreditável em todo esse ambiente é que ninguém consegue garantir o bom funcionamento de um espaço destinado ao ensino e à reflexão. É terra sem lei.

O clima de banalização do espaço universitário vai além. Basta uma greve, por exemplo, para que cadeiras sejam retiradas das salas de aula e se transformem em barricadas a fim de impedir o livre acesso de docentes, alunos e funcionários. Mobilização fácil essa que, diga-se, resulta apenas no impedimento ao diálogo entre as partes conflitantes.

Além da vedação à troca de ideias, muitas cadeiras, pagas pelos impostos da população, acabam, como é de se esperar, danificadas, resultando em prejuízo para o Estado e para o contribuinte.

Prejuízo, aliás, que virou rotina de forma inacreditável. Só no ano passado, seis projetores foram roubados do prédio da História e Geografia. Ninguém foi responsabilizado. A solução óbvia seria a instalação de câmeras de segurança. Mas na USP contamos com a oposição dos que acham que as mesmas resultarão em "controle".

Em nome de um discurso ideologizado, impede-se a defesa do patrimônio público.

É como se um gestor tivesse que pedir licença para repor um vidro quebrado. Ou um diretor de uma repartição pública tivesse que pedir autorização para colocar as câmeras de segurança no Metrô, na Secretaria de Fazenda ou no Hospital dos Servidores. Acanhados diante da obrigação de fazer valer a lei, como se tal atitude nos fizesse reacionários, ficamos calados.

Esse é o caminho que, lentamente, a universidade trilha no sentido de seu definhamento. Não tenho dúvida de que o poder público também é responsável pela crise vivida nas universidades públicas. A novidade é que não são apenas os governantes os agentes da crise. Há inimigos internos, que desprezam o saber e a hierarquia acadêmica.

Em nome de verdades absolutas, conduzidas por vanguardas autoritárias, não têm dúvidas sobre suas ações. São minorias que, ignoradas no mundo real se escoram nessa bolha que tem se tornado a universidade. O mais grave, insisto, é o acanhamento diante do imperativo de fazer valerem as leis. Estas, universais, se aplicam também para o espaço universitário. Ou deveriam.

É proibido fumar em um ônibus? Na universidade também é. É proibido consumir bebida alcoólica em repartições públicas? Na universidade também é. É proibido apertar e acender um baseado em qualquer lugar, ao menos por enquanto? Na universidade também é. A USP não é uma ágora separada do mundo real. Fazemos parte dele.

Somos sustentados por maiorias que nem sequer sabem onde fica a Universidade de São Paulo. Voltar-se para essas maiorias é tarefa que exige reflexão e empenho, mas precisamos arrumar a casa primeiro. O medo de impor a lei é um caminho curto e fácil para uma reinterpretação medíocre de nossa carreira e do papel da universidade. No mínimo.




(*)FRANCISCO CARLOS PALOMANES MARTINHO, 53, é professor Departamento de História da USP. É autor de "A Bem da Nação: O Sindicalismo Português entre a Tradição e a Modernidade" (Civilização Brasileira)

Francisco Carlos Palomanes Martinho: A universidade não é uma ágora - 29/05/2015 - Opinião - Folha de S.Paulo

Viciado em internet



Mario Eugenio Saturno*

Uma pesquisa da Universidade de Swansea e da Universidade de Milão mostrou que os jovens que usam a internet por longos períodos podem sofrer sintomas de abstinência semelhante aos viciados. Esse é o primeiro estudo sobre os impactos psicológicos negativos imediatos de uso da internet.

A pesquisa descobriu que aqueles que ficam muito tempo na internet, relataram aumento humores
negativos depois que pararam de navegar e, possivelmente, fazendo-os usar novamente a internet para superar esses sentimentos desagradáveis. Segundo o Professor Phill Reed, o estudo mostra que cerca de metade dos jovens estudados gastam tanto tempo na rede que provoca males para o
resto de suas vidas. O efeito é comparável ao uso de drogas como o ecstasy. Observou-se também que esses usuários tendem a ser mais deprimidos e mostram traços de autismo.

O estudo completo, intitulado “Differential Psychological Impact of Internet Exposure on Internet Addicts”, pode ser visto no site da PLoS ONE. Participaram da pesquisa sessenta voluntários, sendo 27 homens e 33 mulheres, com idade média de 24 anos. Os testes psicológicos buscavam avaliar a dependência da internet, humor, ansiedade, depressão, esquizotipia, e traços de autismo.

Durante a última década, Reed resume, o tema tomou a literatura médica, vício em internet é uma nova psicopatologia, com especial foco no jogo e na pornografia. O impacto negativo do uso
excessivo de internet pode ser verificado em uma ampla gama de aspectos da vida das pessoas bem como no funcionamento familiar.

Em uma pesquisa anterior, o professor Reed já havia observado que estudantes que usam a internet excessivamente têm a motivação para estudar diminuída. A pesquisa envolveu centenas de estudantes do Reino Unido que relataram suas atividades “online”, um teste de dependência de internet
e uma avaliação da motivação ao estudo. Outros fatores foram considerados para estabelecer a correlação do uso excessivo de internet, como depressão, solidão e isolamento social.

Para Reed, é provável que aqueles que utilizaram a internet muito tempo em jogos ou outra atividade, simplesmente tiveram menos tempo para estudar, e também, porque eles tinham níveis mais elevados de depressão, ou seja, são menos propensos a querer trabalhar.

Para o professor Reed, o crescente uso de suporte digital de aprendizagem nas universidades pode
criar problemas, apesar de que a aprendizagem “online” seja uma ferramenta poderosa. Ele observou que o uso da internet era interessante mas que sugou usuários. Estudantes de Engenharia e de Ciências tendem a usar a internet mais que os estudantes de Artes e Ciências Sociais, mas que o efeito motivacional foi semelhante em ambas as categorias.

O cientista ainda citou outro estudo que acompanhou os usuários do Facebook por mais de seis meses. A conclusão foi surpreendente, quanto mais os participantes do estudo usavam o Facebook, mais eles ficaram deprimidos.

Diversos pesquisadores já haviam apontado que a utilização da internet prejudica o funcionamento técnico executivo, ou seja, na capacidade de planejar e resistir a escolhas impulsivas. Estudar requer exatamente esse tipo de habilidade.




(*)Mario Eugenio Saturno (cienciacuriosa.blog.com) é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano.

(11) Mario Saturno - Convido a ler meu artigo: Viciado em internet Uma...
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