Método Paulo Freire, ou Método Laubach?



Por David Gueiros Vieira*

O Método Laubach de alfabetização de adultos foi criado pelo missionário protestante norte-americano Frank Charles Laubach (1884-1970). Desenvolvido por Laubach nas Filipinas, em 1915, subseqüentemente foi utilizado com grande sucesso em toda a Ásia e em várias partes da América Latina, durante quase todo o século XX.

Em 1915, Frank Laubach fora enviado por uma missão religiosa à ilha de Mindanao, nas Filipinas, então sob o domínio norte-americano, desde o final da guerra EUA/Espanha. A dominação espanhola deixara à população filipina uma herança de analfabetismo total, bem como de ódio aos estrangeiros.

A população moura filipina era analfabeta, exceto os sacerdotes islamitas, que sabiam ler árabe e podiam ler o Alcorão. A língua maranao (falada pelos mouros) nunca fora escrita. Laubach enfrentava, nessa sua missão, um problema duplo: como criar uma língua escrita, e como ensinar essa escrita aos filipinos, para que esses pudessem ler a Bíblia. A existência de 17 dialetos distintos, naquele arquipélago, dificultava ainda mais a tarefa em meta.

Com o auxílio de um educador filipino, Donato Gália, Laubach adaptou o alfabeto inglês ao dialeto mouro. Em seguida adaptou um antigo método de ensino norte-americano, de reconhecimento das palavras escritas por meio de retratos de objetos familiares do dia-a-dia da vida do aluno, para ensinar a leitura da nova língua escrita. A letra inicial do nome do objeto recebia uma ênfase especial, de modo que aluno passava a reconhecê-la em outras situações, passando então a juntar as letras e a formar palavras.

Utilizando essa metodologia, Laubach trabalhou por 30 anos nas Filipinas e em todo o sul da Ásia. Conseguiu alfabetizar 60% da população filipina, utilizando essa mesma metodologia. Nas Filipinas, e em toda a Ásia, um grupo de educadores, comandado pelo próprio Laubach, criou grafias para 225 línguas, até então não escritas. A leitura dessas línguas era lecionada pelo método de aprendizagem acima descrito. Nesse período de tempo, esse mesmo trabalho foi levado do sul da Ásia para a China, Egito, Síria, Turquia, África e até mesmo União Soviética. Maiores detalhes da vida e trabalho de Laubach podem ser lidos na Internet, no site Frank Laubach.

Na América Latina, o método Laubach foi primeiro introduzido no período da 2ª Guerra Mundial, quando o criador do mesmo se viu proibido de retornar à Ásia, por causa da guerra no Pacífico. No Brasil, este foi introduzido pelo próprio Laubach, em 1943, a pedido do governo brasileiro. Naquele ano, esse educador veio ao Brasil a fim de explicar sua metodologia, como já fizera em vários outros países latino-americanos.
"As cartilhas de Laubach foram copiadas pelos marxistas em Pernambuco, dando ênfase à luta de classes. O autor dessas outras cartilhas era Paulo Freire, que emprestou seu nome à "nova metodologia" como se a ela fosse de sua autoria"
Lembro-me bem dessa visita, pois, ainda que fosse muito jovem, cursando o terceiro ano Ginasial, todos nós estudantes sabíamos que o analfabetismo no Brasil ainda beirava a casa dos 76% - o que muito nos envergonhava - e que este era o maior empecilho ao desenvolvimento do país.

A visita de Laubach a Pernambuco causou grande repercussão nos meios estudantis. Ele ministrou inúmeras palestras nas escolas e faculdades — não havia ainda uma universidade em Pernambuco — e conduziu debates no Teatro Santa Isabel. Refiro-me apenas a Pernambuco e ao Recife, pois meus conhecimentos dos eventos naquela época não iam muito além do local onde residia.

Houve também farta distribuição de cartilhas do Método Laubach, em espanhol, pois a versão portuguesa ainda não estava pronta. Nessa época, a revistaSeleções do Readers Digestpublicou um artigo sobre Laubach e seu método — muito lido e comentado por todos os brasileiros de então, que, em virtude da guerra, tinham aquela revista como único contato literário com o mundo exterior.
Naquele ano, de 1943, o Sr. Paulo Freire já era diretor do Sesi, de Pernambuco — assim ele afirma em sua autobiografia — encarregado dos programas de educação daquela entidade. No entanto, nessa mesma autobiografia, ele jamais confessa ter tomado conhecimento da visita do educador Laubach a Pernambuco. Ora, ignorar tal visita seria uma impossibilidade, considerando-se o tratamento VIP que fora dado àquele educador norte-americano, pelas autoridades brasileiras, bem como pela imprensa e pelo rádio, não havendo ainda televisão. Concomitante e subitamente, começaram a aparecer em Pernambuco cartilhas semelhantes às de Laubach, porém com teor filosófico totalmente diferente. As de Laubach, de cunho cristão, davam ênfase à cidadania, à paz social, à ética pessoal, ao cristianismo e à existência de Deus. As novas cartilhas, utilizando idêntica metodologia, davam ênfase à luta de classes, à propaganda da teoria marxista, ao ateísmo e a conscientização das massas à sua "condição de oprimidas". O autor dessas outras cartilhas era o genial Sr. Paulo Freire, diretor do Sesi, que emprestou seu nome à essa "nova metodologia" — da utilização de retratos e palavras na alfabetização de adultos — como se a mesma fosse da sua autoria.

Tais cartilhas foram de imediato adotadas pelo movimento estudantil marxista, para a promulgação da revolução entre as massas analfabetas. A artimanha do Sr. Paulo Freire "pegou", e esse método é hoje chamado Método Paulo Freire, tendo o mesmo sido apadrinhado por toda a esquerda, nacional e internacional, inclusive pela ONU.

No entanto, o método Laubach — o autêntico — fora de início utilizado com grande sucesso em Pernambuco, na alfabetização de 30.000 pessoas da favela chamada "Brasília Teimosa", bem como em outras favelas do Recife, em um programa educacional conduzido pelo Colégio Presbiteriano Agnes Erskine, daquela cidade. Os professores eram todos voluntários. Essa foi a famosa Cruzada ABC, que empolgou muita gente, não apenas nas favelas, mas também na cidade do Recife, e em todo o Estado. Esse esforço educacional é descrito em seus menores detalhes por Jules Spach, no seu recente livro, intitulado,Todos os Caminhos Conduzem ao Lar(2000).
"A 'bolsa-escola' de Cristovam Buarque não é novidade. Foi adotada há décadas por discípulos de Laubach e criticada pela esquerda na época. A bolsa-escola já era defendida por Antônio Almeida, um educador do século XIX."
O Método Laubach foi também introduzido em Cuba, em 1960, em uma escola normal em Bágamos. Essa escola pretendia preparar professores para a alfabetização de adultos. No entanto, logo que Fidel Castro assumiu o controle total do poder em Cuba, naquele mesmo ano, todas as escolas foram nacionalizadas, inclusive a escola normal de Bágamos. Seus professores foram acusados de "subversão", e tiveram de fugir, indo refugiar-se em Costa Rica, onde continuaram seu trabalho, na propagação do Método Laubach, criando então um programa de alfabetização de adultos, chamado Alfalit.

A organização Alfalit foi introduzida no Brasil, e reconhecida pelo governo brasileiro como programa válido de alfabetização de adultos. Encontra-se hoje na maioria dos Estados: Santa Catarina (1994), Alagoas, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Sergipe, São Paulo, Paraná, Paraíba e Rondônia (1997); Maranhão, Pará, Piauí e Roraima (1998); Pernambuco e Bahia (1999).

A oposição ao Método Laubach ocorreu desde a introdução do mesmo, em Pernambuco, no final da década de 1950. Houve tremenda oposição da esquerda ao mencionado programa da Cruzada ABC, em Pernambuco, especialmente porque o mesmo não conduzia à luta de classes, como ocorria nas cartilhas plagiadas do Sr. Paulo Freire. Mais ainda, dizia-se que o programa ABC estava "cooptando" o povo, comprando seu apoio com comida, e que era apenas mais um programa "imperialista", que tinha em meta unicamente "dominar o povo brasileiro".

Como a fome era muito grande na Brasília Teimosa, os dirigentes da Cruzada ABC, como maneira de atrair um maior número de alunos para o mesmo, se propuseram criar uma espécie de "bolsa-escola" de mantimentos. Era uma cesta básica, doada a todos aqueles que se mantivessem na escola, sem nenhuma falta durante todo o mês. Essa bolsa-escola tornou-se famosa no Recife, e muitos tentavam se candidatar a ela, sem serem analfabetos ou mesmo pertencentes à comunidade da Brasília Teimosa. Bolsa-escola fora algo proposto desde os dias do Império, conforme pode-se conferir no livro de um educador do século XIX, Antônio Almeida, intituladoO Ensino Público, reeditado em 2003 pelo Senado Federal, com uma introdução escrita por este Autor.

No entanto, a idéia da bolsa-escola foi ressuscitada pelo senhor Cristovam Buarque, quando governador de Brasília. Este senhor, que é pernambucano, fora estudante no Recife nos dias da Cruzada ABC, tão atacada pelos seus correligionários de esquerda. Para a esquerda recifense, doar bolsa-escola de mantimentos era equivalente a "cooptar" o povo. Em Brasília, como "idéia genial do Sr. Cristovam Buarque", esta é hoje abençoada pela Unesco, espalhada por todo o mundo e não deixa de ser o conceito por trás do programa Fome Zero, do ilustre Presidente Lula.

O sucesso da campanha ABC — que incluía o Método Laubach e a bolsa-escola — foi extraordinário, sendo mais tarde encampado pelo governo militar, sob o nome de Mobral. Sua filosofia, no entanto, foi modificada pelos militares: os professores eram pagos e não mais voluntários, e a bolsa-escola de alimentos não mais adotada. Este novo programa, por razões óbvias, não foi tão bem-sucedido quanto a antiga Cruzada ABC, que utilizava o Método Laubach.

A maior acusação à Cruzada ABC, que se ouvia da parte da esquerda pernambucana, era que o Método Laubach era "amigo da ignorância" — ou seja, não estava ligado à teoria marxista, falhavam em esclarecer seus detratores — e que conduzia a "um analfabetismo maior", ou seja, ignorava a promoção da luta de classes, e defendia a harmonia social. Recentemente, foi-me relatado que o auxílio doado pelo MEC a pelo menos um programa de alfabetização no Rio de Janeiro — que utiliza o Método Laubach, em vez do chamado "Método Paulo Freire" — foi cortado, sob a mesma alegação: que o Método Laubach estaria "produzindo o analfabetismo" no Rio de Janeiro. Em face da recusa dos diretores do programa carioca, de modificarem o método utilizado, o auxílio financeiro do MEC foi simplesmente cortado.

Não há dúvida que a luta contra o analfabetismo, em todo o mundo, encontrou seu instrumento mais efetivo no Método Laubach. Ainda que esse método hoje tenha sido encampado sob o nome do Sr. Paulo Freire. Os que assim procederam não apenas mudaram o seu nome, mas também o desvirtuaram, modificando inclusive sua orientação filosófica. Concluindo: o método de alfabetização de adultos, criado por Frank Laubach, em 1915, passou a ser chamado de "Método Paulo Freire", em terras tupiniquins. De tal maneira foi bem-sucedido esse embuste, que hoje será quase que impossível desfazê-lo.




(*)O autor é historiador. Artigo copiado de http://paraibarama.blogspot.com/2008/12/mtodo-paulo-freire-ou-mtodo-laubach.html, em 01.02.2011, e publicado originalmente em Mídia Sem Máscara, em 9 março de 2004.



BIBLIOGRAFIA -------------------------------------------------------------------------
AYRES, Antônio Tadeu.Como tornar o ensino eficaz. Casa Publicadora das Assembléias de Deus, Rio de Janeiro, 1994.

BRINER, Bob.Os métodos de administração de Jesus. Ed. Mundo Cristão, S.P., 1997.

CAMPOLO, Anthony.Você pode fazer a diferença. Ed. Mundo Cristão, SP, 1985.

GONZALES, Justo e COOK, Eulália.Hombres y Ángeles. Ed. Alfalit, Miami, 1999.

GONZALES, Justo.História de un milagro. Ed. Caribe, Miami (s.d.).

GONZALES, Luiza Garcia de.Manual para preparação de alfabetizadores voluntários. 3ª ed., Alfalit Brasil, Rio de Janeiro, 1994.

GREGORY, John Milton.As sete leis do ensino. 7ª ed., Rio de Janeiro, JUERP, 1994.

HENDRICKS, Howard.Ensinando para transformar vidas. Ed. Betânia, Belo Horizonte, 1999.

LAUBACH, Frank C..Os milhões silenciosos falam. s. l., s.e., s.d.

MALDONADO, Maria Cereza.História da vida inteira. Ed. Vozes, 4ª ed., S.P., 1998.

SMITH, Josie de.Luiza. Ed. la Estrella, Alajuela, Costa Rica, s.d.

SPACH, Jules,Todos os Caminhos Conduzem ao Lar, Recife, PE, 2000.

"Como um cientista e um cristão, eu diria que as afirmações de Hawking são equivocadas".


Por John Lennox


Não há como negar que Stephen Hawking é intelectualmente ousado, bem como fisicamente heroico. E em seu último livro, o renomado físico monta um desafio audacioso para a crença religiosa tradicional na criação divina do universo.
De acordo com Hawking, as leis da física e não a vontade de Deus são responsáveis pela verdadeira explicação de como a vida surgiu na Terra. O Big Bang argumenta que foi a inevitável consequência destas leis, "porque há uma lei como a gravidade, portanto o Universo pode e vai criar a si mesmo do nada."
Infelizmente, enquanto o argumento de Hawking está sendo saudado como controverso e inovador, ele não é novo.
Por anos, outros cientistas têm feito afirmações semelhantes, sustentando que a incrível criatividade sofisticada do mundo que nos rodeia pode ser interpretada unicamente com base em leis físicas, tais como a gravidade.
É uma abordagem simplista, mas em nossa era secular parece ser bem vista com um público cético.
Mas, tanto como um cientista e um cristão, eu diria que as afirmações de Hawking são equivocadas. Ele nos pede para escolher entre Deus e as leis da física, como se eles estivessem necessariamente em conflito mútuo.
Mas, ao contrário do que afirma Hawking, as leis da física nunca poderiam fornecer uma explicação completa do universo. Leis em si não criam nada, elas são apenas uma descrição do que acontece sob certas condições.
O que Hawking parece ter feito é confundir lei com a agência da lei. Seu chamado para escolher entre Deus e física é um pouco como alguém exigindo que escolher entre o engenheiro aeronáutico Sir Frank Whittle e as leis da física para explicar o motor a jato.
Essa é uma confusão de categoria. As leis da física podem explicar como funciona o motor a jato, mas alguém tinha de construir, colocar combustível e iniciá-lo. O jato não poderia ter sido criado sem as leis da física por conta própria, mas a tarefa de desenvolvimento e criação, foi necessário a genialidade de Whittle como seu agente.
Da mesma forma, as leis da física nunca poderiam ter realmente construído o universo. Alguns agência deve ter sido envolvido.
A usar uma analogia simples, as leis do movimento em si de Isaac Newton jamais enviaram uma bola de sinuca em todo o pano verde. Isso só pode ser feito por pessoas que usam um taco de de bilhar e as ações de seus próprios braços.
O argumento de Hawking me parece ainda mais ilógico quando ele diz que a existência da gravidade significa que a criação do universo era inevitável. Mas como é que a gravidade existe, em primeiro lugar? Quem colocou lá? E qual foi a força criativa por trás de seu nascimento?
Grande parte do raciocínio por trás do argumento de Hawking está na ideia de que existe um conflito profundo entre a ciência e a religião.
Para mim, como um cristão, a beleza das leis científicas somente reforçam a minha fé em uma força inteligente criativa. Quanto mais eu entender a ciência, mais acredito em Deus por causa da minha admiração com a amplitude, sofisticação e integridade de sua criação.
A razão científica floresceu tão vigorosamente nos séculos 16 e 17, precisamente devido à crença de que as leis da natureza estavam sendo descobertas.
Um dos temas fundamentais do Cristianismo é que o universo foi construído de acordo com um projeto racional e inteligente. Longe de estar em desacordo com a ciência, a fé cristã realmente faz sentido científico .
Alguns anos atrás, o cientista Joseph Needham fez um estudo épico do desenvolvimento tecnológico na China. Ele queria saber por que a China tinha caído tão longe atrás da Europa no avanço da ciência.
Ele relutantemente chegou à conclusão de que a ciência europeia tinha sido estimulada pela crença generalizada em uma força criativa racional, conhecido como Deus, que fez todas as leis científicas compreensíveis.
Apesar disso, Hawking, como tantos outros críticos da religião, tentam nos fazer crer que nada mais são que uma coleção aleatória de moléculas, o produto final de um processo irracional.
Isso, se for verdade, seria minar a própria racionalidade que precisamos para estudar a ciência. Se o cérebro fosse realmente o resultado de um processo não dirigido, então não há nenhuma razão para acreditar em sua capacidade de nos dizer a verdade.
Vivemos na era da informação. Quando vemos algumas letras do alfabeto soletrando o nosso nome na areia, a nossa resposta imediata é a de reconhecer o trabalho de um agente inteligente. Quanto mais provável, então, é um criador inteligente por trás do DNA humano, o colossal banco de dados biológico que contém nada menos do que 3,5 bilhões 'letras'?
É fascinante que Hawking ataca a religião e sente-se compelido a colocar tanta ênfase na teoria do Big Bang. Porque, mesmo que os não-crentes não gostem, o Big Bang se encaixa exatamente com a narrativa cristã da criação.
Além disso, as experiências religiosas de milhões de crentes não podem ligeiramente ser demitido. Eu e minha família podemos testemunhar a fé edificante em nossas vidas, algo que desafia a ideia de que somos nada mais do que uma coleção aleatória de moléculas.
Tão forte é a realidade óbvia de que somos seres morais, capazes de compreender a diferença entre o certo e o errado. Não há rota científica para à ética.
A física não pode inspirar a nossa preocupação com os outros, ou o espírito de altruísmo que existe nas sociedades humanas desde a aurora dos tempos.
A existência de um conjunto comum de valores morais aponta para a existência de uma força transcendente além das leis científicas.
Hawking também pensa que a existência potencial de outras formas de vida no universo mina a tradicional convicção religiosa de que estamos vivendo em um único, o planeta criado por Deus. Mas não há nenhuma prova de que outras formas de vida estão lá fora, e Hawking certamente não apresenta nenhuma.
Me diverte que os ateus afirmem muitas vezes a existência de inteligência extra-terrestre fora da Terra. No entanto, eles estão muito ansiosos para denunciar a possibilidade de que já temos um vasto e ser inteligente lá fora: Deus.
Nova tentativa de Hawking não pode abalar os fundamentos de uma fé que se baseia em evidências.

Fonte:
Dailymail
God's Undertaker: Has science Buried God? by John Lennox is out now (Lion Hudson, £8.99). 



Att,
Guilherme de Sousa Francisco
Acadêmico do curso de Licenciatura em Física
Universidade Federal de Goiás (UFG)



fonte: Cresça na Graça e Conhecimento: "Como um cientista e um cristão, eu diria que as afirmações de Hawking são equivocadas".

O especialista em nada


BRASIL — Em mais um gesto de ruptura com a inteligência humana, o jornalismo brasileiro provou – com exaustiva documentação e abundância de provas – que diploma nenhum é capaz de substituir o coeficiente mínimo de honestidade e bom senso que se espera de quem tem por dever informar.
Estou a cada dia mais convencido de que a burrice é uma força física. Há pessoas cuja burrice é tão densa que você quase a pode tocar. E o pior: burrice assim gera campo gravitacional. Isso explica o fato de que jornalistas ligeiramente alfabetizados contem com leitores tão pouco preocupados com o que leem. Nenhuma novela da TV Globo faz o mal que certos ‘diários’ brasileiros fazem. Tirem as crianças da frente da banca de jornais.
Uma consulta rápida a qualquer catecismo que estivesse à mão e o dublê de jornalista aprenderia que a Igreja nunca disse, nem oficial nem extraoficialmente, que papas não podem pecar.
O dogma em questão é o da infalibilidade: quando o papa se pronuncia solenemente, ex cathedra, sobre tema estrito de doutrina e moral, o Espírito Santo há de ser o fiador, por assim dizer, dessa decisão. Neste sentido muito preciso, o papa é infalível.
Tais pronunciamentos não são feitos o tempo todo e, de maneira geral, tendem a apenas confirmar ou elucidar aspectos doutrinais já estabelecidos pela Igreja. Em muitas outras questões – científicas, econômicas, culturais – as declarações dos papas são passíveis de erro e não precisam ser acatadas necessariamente (muito embora a prudência recomende ao católico ouvi-las de boa vontade).
O texto oficial:
891«Desta infalibilidade goza o pontífice romano, chefe do colégio episcopal, por força do seu ofício,quando, na qualidade de pastor e doutor supremo de todos os fiéis, e encarregado de confirmar na fé os seus irmãos, proclama, por um acto definitivo, um ponto de doutrina respeitante à fé ou aos costumes [...]. A infalibilidade prometida à Igreja reside também no corpo dos bispos, quando exerce o seu Magistério supremo em união com o sucessor de Pedro», sobretudo num concílio ecuménico (425) Quando, pelo seu Magistério supremo, a Igreja propõe alguma coisa «para crer como sendo revelada por Deus» (426) como doutrina de Cristo, «deve-se aderir na obediência da fé a tais definições»(427). Esta infalibilidade abarca tudo quanto abarca o depósito da Revelação  divina»
Infalibilidade, portanto, nada tem a ver com impecabilidade. Papas podem pecar. Papas costumam pecar. A história registra – e a Igreja não o nega – que o mistério da santidade nem sempre acompanha a pessoa do pontífice romano.
Não bastasse a incorreção no mérito da notícia – ele está confundindo o leitor comum que não tem por hábito checar esse tipo de informação –, a sumidade deriva, do erro crasso, ilações ainda mais grosseiras. Como o papa admitira que também peca, o desinformante pretende ver aí mais uma ruptura do bispo de Roma com a tradição da Igreja Católica. Mais uma ruptura. Gostaria de saber quais teriam sido as outras. A relativa informalidade? Alguma ênfase em aspectos sociais, nos primeiros pronunciamentos? Pois bem: ficamos agora sabendo que se o hábito não faz o monge, há de fazer o herege. Ah, jornalista: esse especialista em nada.
Não pretendo defender a fé que professo – e o faria, de bom grado, se fosse o caso. Pouco importa se o repórter não é católico, se os leitores não são católicos, se o dono d’O Globo não é católico. No entanto, importa que a imprensa informe corretamente e preserve alguma honestidade intelectual. Mas antes fosse só burrice.
Dias atrás, Emmanuel Santiago, ateu e, por isso mesmo, insuspeito, nos chamou a atenção, ele mesmo um tanto perplexo, para determinada notícia da Folha de SP, veiculada pelo portal UOL. Mais exatamente: para o ‘desenho’ da página e a maneira com que tal informação se relacionava com as imagens correspondentes.
“Rafael Falcón, dessa vez até eu tenho de dar o braço a torcer”.

Há de ser muito ingênuo quem acredite na mera casualidade, na randômica justaposição de assuntos e imagens. “Apresentador da BBC diz ter abusado de 13 menores”. Ao lado do texto, o dito apresentador. Integrada ao texto, em meio ao corpo do texto, a foto de Bento XVI e Francisco. Isso, definitivamente, não é coincidência.
Sabemos todos que jornais são diagramados – das cores ao tamanho das fontes, da distribuição dos textos nas páginas às imagens – de modo que o leitor seja conduzido a determinada notícia que se quer destacar ou, ao contrário, que tenha sua atenção desviada de algo que importaria noticiar, mas que por razões políticas, ideológicas ou comerciais não interessa à editora – ainda que, para a manutenção das aparências, tenha de ser veiculado de algum modo.
O portal globo.com destaca: “Chuva dá trégua, e multidão já curte a Parada Gay na Av. Paulista; acompanhe”

E o que acompanhamos é a foto de dois homossexuais paramentados com o respeito costumeiro pela fé alheia e em conformidade com o art.208 do CP, no que se refere ao crime de ultraje a culto e obscurantismos tais: “(...) vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso: Pena – detenção, de 1(um) mês a 1(um) ano, ou multa”. Havia centenas, milhares de ‘pessoas LGBT’ na manifestação. Os escolhidos foram o ‘papa’ e o ‘frei’.
Legalismo? De forma alguma. Apenas a ironia evidente de que, se os homossexuais querem fazer valer seus direitos (de expressão, por exemplo), se querem reconhecimento jurídico, estatal, institucional, nada mais razoável que respeitem os direitos já existentes. Não existem direitos absolutos.
Qualquer ordenamento jurídico é sempre uma estrutura fragilíssima, iminentemente contraditória, que depende de arranjos e articulações sutis e prudenciais para que não venha abaixo de todo. Atentar violentamente contra a ordem jurídica ao mesmo tempo em que se quer ser reconhecido e aceito por essa mesma ordem é tão inteligente quanto escapar do afogamento puxando os próprios cabelos.
São três exemplos recentes, mas há muitos outros. Fala-se, entre os conservadores, de uma guerra cultural em curso. Liberais, em geral, não admitem essa ideia. Tendem a acreditar que guerras são feitas por estados contra estados, ou entre grupos uniformemente organizados, com uma ideologia clara, suficientemente homogênea e por motivos muito mais econômicos e políticos que quaisquer outros.
É um modo de se ver as coisas. Mas talvez seja um modo muito particular e perigosamente otimista de não se ver as coisas. A verdade é que não se fazem mais guerras como antigamente. E me pego com saudades de quando o mundo era dividido entre barbudos e não barbudos – e isso era bom.


Publicado no site Ad Hominem.

Pesquisadores alertam sobre perigos de terapias com células-tronco

Redação do Diário da Saúde



Um grupo internacional de cientistas reconhecidos na área de pesquisas com células-tronco divulgou uma declaração revelando preocupações com o uso de terapias com células-tronco não comprovadas por pesquisas científicas rigorosas.

Os autores argumentam que testes clínicos rigorosos e uma adequada regulamentação das terapias com células-tronco são essenciais para que se possa disponibilizar tratamentos médicos seguros e eficazes para os pacientes.

"As células-tronco podem oferecer oportunidades sem precedentes para o desenvolvimento de terapias para muitas doenças para as quais não existem tratamentos. Isso vai levar tempo.
"Entretanto, somente a ciência rigorosa e a regulamentação responsável podem assegurar a tradução segura e eficaz da ciência em terapias eficazes", comentou Paolo Bianco, professor da Universidade de Roma e um dos 13 autores do artigo, que inclui pesquisadores da Itália, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Estados Unidos.

"Tratamentos irracionais e não testados com células-tronco, baseados em métodos que não foram validados ou não documentados cientificamente, não devem chegar aos pacientes. Evitar que isso aconteça é uma responsabilidade específica das autoridades de saúde e dos governos em todo o mundo, para garantir que a esperança e a confiança dos pacientes não sejam exploradas," comentou Elena Cattaneo, coautora do alerta.

"Os pacientes podem ser prejudicados e mortos por medicamentos que não sejam sido provados como seguros e eficazes através de ensaios clínicos rigorosamente controlados. O uso de medicamentos que não tenham sido fabricados com os mais altos padrões possíveis é irresponsável," completou Cattaneo.

Os autores do comentário enfatizam que as terapias celulares - como são chamados os tratamentos à base de células-tronco - devem ser aprovados pelas agências reguladoras nacionais e internacionais e permanecerem sob a vigilância rigorosa das autoridades de saúde.

Regulamentações já em vigor na União Europeia insistem que as terapias com células-tronco sigam as mesmas regras de eficácia e segurança que os medicamentos.

Mas isso pode ser modificado pelos governos locais. Por exemplo, o presente alerta surgiu no momento em que o Parlamento Italiano discute a liberação de um tratamento celular polêmico comercializado por uma empresa privada.

"Em última instância, os pacientes não serão ajudados por terapias que não são baseadas em dados científicos sólidos e que não foram testados em ensaios clínicos sistemáticos. Esforços para afrouxar a regulamentação nesta área podem criar oportunidades para alguns indivíduos espoliarem as esperanças de pacientes em desespero," disse Sean Morrison, professor da Universidades Southwestern (EUA).


fonte:Pesquisadores alertam sobre perigos de terapias com células-tronco

Pianista é hostilizado por estudantes em Campinas

Em entrevista ao Correio, músico relata o ocorrido como uma experiência muito dolorosa
Foto: Divulgação
André Mehmari fez um desabafo na internet sobre a experiência, que considerou
André Mehmari fez um desabafo na internet sobre a experiência, que considerou dolorosa




O pianista André Mehmari foi hostilizado por estudantes da rede pública de Campinas durante uma das apresentações que realizou na cidade, como parte do projeto 'Ouvir para Crescer', cujo objetivo é, justamente, facilitar o acesso desse público carente à música e ao teatro. Ele, que é um dos músicos mais aclamados da nova geração, foi vaiado e surpreendido com frases do tipo “sai daí filho da p...”, “vai tomar no c...” e “vai se f...” — conforme relatou no seu perfil no Facebook  —, depois de explicar sobre Ernesto Nazareth e listar as obras que tocaria a seguir. Esse triste retrato da educação foi revelado no dia 14 de maio, em meio a uma plateia de cerca de 600 alunos da rede estadual de ensino no Teatro Municipal José de Castro Mendes. Mehmari continuou a apresentação conforme o programa pedia.
Em entrevista por telefone ao Correio, o pianista relata o ocorrido como uma experiência muito dolorosa. “Fiquei profundamente chateado com os xingamentos vazios e irracionais, pois eu nem tinha começado a tocar. Ali do palco, não vi ninguém intervindo quanto a isso. Talvez fosse preciso um preparo melhor desses jovens e turmas menores também. Me parecia que haviam poucos professores e monitores para tantos alunos. Quero deixar claro que não é uma crítica ao projeto, muito pelo contrário, acho pertinente e de suma importância. O primeiro dia (9 de maio) foi muito bom e fiquei muito contente de ter sido chamado para participar novamente, porém, o resultado foi uma experiência muito dolorosa.”

A Prefeitura de Campinas, apoiadora do projeto, tomou ciência do ocorrido por meio da reportagem na manhã de ontem, porém, a secretária de Educação, Solange Villon Kohn Pelicer, preferiu não se manisfestar, justificando que os alunos envolvidos são da rede estadual e, portanto, não são de responsabilidade do município. Por meio da assessoria de imprensa, comunicou que isso serve de alerta, porém a Educação faz toda a orientação necessária.

O secretário de Cultura de Campinas, Ney Carrasco, pasta responsável pelo teatro, prometeu se inteirar melhor do fato. “Em princípio, posso dizer que André Mehmari é um grande pianista que merece o reconhecimento de todos. E o projeto também é muito bonito. Se houve alguma atitude deselegante foi por parte dos alunos e isso precisa ser trabalhado. É preciso ressaltar que as escolas e seus profissionais envolvidos precisam estar devidamente preparados para orientar seus alunos, uma vez que ir ao teatro e ouvir um recital de piano não é algo comum para eles. Triste saber que isso aconteceu”, diz.

E essa não foi a única reação desagradável por parte dos jovens. Segundo o assessor de projetos educacionais e culturais da Prefeitura, Alexandre Sônego, outros dias de apresentação — foram oito apresentações entre abril e maio — tiveram reações nada elegantes por parte dos alunos. “No primeiro dia (tema lírico), eles riam alto. Me incomodou muito e acredito que justamente por isso temos de levar mais atividades culturais a esses jovens, afim de que não causem o estranhamento que provoca reações como essa. Foi um diagnóstico dos nossos alunos, pois, independentemente de serem da rede estadual, são de Campinas”, disse, frisando que o retorno após as apresentações sempre foi positivo.

Produtora

A produtora RVA Cultural, responsável pelas apresentações, foi procurada para falar sobre o assunto e informou que os quatro profissionais da empresa que estavam no Castro Mendes na data não perceberam o ocorrido por estarem na coxia, e que só tomaram conhecimento do fato após o relato de André Mehmari ao término da apresentação. Questionada sobre quais eram as escolas presentes no dia, a produtora disse que não seria possível fornecer os dados ontem, apenas na semana que vem.

O projeto Ouvir para Crescer é de iniciativa da Cultura Artística em parceria com a RVA Cultural, com apoio da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), como parte do programa Cultura é Currículo, e da Prefeitura Municipal de Campinas, por meio da Secretaria Municipal de Cultura.

Desabafo apela ao bom-sendo dos pais
Em seu perfil no Facebook*, André Mehmari fez um desabafo delicado sobre o ocorrido, sem citar a cidade e apelando ao bom-senso dos pais, que delegam à escola a educação dos filhos. Leia abaixo:

“Há uns dias participei como convidado especial de um projeto musical educacional, para jovens de escolas públicas, de 10-12 anos, aqui perto de SP. Levaram uma ótima banda, fizeram um roteiro bem bolado e caprichado com atores de primeira... e na segunda parte, a pedido da produção, entrei no palco, feliz da vida para falar de Nazareth e anunciar as canções que se seguiriam. Ao som de berros e injustificáveis vaias irracionais, ouvi toda sorte de grosseria: sai daí filho da p___! Vai tomar no Vai se ___! Fiquei um tanto cabisbaixo, mas segui quase firme e com muito orgulho falei um pouco dessa Música. Acompanhado por um super músico amigo, o percussionista e compositor Caito Marcondes, toquei desconcentrado e ainda estupefato uma suíte de maxixes Nazarethianos abraçando uma ária de ópera... É, eu queria falar pra eles dessa coisa bonita da Música, de não ter fronteiras, a não ser na cabeça de medíocres e preconceituosos. Mas a fronteira ali estava tão antes de qualquer pensamento, de qualquer diálogo ...tudo tão aquém de qualquer desenvolvimento, que abaixei a cabeça e levei mecanicamente a apresentação até o final, acreditando que se tocasse para um único par de ouvidos férteis naquela platéia de 600 jovens pessoas, já teria valido meu esforço, minha confiança na vida. Sei bem que educação é sempre desafio, e que o Brasil encontra-se muito longe de ter estrutura e pessoal adequado. Meu apelo aqui fica para os pais, que acreditam que a educação de um filho de dá na escola. Ela de dá principalmente em casa, neste nível fundamental da formação do caráter de um ser humano. Não coloquem filhos no mundo se não estão aptos e dispostos a dar uma formação cuidadosa e apaixonada a esses novos seres. E estou farto desse discurso politicamente soft-new-age-correto e praticamente inefetivo, de aceitar tudo e botar panos quentes em tudo que um jovem faz e diz: acredito que ele tem consciência de seus atos e cabe aos mais experientes apontar problemas, olhar essa turma como nossos semelhantes que em poucos anos estarão ocupando importantes cargos e funções. Educação é invariavelmente feita com amor e dedicação e essas são responsabilidades primordiais dos pais, depois da escola e da experiência. De qualquer maneira agradeço a oportunidade de tocar para esses jovens, mesmo tendo sofrido agressões que me ofenderam. Sei que aqueles que ouviram saberão me agradecer no futuro. E estarei plenamente recompensado e tranquilo!”

(*)Declaração postada no dia 25 de maio


SAIBA MAIS

André Mehmari é autor de composições e arranjos para algumas das formações orquestrais e de câmera mais expressivas do País, como Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), Quinteto Villa-Lobos, Orquestra Sinfônica de Brasília (OSB), Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo, entre outros. Como instrumentista, já atuou em importantes festivais brasileiros como Chivas, Heineken, Tim Festival, e no Exterior, como Spoleto USA e Blue Note Tokyo. A discografia reúne oito CDs solo. Recebeu duas vezes o Prêmio Nascente (USP-Editora Abril), na categoria Música Popular-Composição, com os temas De Sol a Sole Capim Seco (1995), e na categoria Música Erudita-Composição, com Cinco Peças para Quatro Clarinetes e Piano (1997). No ano seguinte, conquistou o primeiro lugar no Prêmio Visa de MPB Instrumental. Com a composição Omaggio a Berio, baseada na música do compositor italiano Claudio Monteverdi (1567-1643), venceu o concurso nacional de composição Camargo Guarnieri (2003), promovido pela Orquestra Sinfônica da USP. Em duo com Ná Ozzetti, lançou Piano e Voz, considerado pela crítica uma obra-prima e vencedor do prêmio Carlos Gomes de música erudita brasileira na categoria revelação do ano. Em 2007, lançou Contínua Amizade (vencedor do Prêmio Rival/Petrobras na categoria instrumental) e Gismontipascoal (Prêmio da Música Brasileira). Com o álbum Nonada (2008), foi indicado ao Grammy Latino.


http://correio.rac.com.br/_conteudo/2013/05/entretenimento/64821-pianista-e-hostilizado-por-estudantes-em-campinas.html
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