Pular para o conteúdo principal

Normas para os professores católicos

[18 de julho de 1957]

 
Pio XII

1. Antes de tudo, numa sociedade em plena evolução, como a presente, conservai a mais alta ideia da vossa missão providencial;
a) porque ela é e será sempre de necessidade imprescindível, (já que a formação e a educação primária das crianças é algo anterior a todas as demais futuras diversificações sociais;
b) porque ela constitui a base natural de tudo o que se deva elaborar depois, proporcionando-lhe, inclusive, um tom e um sentido cuja influência nunca se poderá desconhecer, antes dever-se-á levar em conta como algo definitivo;
c) porque, embora o campo da cultura se vá sempre ampliando coisa certa é que, em determinadas formas e em determinados graus, nunca estará ela ao alcance de todos absolutamente, enquanto que os primeiros passos do ensino abrangem, por necessidade, a sociedade inteira, podendo imprimir-lhe cunho cada vez mais definido.
2. Mas, para que a vossa missão alcance a sua plena eficácia, indispensável é que tenhais dela uma ideia clara, recordando sempre:
a) que a vossa missão como mestres não pode reduzir-se exclusivamente a serdes veículos para a aquisição de uma ciência, mais ou menos profunda, mais ou menos vasta, senão que deveis ser, antes de mais nada, educadores dos espíritos, e, na sua devida proporção, forjadores das almas dos vossos escolares;
b) que o vosso labor não pode conceber-se como um empenho meramente individual, e sim como uma função social, em plena coordenação, sobretudo, com as famílias e com as legítimas autoridades, permutando todos entre si elementos de juízo, meios educativos e o necessário prestígio, com um escopo comum, que é o bem social;

c) que a vossa vocação, pode-se dizer, vai além do puramente humano e terreno, fazendo-vos colaboradores do sacerdote e da própria Igreja de Cristo, nessa edificação das almas que tão singularmente podeis promover, da mesma forma que tão dolorosamente poderíeis impedir.
3. Finalmente, para poderdes levar a termo com satisfação tão altos deveres, será necessário de vossa parte:
a) uma assídua consagração ao vosso trabalho, sem fugirdes ao sacrifício, inclusive deixando de lado os proveitos e os progressos pessoais;
b) uma conduta exemplar, porque os vossos pequenos, que não tiram os olhos de cima de vós, aprenderão mais das vossas obras do que das vossas belas palavras; sobretudo da vossa limpeza de vida, do vosso desinteresse, da vossa paciência e da vossa sincera piedade;
c) um contínuo contato com o Senhor, especialmente por meio da oração e da frequência dos Sacramentos, porque, em coisa tão sublime e tão delicada como é a educação primária das crianças, a parte principal fica reservada à graça do alto.

[Fonte: Livro Pio XII e os problemas do mundo moderno, tradução e adaptação do Padre José Martins, 1959.]

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

"Wokismo": uma religião universitária?

    Jean Marcel Carvalho França* É popular, e há séculos repetida com orgulho pelos seus membros, a história de que as universidades emergiram na paisagem urbana europeia, entre os séculos XI e XIV, como um espaço de liberdade e mesmo de rebeldia, um espaço em que se podia estudar, refletir e ensinar com uma certa flexibilidade, distante da rigidez e do dogmatismo do ambiente monástico, onde o conhecimento era majoritariamente produzido. O mundo, no entanto, é mudança, e quase nunca para as bandas que esperamos. A mesma instituição que surgiu sobre a égide da crítica e que, depois do iluminismo, se consolidou como o lugar do livre pensar e do combate ao tal obscurantismo, sobretudo o religioso, pariu recentemente, entre o ocaso do século XX e as décadas iniciais do XXI, uma religião tão ou mais dogmática do que aquelas que dizia combater: a religião woke . Para os interessados em conhecer mais detalhadamente a história e os dogmas desse discurso de fé que cobra contrição mas ...

Missa na UFRJ

Na virada do século XX, jornais franceses citaram o Brasil

Além dos periódicos editados na França, circulavam pelo país publicações em francês produzidas aqui, indica pesquisa. Machado de Assis, Lima Barreto e Oswald de Andrade estão entre os leitores mais famosos   Por José Tadeu Arantes Agência FAPESP – Periódicos franceses tiveram circulação expressiva no Brasil, na passagem do século XIX ao XX. E contribuíram não apenas para o entretenimento e o aprimoramento cultural da elite letrada, mas também para a melhoria da imprensa brasileira, com a adoção de padrões editoriais mais exigentes. Le Figaro , Le Matin e Le Petit Journal foram alguns dos jornais, produzidos na França, que circularam no Brasil. Além deles, havia publicações, escritas em francês ou bilíngues, impressas por aqui. Machado de Assis, Lima Barreto, Coelho Neto e Oswald de Andrade estiveram entre os leitores mais famosos desses periódicos. Essas e outras informações fazem parte do material já levantado pela pesquisa “As transferênc...