Wilhelm Höttl e o Ilusório “Seis Milhões”

Mark Weber*


A cifra dos Seis Milhões se tornou tão enraizada na consciência popular que, enquanto o americano médio pode estar muito certo que seis milhões de judeus foram dizimados na Segunda Guerra Mundial – isto é, no que agora é chamado de “o Holocausto” – ele não tem idéia de quantos britânicos, poloneses, russos, ou mesmo americanos morreram durante aquele conflito global, ou, por esta causa, quantos de seus compatriotas perderam suas vidas na Guerra Civil Americana.


Não é surpreendente, considerando quão implacavelmente a figura dos Seis Milhões é martelada na consciência pública, não apenas em jornais, revistas, filmes e televisão, mas também rotineiramente em nossas escolas e até mesmo por uma agência do governo federal americano financiada por impostos do contribuinte, o U.S. Holocaust Memorial Council [N.T.: Conselho do Memorial do Holocausto], que controla o imponente U.S. Holocaust Memorial Museum [N.T.: Museu Memorial do Holocausto] em Washington, DC.

A conhecida World Book Encyclopedia informa aos leitores, por exemplo: “Ao fim de 1945, os nazistas haviam dizimado mais de 6 milhões de homens, mulheres e crianças judias – mais de dois terços dos judeus na Europa”.[1] O presidente alemão Richard von Weizsäcker, em seu muito citado discurso de 8 de maio de 1985, falou dos “seis milhões de judeus que foram mortos nos campos de concentração alemães”. O historiador anglo-judeu Martin Gilbert, um prolífico escritor que é também o biógrafo “oficial” de Winston Churchill, se referiu ao “assassinato sistemático de seis milhões de judeus”.[2] A Encyclopaedia Judaica declara terminantemente: “Não pode haver dúvidas quanto a cifra estimada de seis milhões de vítimas”.[3] Um panfleto informativo emitido pelo U.S. Holocaust Memorial Council descreve o grande Museu do Holocausto em Washington, DC, como um “memorial vivo aos seis milhões de judeus e milhões de outras vítimas do fanatismo nazista que pereceram no Holocausto”.

Mas qual é a base para este conhecido número?

Mesmo antes do fim da Segunda Guerra Mundial na Europa, isto é, antes que qualquer investigação cuidadosa ou detalhada fosse possível, o número de Seis Milhões já estava em ampla circulação. Por exemplo, em ensaios publicados no final de 1944 e início de 1945, o proeminente escritor judeu soviético Ilya Ehrenburg repetidamente disse aos seus muito leitores que “os alemães” tinham matado seis milhões de judeus. Em um artigo publicado em março de 1945, por exemplo, no semanário londrinense, escrito em inglês, Soviet War News, ele escreveu: “O mundo agora conhece que a Alemanha matou seis milhões de judeus”.[4]


Algumas semanas depois, como David Irving relacionou, o número foi afirmado em Nova Iorque por representantes das principais organizações judaicas:[5]

“Em junho de 1945, apenas algumas semanas após o fim da guerra na Europa, três advogados judeus que representavam grandes organizações judaicas, se encontram em Nova Iorque com Robert Jackson, que em breve estaria servindo como promotor-chefe dos EUA no então chamado ‘Tribunal Militar Internacional’ em Nuremberg. Jackson perguntou quantos judeus haviam perdido suas vidas em todas as terras ocupadas pelos nazistas. O número, lhe disseram, era de seis milhões”.

Por notável coincidência, cerca de vinte e cinco anos antes, a comunidade judaica americana tinha alarmado sobre um “holocausto” de seis milhões de judeus na Europa. Em um discurso publicado em 1919 em um grande jornal judaico americano, o American Hebrew of New York City, sob a manchete “A Crucificação de Judeus Deve Parar!” [N.T.: The Crucifixion of Jews Must Stop, no original], o ex-governador do estado de Nova York, Martin Glynn, falou repetidamente de “seis milhões” de judeus europeus que estavam “morrendo” e “sendo enviados para a sepultura” em um “ameaçador holocausto da vida humana”.[6]

Perante tudo isso, não é de surpreender que alguém foi encontrado para fornecer “prova” para o número de Seis Milhões no empreendimento judicial mais extravagante da história, o julgamento em Nuremberg de 1945-46 de Hermann Göring, Rudolf Hess, e outras personalidades do alto-escalão do Terceiro Reich. O lendário número foi fixado na história no Tribunal Militar Internacional em Nuremberg, onde ele foi citado pelo chefe da promotoria britânica Sir Hartley Shawcross em seu discurso de conclusão, e pelos juízes Aliados em seu julgamento final.[7]

Esta cifra não foi o resultado de nenhuma investigação cuidadosa, pesquisa ou cálculo. A única evidência específica apresentada para ele no Tribunal de Nuremberg foi o testemunho de um boato do ex-oficial da SS Wilhelm Höttl (algumas vezes escrito Hoettl), que disse que ele se lembrava disso de uma observação feita por Adolf Eichmann, o chefe da seção de assuntos judaicos do Escritório Central de Segurança do Reich (RSHA) de Himmler durante o tempo de guerra. Höttl, que também serviu no RSHA durante a guerra, declarou em um depoimento datado de 26 de novembro de 1945, e forneceu à acusação Americana em Nuremberg que Eichmann confidenciou a ele em agosto de 1944 que cerca de quarto milhões de judeus haviam sido mortos nos “vários campos de extermínio”, e outros dois milhões haviam sido mortos de outras formas, principalmente em fuzilamentos pelas forças Einsatzgruppen no curso da campanha militar na Rússia.[8]

O próprio Eichmann, deve-se notar, mais tarde chamou o relato de Höttl de “nonsense”, vigorosamente negou ter feito a alegada observação, e especulou que Höttl pode ter pego o número de um relatório de jornal ou rádio.[9]

Se não fosse pelo papel de Wilhelm Höttl em estigmatizar na consciência do mundo a marca registrada do número de Seis Milhões, seu lugar na história [N.T.: o de Höttl] seria pouco mais do que apenas uma nota de rodapé.

Quem foi este homem e quão confiável é seu histórico depoimento?

Ele nasceu em Viena em março de 1915. Em 1938, na notavelmente jovem idade de vinte e três anos, ele recebeu um doutorado em história da Universidade de Viena. Enquanto ainda um estudante lá, ele ingressou no partido Nacional Socialista e na SS. De 1939 até o fim da guerra na Europa, Höttl esteve empregado quase que sem interrupção na agência de inteligência central da Alemanha, o RSHA. Ele ficou primeiro em Viena com o “departamento estrangeiro” (Amt Ausland, mais tarde Amt VI), e então, do início de 1943, em Berlim na ramificação E do Amt VI, “Sudeste da Europa”, com o posto de major da SS (Sturmbannführer).

Em março de 1944, Höttl foi designado para Budapeste, onde ele serviu como segundo em comando para o representante da SS de Himmler na Hungria, e como conselheiro político do embaixador de Hitler lá, Edmund Veesenmayer, que reportou a Berlim, por exemplo, sobre as deportações em larga escala de judeus da Hungria em 1944. Em 8 de maio de 1945, como as forças alemãs estavam se rendendo incondicionalmente para o Aliados, tropas americanas prenderam Höttl na Áustria, e por vários anos depois que ele trabalhou como um agente da inteligência para os Estados Unidos. Ele morreu em 1999, não muito depois da publicação de suas auto-servientes memórias.

Em abril de 2001, a Agência Central de Inteligência dos EUA tornou público milhares de páginas de documentos há muito suprimidos de seus arquivos das principais figuras alemãs do tempo de guerra, incluindo o amplo arquivo Höttl. Junto com a liberação desses documentos, dois empregados do governo dos EUA escreveram e publicaram um detalhado relatório sobre Höttl, baseado naqueles arquivos da CIA recentemente abertos, o qual lança luz reveladora sobre sua carreira durante e após a guerra. Este relatório, intitulado “Análise do Arquivo de Nome de Wilhelm Hoettl” (N.T.: Analysis of the Name File of Wilhelm Hoettl, no original), foi escrito por dois “pesquisadores históricos” do “Grupo de Trabalho Interagencial” (IWG) do governo dos EUA, Miriam Kleiman e Robert Skwirot.[10]

Estes documentos estabelecem que Höttl era um informante completamente duvidoso que rotineiramente fabricava informação para agradar aqueles que estavam dispostos a lhe pagar. Em seu relatório, os dois pesquisadores do governo dos EUA escrevem:

“O arquivo de nome Hoettl tem aproximadamente 600 páginas, um dos maiores daqueles liberados até agora para o público. O tamanho do arquivo se deve à carreira de Hoettl no pós-guerra como um mascate de inteligência, bom e mau, a qualquer um que lhe pagasse. Relatórios ligam Hoettl a doze diferentes serviços de inteligência, incluindo o americano, iugoslavo, israelense, romeno, vaticano, suíço, francês, alemão ocidental, russo, húngaro e britânico”.

Logo após sua prisão pelos americanos em maio de 1945, Höttl começou a trabalhar para o Escritório de Serviços Estratégicos (N.T.: OSS, Office of Strategic Services no original), o predecessor da Agência Central de Inteligência (CIA), e então para o Corpo de Contra-Inteligência do Exército dos EUA (N.T.: CIC, Counter Intelligence Corps). Como os dois pesquisadores do governo dos EUA colocaram: “Após sua prisão, Hoettl jogou pelos interesses de seus captores…” Foi durante este período, enquanto ele estava trabalhando secretamente para a inteligência americana, que Höttl forneceu seu histórico e condenatório depoimento dos “Seis Milhões” por submissão à promotoria americana no tribunal, conduzido pelos Aliados, de Nuremberg.

Höttl se beneficiou de sua prontidão em contar àqueles que lhe pagassem o que eles queriam ouvir, mas isto, eventualmente, provou ser sua ruína. Contudo, demorou vários anos para a inteligência americana concluir firmemente que era isso que estava acontecendo.

Em junho de 1949 um oficial da inteligência americana advertiu contra o uso de Höttl por qualquer motivo, chamando-o “um homem de tal caráter baixo e pobre registro político que seu uso para atividades de inteligência, independentemente de quão lucrativo elas possam ser, é uma política míope dos EUA”. Em agosto de 1950, mensagens da CIA se referiam a Höttl como um “notório fabricador [de] inteligência”. Um relatório do CIC do exército dos EUA no início de 1952 considerava suas informações inúteis, observando que Höttl “está envolvido em extensas atividades de inteligência para quase qualquer um que esteja disposto a comprar suas descobertas”. Em abril de 1952, seus relatórios foram chamados de “sem valor e possivelmente inflados ou fabricados”.
Interessantemente, numerosos relatórios de inteligência dos EUA identificam conexões entre Höttl e Simon Wiesenthal, o bem conhecido “caçador de nazistas”. Um documento do CIC do exército americano descreve Wiesenthal como o “Agente Austríaco Chefe do Serviço de Inteligência de Israel”. Um relatório do CIC do exército dos EUA em janeiro de 1950 notou que pelos últimos três ou quatro meses Wiesenthal tinha “recrutado os serviços de Wilhelm Höttl”, e o tinha contratado para juntar informação para relatórios para o “caçador de nazistas”.

Em julho de 1952, quando a inteligência do exército dos EUA finalmente rompeu completamente com Höttl, uma carta em papel timbrado do Exército americano advertia:

“Dr. Höttl tem sido há muito conhecido por este quartel e outras organizações militares aliadas na Áustria como um fabricador de informação de inteligência. Seus relatórios normalmente consistem de uma fina teia de fato, pesadamente preenchida com mentiras, engano, conjectura e outros tipos falsos de informação. Esta organização não terá absolutamente nada a fazer com Dr. Höttl ou qualquer membros de seu presente grupo. Ele é uma persona non grata para os elementos americanos, franceses e ingleses na Áustria”.

Em seu relatório sobre sua carreira no pós-guerra, os pesquisadores históricos do governo dos EUA, Kleiman e Skwirot concluem:

“Os volumosos materiais sobre a personalidade Wilhelm Höttl em arquivo… traçam as atividades de um notório fabricador e vendedor de inteligência, que com sucesso convenceu um serviço de inteligência atrás do outro de seu valor e então começou a perder tal apoio”.

De fato, e como já mencionado, Höttl “convenceu com sucesso” as promotorias americanas e britânicas, e os juízes, do tribunal inter-aliado em Nuremberg, e muitos outros ao redor do mundo desde então, que as autoridades alemães mataram seis milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial. E ainda que os serviços de inteligência dos EUA e os pesquisadores do governo dos EUA tenham, finalmente, como foi, o desacreditado, a reivindicação histórica mais importante de Höttl permanece amplamente, e mesmo oficialmente aceita.

A recente liberação de documentos da inteligência dos EUA sobre Höttl, e o relatório do governo dos EUA sobre sua carreira no pós-guerra, confirmam o que alguns estudiosos revisionistas têm afirmado por anos. Em seu livro The Hoax of the Twentieth Century, publicado pela primeira vez em 1976, Dr. Arthur Butz citou fontes que estavam publicamente disponíveis mesmo na década de 50 para mostrar que, durante a guerra, Höttl tinha entrado em apuros mais de uma vez com autoridades da SS. Seu envolvimento em uma obscura negociação de terras polonesas em 1942, levou a uma investigação de suas atividades pela SS. Um relatório interno da SS caracterizava-o como “desonesto, maquinador, adulador,… um real fraudador”, e concluiu que ele não era nem mesmo apto para adesão na SS, muito menos uma posição sensível em um serviço de inteligência.[11] Höttl foi, consequentemente, rebaixado. Mas sua sorte melhorou após seu amigo e colega austríaco Ernst Kaltenbrunner, ser designado em 1943 para chefiar o RSHA. Parece que Kaltenbrunner o protegeu de uma segunda ação disciplinar, esta por desvio de fundos do serviço de segurança.

Independentemente da questionabilidade do infame depoimento de Höttl, a questão mais importante permanece: Quão válido é o número de seis milhões?

A técnica mais comum usada pelos historiadores do Holocausto para calcular números entre cinco e seis milhões de vítimas judias exterminadas é comparar os números estimados da população judia do pré e pós-guerra para os vários países e áreas europeias, e então assumir que as diferenças entre as cifras foram todos mortos. Este foi o método usado, por exemplo, por Jacob Lestchinsky para produzir a cifra de 5.957.000 mortes no Holocausto Judeu, em seu importante relatório no Congresso Judaico Mundial de 1946.[12] Esta é também a técnica usada posteriormente por Lucy Dawidowicz, outra proeminente judia historiadora do Holocausto, que estimou um total de 5.9 milhões de vítimas judias.[13]

Entretanto, este método falha em tomar em conta um número substancial de judeus que emigrou ou fugiu para países neutros ou aliados durante os anos da guerra. Também ignora o fato de que muitos judeus, particularmente na Europa Oriental, não retornaram para suas pátrias originais ao fim da guerra, mas ao contrário, emigraram para a Palestina, os Estados Unidos e outros países fora da Europa.

Assume-se, ainda, que todas as mortes de judeus (ou “perdas”) foram devido à política alemã ou do Eixo. Assim, todos os judeus em áreas sob controle alemão ou do Eixo, que morreram durante os anos da guerra, são rotineiramente e enganosamente contados como “vítimas do Holocausto”, indiferentemente da causa da morte. Isto inclui judeus que morreram de causas naturais, pereceram em bombardeamento dos Aliados em cidades e campos de concentração, que morreram como soldados Aliados, particularmente no exército soviético, ou que – como centenas de milhares de civis alemães – sucumbiram à exaustão, doença e exposição nos, particularmente catastróficos, meses finais da guerra. Raul Hilberg, provavelmente o mais proeminente historiador do Holocausto, reconhece que uma distinção deveria ser feita entre “perdas judaicas” e “vítimas do Holocausto”. Ele anota, por exemplo, que a média de idade dos judeus na Alemanha no eclodir da guerra era anormalmente elevada de qualquer maneira.[14]

É improvável que tenha havido sequer seis milhões de judeus sob controle alemão durante a guerra.
O representante do Congresso Mundial Judaico na Suíça durante a guerra, Gerhard Riegner, confidencialmente reportou a Londres e Washington em agosto de 1942 que o número total de judeus nos países ocupados ou controlados pela Alemanha era de três e meio a quatro milhões.[15] Esta cifra presumivelmente se referia aos judeus no “Grande” Reich alemão (incluindo Polônia), tanto quanto em França, Holanda, Bélgica, Eslováquia e os territórios soviéticos ocupados. Se adicionarem-se os aproximadamente 1,2 milhão de judeus que estimadamente viviam na Hungria e Romênia, o número total de judeus que caiu sob controle alemão direto ou indireto durante a guerra não poderia ter sido mais que 5,2 milhões.

O caráter desconfiável do lendário cálculo de Seis Milhões é também mostrado na manipulação de estatísticas do Holocausto no caso de países específicos. A este respeito, é muito mais frutífero examinar as perdas judias nos países da Europa Ocidental, onde estatísticas muito mais confiáveis e outros dados estão disponíveis, que tentar estimar as perdas judias em territórios orientais, tais como Polônia, onde dados confiáveis não estão disponíveis. (No caso da Polônia, mesmo as fronteiras do país mudaram drasticamente durante e logo após a guerra). Uma importante característica dessas manipulações é que ainda que as cifras de alegadas perdas judias durante a guerra em países individuais possam ter sido inflacionadas e deflacionadas através dos anos, há um esforço óbvio em fazer malabarismos com as cifras para que o total geral seja mantido tão alto quanto possível.

O Caso da Dinamarca

Considere, por exemplo, o caso da Dinamarca. Em 1946 o “Comitê Anglo-Americano de Inquérito” anunciou em seu relatório amplamente citado que, de um total de 5,7 milhões de judeus europeus que pereceram durante os anos da guerra, 1.500 eram judeus dinamarqueses.[16] Raul Hilberg, em seu altamente respeitado estudo em três volumes, deu uma cifra similar de 1000 judeus dinamarqueses “perdidos” durante os anos de guerra.[17]

De fato, menos de 500 judeus sequer foram deportados da Dinamarca. (A maioria dos judeus dinamarqueses fugiram para a Suécia em 1943). Todos esses deportados da Dinamarca foram enviados para o campo-gueto de Theresienstadt (ou Terezin) onde precisamente 51 judeus dinamarqueses (a maioria idosos) morreram, todos de causas naturais.[18] Assim, mesmo se estes 51 forem contados como “vítimas do Holocausto”, as “perdas” judias para a Dinamarca foram exageradas aproximadamente 30 vezes pelo supostamente autorizado “Comitê Anglo-Americano” e 19 vezes a cifra verdadeira por Hilberg.

O Relatório Korherr

No início de 1943, o chefe da SS Heinrich Himmler ordenou seu “Inspetor para Estatísticas”, Richard Korherr, que preparasse um relatório sobre a “Solução Final da Questão Judia Europeia”.
Baseando-se em grande parte na informação e cifras fornecidas pelo Serviço Central de Segurança do Reich, Korherr escreveu um exame de dezesseis páginas de estatística que ele submeteu a Himmler em 23 de março de 1943. Poucas semanas depois ele produziu uma versão suplementar mais curta com o mesmo título.[19]

Mesmo que, como Hilberg apontou, muito sobre esses relatórios, incluindo sua origem e propósito, “permanece obscuro”, eles são, não obstante, os registros estatísticos do tempo da guerra mais oficiais disponíveis sobre o destino dos judeus da Europa.[20] Estes documentos secretos alemães, de alto nível, não contém nenhuma menção de um programa de extermínio ou matanças em massa de judeus, um fato que dificilmente parece ser possível se tal programa tivesse existido. Além disso, como o historiador judeu Gerald Reitlinger notou, eles sugerem que nada perto de seis milhões de judeus poderiam ter sido mortos, mesmo assumindo as mais sinistras interpretações do dado.[21] Korherr, um católico convicto, declarou após a guerra que ele não estava ciente de que seus relatórios tinham qualquer significado sinistro ou homicida.[22]

Reivindicações Judaicas de Restituição

Outra indicação importante de que a cifra de Seis Milhões não é precisa é o grande número de judeus “sobreviventes do Holocausto” que tem recebido pagamentos de restituição (Wiedergutmachung) do governo alemão em Bonn e, mais recentemente, em Berlim. Indivíduos que foram “perseguidos por motivos político, racial, religioso ou ideológico” pelo regime alemão durante a guerra têm sido elegíveis para receber dinheiro do governo de Bonn e Berlim sob os termos da Lei Federal de Compensação (BEG) de 1953 e 1956. Isto inclui judeus que estavam internados em campos ou guetos, que foram obrigados a usar o distintivo da estrela, ou que viveram escondidos.[23]

A partir de janeiro de 1984, havia 4,39 milhões de reivindicações individuais de restituição BEG bem sucedidas. A grande maioria delas era de judeus. Raul Hilberg disse que “cerca de dois terços” das reivindicações permitidas havia sido de judeus.[24] Esta é uma estimativa realista, mas possivelmente conservadora. Aproximadamente 40 por cento daqueles recebendo pagamentos estavam vivendo em Israel, 20 por cento na Alemanha Ocidental, e 40 por cento nos Estados Unidos e outros países.[25]

O jornal Atlanta Journal and Constitution relatou em 1985 que estimadamente 50 por cento de judeus “sobreviventes mundo afora estavam com pensões da Alemanha Ocidental”.[26] Mas esta estimativa é provavelmente muito mais alta. Por exemplo, judeus na Polônia, União Soviética, Hungria, Romênia e Tchecoslováquia não eram elegíveis para restituição, ao menos não nesta época.[27] Nos Estados Unidos, somente cerca de 66 por cento de judeus “sobreviventes do Holocausto” na área de Atlanta (Georgia) em 1985 tinham recebido dinheiro de restituição alemã.[28]

Se estimar-se conservadoramente que dois terços dos 4,39 milhões de reivindicações individuais por restituição alemã têm vindo de judeus, isto significaria cerca de 2,9 milhões de reivindicações judaicas. E se metade dos judeus “sobreviventes do Holocausto” ao redor do mundo não tinham qualquer restituição (o que é provavelmente uma cifra baixa), e admitido que o número de requerentes possa ser algo maior do que o número de pedidos, pareceria que cerca de seis milhões de judeus “sobreviveram” a Segunda Guerra Mundial. (é claro, alguns judeus europeus que viveram através dos anos de guerra morreram antes que a lei de restituição alemã BEG fosse promulgada em 1953). E dado que não havia mais que oito milhões de judeus europeus sob o controle alemão durante a guerra,[29] o número de judeus que morreram na Europa durante a Segunda Guerra Mundial deve ser menor do que três milhões. Como nós veremos, a cifra real de judeus mortos durante a guerra é substancialmente menor.

Finalmente, estimativas de “sobreviventes do Holocausto” fornecidas em anos recentes por autorizadas fontes judaicas não podem ser reconciliadas com a história, geralmente aceita, do “Holocausto” ou da cifra dos Seis Milhões.

Antes de prosseguir, é um fato notável que, em anos recentes, o número de “sobreviventes do Holocausto” têm, na verdade, aumentado. Isto é por que – como Norman Finkelstein salienta em seu importante livro, A Indústria do Holocausto – Israel, o Congresso Mundial Judaico, e outras grandes organizações judaicas, todas elas demandam e coletam bilhões em nome dos “sobreviventes do Holocausto”, tem um interesse em inflacionar cifras de vítimas do tempo de guerra e de sobreviventes do pós-guerra, ambos.

Um relatório publicado em julho de 1997 – isto é, cinquenta e três anos após o fim da guerra – por um comitê organizado pelo escritório do primeiro ministro estimava o número de “sobreviventes do Holocausto” (reconhecidamente definido ao invés de amplamente) algo entre 834.000 e 960.000. Um similar relatório autorizado publicado em junho de 2000, isto é, cinquenta e cinco anos após o fim da guerra na Europa, estimava o número de judeus “sobreviventes” do Holocausto entre 832.000 e 935.000.[30] Estas cifras, Robert Faurisson escreveu, sugerem que havia pouco mais de três milhões de judeus “sobreviventes” na Europa no fim da guerra de 1939-1945.[31]

Norman Finkelstein, um professor de ciência política no Hunter College em Nova Iorque, e autor do livro A Indústria do Holocausto, comentou que, baseado nessas cifras israelitas ou judaicas, teria havido oito milhões de judeus “sobreviventes do Holocausto” na Europa ao fim da guerra em 1945. Comentando isto, Finkelstein disse:[32]

Havia pouco mais de oito milhões de judeus em toda a Europa ocupada pelos nazistas. Em outras palavras, se esses números estão corretos, o Holocausto não aconteceu. Como minha mãe costumava dizer, se todo mundo que reivindicar ser um sobrevivente do Holocausto, realmente for um, quem Hitler matou?

Quantos judeus morreram durante a Segunda Guerra Mundial? Um ano após o fim da guerra, uma análise suíça, aparentemente imparcial, intitulada “Quão alto é número de vítimas judias?” (N.T.: How high is the number of Jewish victims?, no original) concluiu que não mais de 1,5 milhão de judeus europeus poderiam ter perecido (de todas as causas) sob o governo alemão durante a guerra. Isto apareceu em junho de 1946 no respeitado diário Baseler Nachrichten da neutra Suíça.[33] As cifras amplamente citadas entre cinco e seis milhões de mortos judeus, a análise notou, não eram baseadas em fontes oficiais, mas em estimativas semi-oficiais e meramente privadas que exageravam grandemente o número de judeus que jamais vieram sob controle alemão.

Stephen F. Pinter, um advogado do Departamento de Guerra dos EUA que estava localizado na Alemanha após a guerra, publicou uma afirmação em 1959 na qual ele condenava o que ele chamada “o velho mito de propaganda de que milhões de judeus haviam sido mortos pelos nacional-socialistas”. Ele prosseguiu a escrever:[34]

“Do que eu fui capaz de determinar durante seis anos do pós-guerra na Alemanha e Áustria, houve um número de judeus mortos, mas a cifra de um milhão certamente nunca foi alcançada. Eu entrevistei milhares de judeus, antigos internos de campos de concentração na Alemanha e Áustria, e me considero tão bem qualificado como qualquer homem sobre este assunto”.

Alguns historiadores revisionistas chegaram a conclusões similares. Arthur Butz e Robert Faurisson escreveram que tanto quanto um milhão de judeus europeus podem ter morrido de todas as causas durante os anos da guerra (não contando aqueles servindo em forças militares).[35] Walter Sanning, um estudioso europeu-americano e professor universitário, concluiu em seu detalhado estudo de 1983 que o total de perdas judaicas durante a Segunda Guerra Mundial era “na vizinhança” de 1,25 milhão, muitos dos quais morreram como soldados do Exército Vermelho ou em campos soviéticos e evacuações forçadas.[36]

Uma réplica comum a expressões de ceticismo sobre os Seis Milhões é perguntar retoricamente: “Que diferença faz saber quantos foram mortos? Seria terrível se apenas um milhão, ou mesmo mil, judeus fossem assassinados”. Para muitas pessoas, esforços para estabelecer os verdadeiros números parecem como subterfúgios insensíveis e talvez irrelevantes. Mas os céticos não são apenas os únicos que incessantemente e insistentemente vão sobre os Seis Milhões de judeus assassinados. Não são os revisionistas que fizeram um totem desta lendária cifra, ou que a invocam como um símbolo ritual quase sacrossanto. De qualquer forma, lutar pela exatidão histórica, mesmo sobre o icônico Seis Milhões, é precisamente o que historiadores deveriam fazer.


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(*) Este ensaio é adaptado do discurso de Mark Weber na conferência “Real History” de David Irving em Cincinnati, 31 de agosto de 2001.
Fonte: www.ihr.org/jhr/v20/v20n5p25_Weber.html
Tradução livre e adaptação por Viktor Weiß


Notas--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
[1] World Book Encyclopedia, edição de 1984, s.v. “Holocaust.” vol. 9, pp. 263-264. [2] Martin Gilbert, The Holocaust (New York: Holt, Rinehart and Winston, 1986), p. 811. [3] Encyclopaedia Judaica, edição de 1971, s.v. “Holocaust.” [4] Os ensaios de Ehrenburg, publicados no Soviet War News (Londres), Dec. 22, 1944, Jan. 4 e Março 15, 1945, estão reimpressos em facsimile na quinta edição do detalhado estudo de Joachim Hoffmann, Stalins Vernichtungskrieg 1941-1945 (Munich: Herbig, 1999), pp. 390-393 (veja também p. 183), e em Hoffmann, Stalin’s War of Extermination 1941-1945 (Capshaw, Alabama: TADP, 2001), pp. 189-190, 402-405. [5] David Irving, Nuremberg: The Last Battle (London: Focal Point, 1996), pp. 61-62. [6] The American Hebrew (New York), Oct. 31, 1919, p. 582. Facsimile no The Journal of Historical Review 15, no. 6 (Nov.-Dec. 1995), p. 31. Também citado em Irving, Nuremberg , p. 62. [7] Trial of the Major War Criminals Before the International Military Tribunal (IMT),
vol. 1 (Nuremberg: 1947-1949), pp. 252-253; IMT, vol. 19, p. 434; and IMT, vol. 22, p. 496.
[8] Depoimento de Höttl de Nov. 26, 1945: 2738-PS (USA-296) in IMT, vol. 31, pp. 85-87, e
Nazi Conspiracy and Aggression (NC&A), vol. 5 (Washington, DC: 1946-1948), pp.380-382; 2615-PS in NC&A, vol. 5, pp. 338-339. Na ad hoc e auto-serviente origens do depoimento de Höttl, veja a carta de Otto Skorzeny de Dez. 14, 1956, em Gerd Honsik, Freispruch für Hitler?
(Gibraltar and Barcelona: 1994), pp. 196-197.
[9] R. Aschenauer, ed., Ich, Adolf Eichmann (Leoni [Bavaria]: Druffel, 1980), pp. 460-461, 474; Jochen von Lang, ed., Eichmann Interrogated (New York: Farrar, Straus and Giroux, 1983), pp.
117-118. Dieter Wisliceny, outro antigo oficial da SS, fez uma declaração similar a de Höttl em Nuremberg em Jan. 3, 1946, mas falou de “apenas” quarto ou cinco milhões de judeus. IMT, vol. 4, p. 371. Eichmann posteriormente chamou os comentários de Wisliceny de “teatro” e disse que ele nunca teve nenhuma cifra de judeus “exterminados”. Veja von Lang, ed., Eichmann, pp. 164-165, 94-95, 110-117.
[10] O relatório está disponível no web site dos Arquivos Nacionais dos EUA: http://www.nara.gov/iwg/declass/hoettl.html [11] Arthur Butz, The Hoax of the Twentieth Century (Newport Beach, CA: IHR, 1997), p. 81. [12] Jacob Lestchinsky (Leszczynski), “Balance Sheet of Extermination,” 1946 e revisado em 1955. Citado em Nora Levin, The Holocaust (New York: Crowell, 1968), p. 718; Leon Poliakov, Harvest of Hate (New York: Holocaust Library, 1979), p. 335 (Revue d’histoire…, Oct. 1956); Raul Hilberg, The Destruction of the European Jews (New York: Holmes & Meier, 1985),
p. 1202.
[13] Lucy Dawidowicz, A Holocaust Reader (New York: Behrman, 1976), p. 381; Lucy Dawidowicz, The War Against the Jews, 1933-1945 (New York: Bantam [pb. ed.], 1976), p. 544. [14] Hilberg, Destruction , p. 1206. [15] Walter Laqueur, The Terrible Secret (Boston: Little Brown, 1980; New York: Henry Holt, 1998), p. 77. [16] Levin, Holocaust , p. 715; Gerald Reitlinger, The Final Solution (London: Sphere Books [pb., 2nd ed.], 1971), p. 546; Wolfgang Scheffler, Judenverfolgung im Dritten Reich (Berlin: Colloquium, 1960), p. 114. [17] Hilberg, Destruction , p. 1048. [18] Leni Yahil, The Rescue of Danish Jewry (Philadelphia: JPS, 1969), p. 318; Dawidowicz, The War , p. 505. [19] Documentos NO-5193 até NO-5198. Textos completos em alemão e inglês em: Serge Klarsfeld, ed., The Holocaust and the Neo-Nazi Mythomania (New York: B. Klarsfeld Foundation, 1978), pp. 165-211 (appendices). Também publicado em: John Mendelsohn, ed., The Holocaust: Selected Documents in Eighteen Volumes (New York: Garland, 1982), vol. 12, pp. 210 ff. (Os dois relatórios são, algumas vezes, referidos juntos como “o relatório Korherr”). Veja também Hilberg, Destruction , pp. 1204-1206; Gerald Fleming, Hitler and the Final Solution , p. 136, 138; von Lang, ed., Eichmann , pp. 112-115. [20] Raul Hilberg, “The Statistic,” em: François Furet, ed., Unanswered Questions: Nazi
Germany and the Genocide of the Jews (New York: Schocken, 1989), p. 158.
[21] Reitlinger, Final Solution, pp. 534-535. [22] Gerald Reitlinger, The SS: Alibi of a Nation , 1922-1945 (New York: Viking/ Compass [pb.], 1968), pp. 221-223; Hilberg, Destruction , pp. 1205-1206. Em uma carta para a Der Spiegel (Nr. 31, July 25, 1977, p. 12), Korherr especificamente declarou que o “tratamento especial” no primeiro rascunho de um relatório não se referia a matar. [23] Focus on “Restitution in Germany,” No. 1, May 1985, p. 3. (Boletim de informação do Centro de Informação Alemão, New York City, uma agência do governo federal alemão); veja também: Hilberg, Destruction, pp. 1165, 1166; Mark Weber, “West Germany’s Holocaust
Payoff,” JHR 8, no. 2 (summer 1988), pp. 243-250.
[24] Testemunho de Hilberg no caso Zündel, corte do Distrito de Toronto, Jan. 18, 1985. Transcrição página 1229. [25] Focus on “Restitution in Germany” (German Information Center), May 1985, p. 3. [26] Atlanta Journal and Constitution, Sunday, March 31, 1985, p. 15 A. [27] Hilberg, Destruction , p. 1170; D. Margolick, “Soviet Emigre Lawyer…,” New York Times , March 10, 1983, p. B2. [28] Atlanta Journal and Constitution, March 31, 1985, pp. 15 A, 17A. [29] Jacob Lestchinsky, estatístico para o Congresso Judaico Americano, estimou que em 1939 havia 8,25 milhões de judeus nas terras que caíram sob controle alemão ou do Eixo. “Balance Sheet of Extermination,” em Levin, Holocaust , p. 718. Lucy Dawidowicz estimou que a população “pré-Solução Final” das terras que caíram sob o controle do Eixo era de 8,86 milhões. Dawidowicz, The War, p. 544. [30] Number of Living Holocaust Survivors, July 27, 1997, relatório do “Spanic Committee,” organizado pelo Escritório do Primeiro Ministro israelense (que estimativas levemente revisadas em maio de 1998), e o relatório “Ukeles”, 28 de junho, 2000, comissionado pela “Conferência para Reivindicações Judaicas Materiais Contra a Alemanha”, uma agência judaica semi-oficial. Ambos citados em: “Special Master’s Proposed Plan of Allocation and Distribution of Settlement Proceeds,” (Set. 2000, também referido como o “Gribetz Plan”), Volume I, Anex C, “Demographics,” pp. C-2, C-8, C-9. Postado on-line no “Web Site Oficial de Informação para o Litígio de Ativos de Vítimas do Holocausto Contra Bancos Suíços e Outras Entidades Bancárias Suíças”: http://www.Swissbankclaims.com/media [31] Robert Faurisson, “Impact and Future of Holocaust Revisionism,” JHR 19 (Jan.- Feb. 2000), pp. 9, 28 (n. 24). [32] Entrevista com Norman Finkelstein, por Viktor Frölke, em Salon.com, “Shoah business,” 30 de agosto, 2000. Postado on-line em: http://www.salon.com/books/int/2000/08/30/finkelstein/index.html
Veja também: N. Finkelstein, “How the Holocaust Industry Stole the Swiss Monies,” June 2001, Postscript to Foreign Translations. Posted on-line: http://www.normanfinkelstein.com/id112.htm
[33] “Wie hoch ist die Zahl der jüdischen Opfer?,” Baseler Nachrichten (Abend-Blatt), 13 de junho, 1946, p. 2. (Este jornal, fundado em 1845, não é mais publicado). [34] Carta de Pinter semanário nacional Catholic, Our Sunday Visitor, 14 de junho, 1959, p. 15. [35] Butz, Hoax, p. 239; Entrevista de Robert Faurisson com Storia Illustrata (Italy), agosto de 1979. Traduções autorizadas em: Serge Thion (com Robert Faurisson), Vérité historique ou vérité politique? (Paris: 1980), p. 197, e JHR 2 (inverno 1981), p. 348. [36]. Walter Sanning, The Dissolution of Eastern European Jewry (Newport Beach, CA: IHR, 1983), pp. 198, 196. Do The Journal of Historical Review , ept.-Dec. 2001 (Vol. 20, No. 5-6), páginas 25-32.

Nicolau Copérnico

Mario Eugenio Saturno*
 
Todo mundo conhece Nicolau Copérnico e sua teoria que revolucionou o mundo... literalmente, já que o mundo era tido como estático e Copérnico o propunha fazendo revoluções... e em torno do Sol. Isso todo mundo sabe. O que nem todos sabem é que Copérnico também era um padre, entre outras coisas. Ele nasceu em 19 de fevereiro de 1473, na Polônia, e morreu em 24 de maio de 1543, ano em que foi publicada sua grande obra “De Revolutionibus Orbium Coelestium” (Da revolução de esferas celestes)

Cabe ressaltar que o livro foi publicado dois anos antes do Concílio de Trento. E o que isso tem a ver? Cientistas e teólogos afirmavam que a Terra era o centro do universo, imóvel, e que o sol, os planetas e as estrelas giravam em torno da Terra.

Isso porque interpretavam da Bíblia algumas passagens, como por exemplo: Deus fez o firmamento e separou as águas que estavam debaixo do firmamento daquelas que estavam por cima. E Deus chamou ao firmamento de Céus. E Deus fez os dois grandes luzeiros: o maior para presidir ao dia, e o menor para presidir à noite; e Deus colocou-os no firmamento(Gênesis 1,7-8, 16-17). Uma geração passa, outra vem; mas a terra sempre subsiste. O sol se levanta, o sol se põe; apressa-se a voltar a seu lugar; em seguida, se levanta de novo (Eclesiastes 1,4-5). Assentaste a terra sobre suas bases, inabalável para sempre eternamente, cobriste-a com o abismo, como um manto (Salmo 104,5). Tremei diante dele, ó Terra inteira! Ele fixou o universo, inabalável (I Crônicas 16,30). 


Certamente, o Sistema Geocêntrico parece fazer mais sentido, mesmo sem o reforço bíblico. Para qualquer um que observe o céu, a Terra parece estática enquanto tudo gira no firmamento. Porém, enquanto o Sol e a Lua parecem descrever círculos simples, os planetas possuem movimentos erráticos, por isso denominaram planeta, que em grego significa errante.

Ptolomeu, que era um grande matemático, utilizou um truque para explicar o movimento retrógrado dos planetas, eles circulariam um ponto e, este sim, circularia a Terra. Criou o conceito de “epiciclo”. Se o leitor tem dificuldade para entender, imagine para calcular.

O Sistema Copérnico propunha o Sol no centro e os planetas circulando-o, inclusive a Terra. A Terra não estava fixa, inabalável. Não era o centro do universo. Era mais um planeta comum... O livro de Copérnico era subversivo, herético, certo? Trento o condenou às fogueiras? Não? Não!

E por que não? Porque qualquer criança calcula um círculo, em tese, a proposta melhorava a precisão com que os fenômenos celestes são calculados. E os bispos de Trento ficaram felizes com a matemática do livro e as possibilidades de um calendário mais correto.

É possível também que o prefácio introduzido no livro pelo revisor Andreas Osiander amenizou a controvérsia já que o livro não retrataria o universo como era, mas um modelo matemático realista. Bem, cada um enxerga o que quer.

O livro permaneceu intocado até que Galileu, quase um século depois, tentou provar o Sistema heliocêntrico, em 1632, com algumas “provas” que ele elaborou. Provas erradas, claro. Com o tempo, Copérnico mostrou-se certo, provando ser um homem de ciência e de fé também.

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(*) é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano. - cienciacuriosa.blog.com

Galileu não acertou

Muita gente pensa que Galileu escreveu um livro defendendo o sistema heliocêntrico de Copérnico, porém as ignorantes cúrias não aceitaram. Bem, isso nunca aconteceu. Em primeiro lugar, Galileu não desafiava padres mas cientistas como ele e que acreditavam em tudo que Aristóteles afirmava. Discípulo de Platão, Aristóteles realizou milhares de estudos ao longo de sua vida e estabeleceu uma Ciência e uma Filosofia que durou cerca de dois mil anos.

Galileu não criou o sistema heliocêntrico, é muito mais antigo e presente em várias culturas, mas foi astrônomo e matemático Nicolau Copérnico quem formulou a Teoria. E publicou em seu livro “De Revolutionibus Orbium Coelestium”, Da Revolução De Esferas Celestes, em 1543. O livro marcou o inicio do fim do Sistema Geocêntrico, que tinha a Terra em seu centro. O que pouca gente percebe é que o livro teve o “imprimatur” da Igreja e Copérnico nunca teve que enfrentar a Inquisição. E o que menos gente ainda sabe é que Copérnico era Padre da Igreja Católica.

Galileu também não inventou o telescópio mas criou um de boa qualidade que lhe permitiu observar o céu e escrever tudo que viu no livro “Sidereus Nuncios” (Arauto das Estrelas), em 1610. Esse livro gerou polêmica pois quebrou muitos conceitos. Novamente, a Igreja aprovou o livro, quem recusou foram os cientistas da época. Muita gente acredita que foi aqui que Galileu “provou” que a Terra girava em torno do Sol. Que nada! Foi somente em 1632 quando ele publicou o “Dialogo Sopra I Due Massimi Sistemi Del Mondo” (Diálogo Sobre Os Dois Principais Sistemas Do Mundo), que defendeu o sistema heliocêntrico com algumas “provas” que ele elaborou.

Esse livro surgiu de uma sugestão do Papa, que era seu amigo, para escrever um livro imparcial entre os dois sistemas, o heliocêntrico e o geocêntrico, e assim lhe daria o “imprimatur’. O que pouca gente sabe é que Galileu escreveu um diálogo entre três personagens: Salviati, que defende o heliocentrismo; Simplício, que defende o geocentrismo e é simplório (bem imparcial né?); e Sagredo, personagem neutro, mas que no fim concorda com Salviati.

Todos podem pensar que Galileu provou que a Terra girava em torno do sol, mas não foi bem assim não. De cara, suas provas eram furadas, como, por exemplo, a teoria das marés que ele formulou baseado na rotação da Terra em torno do sol. Teoria errada, claro, todos nós sabemos que as marés ocorrem devido a ação gravitacional da nossa Lua. Dessa forma, ao contrário do que pensam muitos,  os simplórios mesmo foram Salviati e Sagredo (e Galileu) por se fiarem em um argumento errado.

Esta obra foi a causa do processo da Inquisição contra Galileu. Para variar, Galileu enganou um bispo leigo em ciência para obter um “imprimatur” provisório. E seus inimigos convenceram o Papa que o Simplício/Simplório era uma alusão ao próprio Papa, tirando de Galileu o principal aliado e o levando a uma condenação. Não foi a fogueira, claro, já que Galileu morreu de velhice.

Mario Eugenio Saturno

PARA BEM COMPREENDER O ENEM




 
Percival Puggina




É provável que você, leitor, não saiba como funciona o Enem, o tal Exame Nacional do Ensino Médio. Nem imagina como um aluno possa prestar exame no Amazonas e ser qualificado para cursar Direito no Rio Grande do Sul. Menos ainda haverá de entender a lógica dessa migração acadêmica num país de dimensões continentais.

Pois eu também não sei como funciona o Enem. Mas sei algo sobre ele que, segundo tudo indica, poucas pessoas sabem. O Enem é um dos muitos instrumentos de concentração de poder político nacional nas mãos de quem já o detém e a ele se aferrou de um modo que causa preocupação. É parte de um projeto de hegemonia em implantação há vários anos. Tudo se faz de modo solerte e gradual, de modo que a sociedade não perceba estar perdendo sua soberania e se tornando politicamente imprestável. Se não fazemos parte desse projeto e não compomos quaisquer das minorias ou grupos de interesse que se articulam no país, tornamo-nos inocentes inúteis, cidadãos de última categoria, numa democracia a caminho da extinção por perda de poder popular, por inanição do poder local.

É possível que o leitor destas linhas considere que estou delirando. Que não seja bem assim. Talvez diga que mudei de assunto e que o primeiro parágrafo acima nada tem a ver com o segundo. Pois saiba que tem, sim. Peço-lhe que observe a realidade do município onde vive. Qual o poder do seu prefeito, ou de sua Câmara Municipal? O que eles, efetivamente, podem realizar pela comunidade? Quais os sinais de progresso, da ambulância ao asfaltamento da avenida, que acontecem sem que algo caia da mão dadivosa da União? Quais são as leis locais que você considera importante conhecer? E no Estado? Tanto o Legislativo quanto o Executivo constituem poderes cada vez mais vazios, que vivem de discurso, de promessas, de criação de expectativas. Empurrando a letargia com a barriga.

Observe que todas as políticas de Estado que podem fazer algum sentido na vida das pessoas são anunciados no plano federal (que venham a acontecer é outra conversa). Por quê? Porque é lá que estão concentrados os recursos tributários e os bancos oficiais realmente significativos. O poder político que comanda o país conta muito com seu elenco de prerrogativas exclusivas. Mas o poder que tudo pode, como temos testemunhado à exaustão, pode até o que não deve poder. Esse monstrengo chamado Enem não é apenas uma fonte de colossais trapalhadas. É um instrumento de poder, centralizando currículos, ordenando pautas, agindo contra as diversidades regionais, ideologizando as provas (não é por mero acaso que a primeira questão do Enem deste ano começa com um texto de Marx), e criando nos estudantes a sensação de que a Educação, o exame, o ingresso no ensino de terceiro grau são dádivas federais.

As cartilhas, os livros distribuídos às escolas, os muitos programas nacionais voltados ao famigerado "politicamente correto", tudo isso atende a um mesmo e único objetivo, do qual o Enem faz parte. É um projeto de poder. O único projeto que de fato mobiliza as energias do governo. Por isso, segue firmemente seu curso e seu cronograma no país.




 



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* Percival Puggina (68) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, membro do grupo Pensar+.


fonte: Percival Puggina
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