Escolas de sexo único voltam a ganhar espaço

Mais de 600 escolas adotam a prática no Brasil; nos EUA, a chamada educação singular é vista como alternativa na rede pública


Alunas do Colégio do Bosque Mananciais, em Curitiba:  currículo similar ao dos meninos, mas em ritmo diferente | Divulgação/Colégio do Bosque Mananciais 

Alunas do Colégio do Bosque Mananciais, em Curitiba:  currículo similar ao dos meninos, mas em ritmo diferente Divulgação/Colégio do Bosque Mananciais
 



 
Novos perfis de alunos e novas necessidades para a educação estão levando à criação de soluções que buscam na releitura do passado uma resposta para as questões do presente. Uma dessas tendências é o ressurgimento de escolas exclusivas para meninos ou meninas, que crescem a cada ano – hoje, são 240 mil escolas no mundo, presentes em 70 países.
O declínio das escolas da educação singular, também conhecidas pelo termo single-sex (sexo único, em tradução livre), ocorreu por causa do desgaste de currículos tradicionais. Hoje, as escolas do tipo ressurgem com a proposta de se adaptar aos ritmos diferentes de cada gênero, apoiada em estudos que apontam diferenças no desenvolvimento cognitivo e social de meninos e meninas.
“Salas de aula single-sex podem tornar mais fácil para os professores adaptarem o seu estilo de ensino às características comportamentais dos alunos”, afirma o psicólogo da escola norte-americana Clover Park School District, Robert Kirschenbaum. “Meninas parecem preferir ambientes mais quietos em que possam trabalhar em grupo e chegar a um consenso. Meninos costumam preferir um ambiente mais competitivo, com mais atividades físicas e mais barulho”, completa.

Modelo linear 

Nas escolas single-sex contemporâneas, não há diferenças nos conteúdos ensinados, mas sim nos métodos, que são mais adequados para os perfis de meninos ou meninas. O resultado é uma educação personalizada, que atende a necessidades específicas e gera resultados mais eficazes.
“Em um ambiente single-sex, principalmente nas idades de 13, 14 e 15 anos, há a oportunidade, tanto para meninos quanto para meninas, de que eles sejam eles mesmos por mais tempo”, disse o ex-diretor da faculdade Eton College, Tommy Little, no Fórum Global de Educação e Habilidades (GESF, Global Education and Skills Forum).

Cenário nacional 

No Brasil, as escolas single-sex entraram em declínio depois da década de 1950, quando as instituições públicas passaram a ser mistas. Mas elas não desapareceram. De acordo com o Censo Escolar da Educação Básica em 2010, existem pelo menos 612 escolas públicas e privadas em regime não misto no país. Esse número contempla centros de reeducação, que são tradicionalmente não mistos, escolas técnicas e escolas religiosas, além de escolas de educação básica.
Em Curitiba (PR), o sistema foi adotado pela Escola do Bosque Mananciais, fundada em 2010. Regida pelos princípios da educação personalizada, a escola tem o objetivo de atender aos ritmos e perfis distintos de meninos e meninas.
“Apesar de este ser um modelo menos interessante sob o aspecto meramente financeiro, por ser mais custoso, a sociedade estava carente desse sistema educacional que agora ofertamos”, analisa Leandro Pogere, diretor da instituição.
“Encontramos nesse modelo aquilo que muitas famílias estavam buscando: maior foco no estudo, relacionamentos mais saudáveis e respeitosos, professores que compreendem o universo dos alunos com mais facilidade, os respeitam e motivam e que auxiliam os pais”, afirma.
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No ambiente escolar, a separação por sexo é total: meninos têm professores e meninas têm professoras, com aulas em prédios distintos que ficam separados por um bosque.
“É importando para o processo que a professora de matemática ou física das meninas seja uma mulher, para ser modelo para a aluna e melhorar sua segurança e autoestima. Isso resulta na percepção de que ela também pode ser da área das exatas, ‘como minha professora!’. Caso fosse um professor homem dando aula para elas, seria mais forte a tendência à desmotivação”, diz Pogere, que prossegue:  “O mesmo exemplo valeria para o menino, que pode encontrar no professor de artes ou de literatura um bom modelo de profissional”.
A escola garante que o método não é segregacionista, já que o mesmo conteúdo é ensinado para meninos e meninas. A diferença está no ritmo de cada turma, que pode, por exemplo, ter aulas mais dinâmicas para meninos e mais reflexivas para meninas, se adaptando às necessidades específicas de cada perfil.
“Esse modelo tende a colaborar para a igualdade de oportunidade entre alunos e alunas. Certamente todos já constatamos que há profissões comumente exercidas por homens e outras por mulheres. Uma questão que poucos sabem responder é: como resolver essas desigualdades sem tirar a liberdade de cada um? Na educação single-sex podemos encontrar uma solução, uma vez que trabalhamos as habilidades que comumente são encontradas no outro sexo”, conclui.

Ressurgimento nos EUA

Nos Estados Unidos, o sistema single-sex, ainda restrito quase exclusivamente a escolas privadas de elite e religiosas, começa a ser usado no ensino público. É uma tentativa de melhorar o desempenho dos alunos, principalmente em instituições localizadas em regiões de baixa renda.
Na escola primária Charles Drew, localizada no estado da Flórida, cerca de um quarto das turmas são separadas por sexo. A ideia é que o alto desempenho observado em escolas single-sex seja reproduzido, compensando o baixo desempenho característico de uma escola periférica. Os resultados começaram a ser observados em 2012, quando a avaliação estadual da escola subiu de nota D para C. Resultados similares foram encontrados em outras escolas públicas que adotaram turmas single-sex no país, em centros urbanos como Nova York, Chicago e Filadélfia.
Outra escola no estado da Flórida, a Dillard Elementary, oferece turmas divididas por sexo para os alunos do ensino primário. Nas aulas, os professores são encorajados a adaptar as atividades para o perfil de cada sexo: meninos têm atividades de matemática com competições, meninas têm aulas de estudos sociais e linguagem com música relaxante.
“Posso guiá-los para o nível deles e incluir esportes e coisas diferentes”, disse ao The New York Times a professora MeLisa Dingle-Mason, que leciona matemática em uma turma de terceiro ano exclusiva pra meninos.
Segundo dados do Departamento de Educação dos EUA em 2014, o país conta com 850 escolas públicas single-sex e cerca de 750 escolas públicas que oferecem pelo menos uma turma single-sex.

 fonte:  Gazeta do Povo

Cem anos de pedofilia



Olavo de Carvalho
O Globo, 27 de abril de 2002

Na Grécia e no Império Romano, o uso de menores para a satisfação sexual de adultos foi um costume tolerado e até prezado. Na China, castrar meninos para vendê-los a ricos pederastas foi um comércio legítimo durante milênios. No mundo islâmico, a rígida moral que ordena as relações entre homens e mulheres foi não raro compensada pela tolerância para com a pedofilia homossexual. Em alguns países isso durou até pelo menos o começo do século XX, fazendo da Argélia, por exemplo, um jardim das delícias para os viajantes depravados (leiam as memórias de André Gide, “Si le grain ne meurt”).
Por toda parte onde a prática da pedofilia recuou, foi a influência do cristianismo — e praticamente ela só — que libertou as crianças desse jugo temível.
Mas isso teve um preço. É como se uma corrente subterrânea de ódio e ressentimento atravessasse dois milênios de história, aguardando o momento da vingança. Esse momento chegou.
O movimento de indução à pedofilia começa quando Sigmund Freud cria uma versão caricaturalmente erotizada dos primeiros anos da vida humana, versão que com a maior facilidade é absorvida pela cultura do século. Desde então a vida familiar surge cada vez mais, no imaginário ocidental, como uma panela-de-pressão de desejos recalcados. No cinema e na literatura, as crianças parecem que nada mais têm a fazer do que espionar a vida sexual de seus pais pelo buraco da fechadura ou entregar-se elas próprias aos mais assombrosos jogos eróticos.
O potencial politicamente explosivo da idéia é logo aproveitado por Wilhelm Reich, psiquiatra comunista que organiza na Alemanha um movimento pela “libertação sexual da juventude”, depois transferido para os EUA, onde virá a constituir talvez a principal idéia-força das rebeliões de estudantes na década de 60.
Enquanto isso, o Relatório Kinsey, que hoje sabemos ter sido uma fraude em toda a linha, demole a imagem de respeitabilidade dos pais, mostrando-os às novas gerações como hipócritas sexualmente doentes ou libertinos enrustidos.
O advento da pílula e da camisinha, que os governos passam a distribuir alegremente nas escolas, soa como o toque de liberação geral do erotismo infanto-juvenil. Desde então a erotização da infância e da adolescência se expande dos círculos acadêmicos e literários para a cultura das classes média e baixa, por meio de uma infinidade de filmes, programas de TV, “grupos de encontro”, cursos de aconselhamento familiar, anúncios, o diabo. A educação sexual nas escolas torna-se uma indução direta de crianças e jovens à prática de tudo o que viram no cinema e na TV.
Mas até aí a legitimação da pedofilia aparece apenas insinuada, de contrabando no meio de reivindicações gerais que a envolvem como conseqüência implícita.
Em 1981, no entanto, a “Time” noticia que argumentos pró-pedofilia estão ganhando popularidade entre conselheiros sexuais. Larry Constantine, um terapeuta de família, proclama que as crianças “têm o direito de expressar-se sexualmente, o que significa que podem ter ou não ter contatos sexuais com pessoas mais velhas”. Um dos autores do Relatório Kinsey, Wardell Pomeroy, pontifica que o incesto “pode às vezes ser benéfico”.
A pretexto de combater a discriminação, representantes do movimento gay são autorizados a ensinar nas escolas infantis os benefícios da prática homossexual. Quem quer que se oponha a eles é estigmatizado, perseguido, demitido. Num livro elogiado por J. Elders, ex-ministro da Saúde dos EUA (surgeon general — aquele mesmo que faz advertências apocalípticas contra os cigarros), a jornalista Judith Levine afirma que os pedófilos são inofensivos e que a relação sexual de um menino com um sacerdote pode ser até uma coisa benéfica. Perigosos mesmo, diz Levine, são os pais, que projetam “seus medos e seu próprio desejo de carne infantil no mítico molestador de crianças”.
Organizações feministas ajudam a desarmar as crianças contra os pedófilos e armá-las contra a família, divulgando a teoria monstruosa de um psiquiatra argentino segundo a qual pelo menos uma entre cada quatro meninas é estuprada pelo próprio pai.
A consagração mais alta da pedofilia vem num número de 1998 do “Psychological Bulletin”, órgão da American Psychological Association. A revista afirma que abusos sexuais na infância “não causam dano intenso de maneira pervasiva”, e ainda recomenda que o termo pedofilia, “carregado de conotações negativas”, seja trocado para “intimidade intergeracional”.
Seria impensável que tão vasta revolução mental, alastrando-se por toda a sociedade, poupasse miraculosamente uma parte especial do público: os padres e seminaristas. No caso destes somou-se à pressão de fora um estímulo especial, bem calculado para agir desde dentro. Num livro recente, “Goodbye, good men”, o repórter americano Michael S. Rose mostra que há três décadas organizações gays dos EUA vêm colocando gente sua nos departamentos de psicologia dos seminários para dificultar a entrada de postulantes vocacionalmente dotados e forçar o ingresso maciço de homossexuais no clero. Nos principais seminários a propaganda do homossexualismo tornou-se ostensiva e estudantes heterossexuais foram forçados por seus superiores a submeter-se a condutas homossexuais.
Acuados e sabotados, confundidos e induzidos, é fatal mais dia menos dia muitos padres e seminaristas acabem cedendo à geral gandaia infanto-juvenil. E, quando isso acontece, todos os porta-vozes da moderna cultura “liberada”, todo o establishment “progressista”, toda a mídia “avançada”, todas as forças, enfim, que ao longo de cem anos foram despojando as crianças da aura protetora do cristianismo para entregá-las à cobiça de adultos perversos, repentinamente se rejubilam, porque encontraram um inocente sobre o qual lançar suas culpas. Cem anos de cultura pedófila, de repente, estão absolvidos, limpos, resgatados ante o Altíssimo: o único culpado de tudo é… o celibato clerical! A cristandade vai agora pagar por todo o mal que ela os impediu de fazer.
Não tenham dúvida: a Igreja é acusada e humilhada porque está inocente. Seus detratores a acusam porque são eles próprios os culpados. Nunca a teoria de René Girard, da perseguição ao bode expiatório como expediente para a restauração da unidade ilusória de uma coletividade em crise, encontrou confirmação tão patente, tão óbvia, tão universal e simultânea.
Quem quer que não perceba isso, neste momento, está divorciado da sua própria consciência. Tem olhos mas não vê, tem ouvidos mas não ouve.
Mas a própria Igreja, se em vez de denunciar seus atacantes preferir curvar-se ante eles num grotesco ato de contrição, sacrificando pro forma uns quantos padres pedófilos para não ter de enfrentar as forças que os injetaram nela como um vírus, terá feito sua escolha mais desastrosa dos últimos dois milênios.

Do abandono da militância libertária


Hans-Hermann Hoppe, um dos maiores (talvez o maior da atualidade) do libertarianismo moderno.






















O que mais me encanta nessa conversão é o desapego de qualquer ideologia e posição política. Nunca fui apegado com política, mas o libertarianismo me atraiu de uma forma que quase me cegou em certo período.
Lembro-me que sempre quis pagar de radical e polêmico, mas com o tempo percebi que não era necessário ser tão polemista, mas acima de tudo coerente com o que defendo. Isso me fez garantir uma faminha razoável até. Mas nada que possa ser comparado com outros militantes mais conhecidos.
De 2013 até o fim de 2016, quando definitivamente larguei a militância libertária, escrevi para diversos sites. De uma posição meio progressista até uma mais conservadora. Porém, em meados de 2016 a conversão veio. Assim como o meu ateísmo – aparentemente inabalável até então – desmoronou, a minha “fé” no libertarianismo também foi junto. Não porque acho inviável ou coisa do tipo, não por achar o estado pode ser legítimo ou não, mas porque acima de tudo não via mais motivos para me dizer libertário.
O motivo é muito simples: se declarar libertário é um comprometimento com uma linha de pensamento. Não com a verdade em si. Uma vez que nos comprometemos com uma linha de pensamento, negamos a busca da verdade. Ela deixa de ser a conformidade da nossa inteligência com a realidade e passa a ser a conformidade da realidade com a nossa vontade. Tudo tem que passar pela rigidez do raciocínio comprometido com uma linha de pensamento cujo fim é a mudança da realidade externa. A mudança das pessoas que nos cercam.
Por muito tempo fui influenciado por diversos pensadores, mas colocarei aqui basicamente três: Hans-Hermann Hoppe, Murray Newton Rothbard e Ludwig von Mises. Os três com pensamentos seculares e em certo nível anticlerical. Principalmente o Mises. Mas dou o braço a torcer: ainda reconheço que são analistas brilhantes no campo econômico, mas não vou focar nisso.
As análises de Mises – que não era libertário, mas que deu as bases para o libertarianismo moderno – ainda me influenciam quando observo certos fenômenos econômicos. Aprendi muito lendo o tijolo Ação Humana, mas nesse mesmo livro Mises critica a religião como se fosse algo irracional. Rothbard em A Ética da Liberdade critica a Igreja pelo seu posicionamento contra o aborto e ainda disse que o pensamento agostiniano é contra a razão (como se o Santo Agostinho, o mais importante padre da patrística, fosse contra a razão). São posições não apenas contrárias à Igreja, mas contrárias a própria verdade.
Mas no caso do Hoppe o caso é ainda mais sério. Hoppe é menos conhecido que esses dois, mas ele foi quem me formou intelectualmente como libertário militante. Principalmente com a sua ética argumentativa. Todavia, devo confessar que ela desmoronou com o fim do meu ateísmo. A ética argumentativa sugere que a ética não é bem uma realidade externa, mas é algo cuja estrutura depende da nossa capacidade de argumentar. Isso foi uma conclusão do próprio Hoppe, em Uma Teoria do Socialismo e do Capitalismo. Ou ainda: ignora quem nos deu tal capacidade, que foi Deus.
E o que o fim do meu ateísmo tem a ver com isso? Ora, se existe Deus, a ética deve ser uma realidade externa determinada por Ele. Sendo Deus o Criador de tudo, Ele também é o Senhor de tudo. Logo, crer na ética argumentativa e ser cristão são duas coisas incongruentes. Hoppe ao escrever os seus livros, principalmente Democracia – o deus que falhou, fez análises e formou teses interessantíssimas, mas falha ao excluir Deus dos seus estudos. Ignora que mais do que a introdução da democracia no Ocidente, o que também piorou ainda mais a situação atual da Europa foi a perda da fé católica. Sem a fé, disparou o número de abortos, divórcios, fez surgir leis favoráveis a homossexuais, mães e pais solteiros e toda sorte de aberrações. O trabalho de Hoppe até certo ponto foi muito nobre, mas não tem como escrever sobre algo tão profundo e ainda mais no Ocidente ignorando Deus e o papel da Santa Igreja. Hoppe ignorou a Revolta (me recuso a chamar isso de Reforma) Protestante, por exemplo, que aumentou totalmente o poder do estado e abriu espaço para outros eventos lamentáveis como a Revolução Francesa. Posso até crer que talvez seja o fato dele ser de família luterana, mas é mais provável que o seu agnosticismo o impeça de enxergar uma peça que poderia tornar a sua obra quase perfeita para qualquer leitor.
Mas devo confessar que a leitura de Hoppe me ajudou de certa forma me aproximar do cristianismo, mas ao ver a minha fé evoluir, isso me afastou do libertarianismo também. Mas sem Hoppe seria capaz de ainda ser um libertário pós-moderno longe de me converter. Me resta rezar por ele. Ele me impediu de mergulhar nas trevas mais escuras que poderia mergulhar. Hoppe sem dúvida foi uma peça fundamental para a minha conversão e o afastamento daquilo que ele mesmo defende.
Direita, esquerda, centro…? Nada disso. Apenas católico.

 fonte: Luciano Takaki – Medium

Palestra de Junho na UFRJ


O Círculo retoma suas atividades na UFRJ e promove o vídeo-debate sobre um assunto importante para o meio acadêmico.

O Dr. Willian Craig aborda o tema proferido na Universidade de Notre Dame. 

O Auditório do Instituto Eloisa Mano fica na Ilha do Fundão, Rio de Janeiro.

Compareça! Divulgue !



Eles deram certo na vida


/ Diretor de Recursos Humanos - Arcos Dourados


No meio de tantos prêmios e polêmicas que o filme colecionou na época do lançamento, em 1998, uma cena passou meio despercebida em A Vida É Bela!, do italiano Roberto Begnini: aquela em que o gerente do restaurante do hotel, Eliseo Oferice, corrige a postura do sobrinho Guido (o próprio Roberto Benigni), que tenta iniciar-se na carreira de garçom. Vendo o sentimento inadequado de servilismo do moço, o tio experiente diz: “Servir é a arte suprema. Lembre-se, Deus é o primeiro servidor. Ele serve os homens o tempo todo – mas não é nosso servo”.
Aspectos religiosos à parte, o filme me voltou à lembrança quando li a notícia de que os alunos do último ano do ensino médio de um colégio gaúcho tinham realizado uma festa à fantasia em que se questionavam sobre seus futuros, num tom debochado: “E se tudo der errado?”.
A história causou muita indignação: As vestimentas nas fotos divulgadas nas mídias sociais faziam graça de profissionais de limpeza, zeladoria e atendentes de lanchonete. Tenho certeza de que não houve intenção maldosa, apenas uma iniciativa inocente.
Afinal, mentes jovens são altamente influenciáveis pelo ambiente em que vivem e florescem – um ambiente, por sinal, dominado atualmente por ideias distorcidas, sobre o que seja o sucesso.
Com sua valorização inflacionada da importância de alguns fatores (bens materiais e celebridade, por exemplo), o mundo contemporâneo tem levado os desavisados a investir na busca de algo que ainda não têm – e que, talvez, nem sequer desejaram. Qualquer coisa menor do que isso seria sinal de fracasso, humilhação, servilismo. Eis aí, uma visão míope do que é ser bem-sucedido ou “dar certo na vida”. Pior: é a receita – infalível – para a infelicidade.
“E se tudo der errado?”. Nesta especulação, tão curta, existem no mínimo três falsas premissas.
O primeiro equívoco é presumir que uma pessoa – e tudo aquilo que ela representa – possa se reduzir à sua ocupação profissional ou a uma simples relação empregatícia. Mas a verdade é bem maior do que isso. O trabalho que gera nossa renda e sustento não nos define plenamente: na vida em sociedade, estamos sempre desempenhando diversos papéis. Também somos filhos e maridos, pais e vizinhos, amigos ou colegas de trabalho, parceiros de lazer nos fins de semana. Somos, em suma, cidadãos de uma comunidade, membros de cidade, habitantes de um país – mais até, do planeta. E cada um desses relacionamentos envolve aspirações e expectativas, direitos e deveres.
Já de saída, vale lembrar que nosso primeiro papel é o de filho – e que não estreamos vestidos. Entramos nessa festa literalmente nus, totalmente despidos de rótulos e preconceitos. Aos poucos, vamos vestindo os outros adereços. E pode ser lugar comum, mas é também uma verdade clara e simples: se todos desempenhassem com um mínimo de empenho e eficiência todos os seus papéis, por certo viveríamos num mundo mais justo, equilibrado e feliz.

“Sucesso não tem a ver com o dinheiro que você ganha: tem a ver com a diferença que você faz na vida das pessoas”
MICHELLE OBAMA

Eis aqui o segundo ponto: riqueza e popularidade não definem sucesso – e os exemplos e contraexemplos são abundantes. A mídia não se cansa de mostrar como políticos corruptos, traficantes e contrabandistas conseguem amealhar fortunas – mas nem por isso podemos considerá-los pessoas bem-sucedidas.
Não é uma exclusividade de malfeitores: alguém pode garantir que Michael Jackson e George Michael tenham sido pessoas felizes – apesar de ricos e idolatrados por milhões de fãs em todo o mundo? E agora gire a luneta na direção oposta: Madre Teresa de Calcutá – canonizada em setembro do ano passado pela Igreja Católica – não possuía de seu nada além da roupa do corpo, na hora de morrer. E, ao que parece, morreu feliz.

Um executivo de sucesso teria dito à Madre Teresa de Calcutá: “Irmã, eu não faria isso que a senhora faz nem por todo o dinheiro deste mundo!”. Ao que ela respondeu: “Eu também não, meu filho... Eu também não!”

Mas voltemos ao mercado de trabalho – porque é nele que se encontra o terceiro ponto negativo da brincadeira infeliz dos desavisados jovens da nossa história: a motivação.
Um emprego é o nome genérico que damos ao trabalho remunerado em que aplicamos nossas habilidades e iniciativa com o objetivo de alcançar as metas desejadas por uma determinada empresa. É ali, na prática diária do emprego, que temos a chance de aperfeiçoar essas habilidades pessoais. É nesse ambiente que aprendemos a conviver e trabalhar com outras pessoas, a pensar no bem da equipe, da empresa e da sociedade – e é ali que, por conta de um trabalho bem feito, que aumentamos nossa autoestima, acumulamos satisfação pessoal e realização profissional.
É no desempenho do trabalho que chegamos a concretizar sonhos e atingir objetivos íntimos de vida. Já dá para ver que trabalhar numa organização – qualquer organização – é um fenômeno complexo, que envolve algumas condições individuais e circunstanciais, tais como: saber, querer e poder fazer. E é errado pensar que todos tenham a mesma motivação no trabalho. Isso envolve toda uma série de fatores intrínsecos e extrínsecos: de um lado, gostar de realizar a tarefa; de outro, as recompensas externas, como reconhecimento, salário ou status – sem falar nos chamados aspectos “transcendentais”, relativos ao impacto daquele papel ou posição sobre os demais integrantes do grupo.
“Conhece-te a ti mesmo!”: era a frase inscrita na entrada do Templo de Apolo, na Grécia Antiga – que servia de inspiração a Sócrates, o pai da filosofia. Talvez a falta desta receita antiga – o autoconhecimento – esteja na raiz de tantas frustrações e tantos temores antecipados de que nada dê certo...
O que motiva você? O que faz você feliz? Na resposta ponderada a estas perguntas, está a receita para você encontrar sua vocação – e, mais do que conseguir uma carreira, sentir-se realizado e satisfeito. Isto é dar certo na vida! Mas a resposta errada e apressada pode ser a matriz de frustrações e ressentimentos.
Se você for olhar de perto, é fácil identificar uma pessoa que trabalha por amor ao que faz. Para dar um exemplo simples e objetivo: quando paro num posto de gasolina, quero sair com o tanque cheio, no menor prazo possível. Mas é bastante diferente a experiência de ser atendido por um frentista simpático, que diz “bom dia” com um sorriso nos lábios, sabe o seu nome, limpa o para-brisa, e se despede com um “volte sempre!”. Alguém discorda?
Certamente, todo trabalho merece ser remunerado, na medida em que supre uma necessidade: alguém é beneficiado pelo serviço ou produto solicitado. Nesse sentido, todo trabalho é, por definição, necessário – e digno.
“Procure um emprego que você faria mesmo sem precisar do salário.”
WARREN BUFFET

Milionários, celebridades ou executivos de grandes empresas constituem uma parcela pequena da população. A contrapartida disso é que existem muitas e muitas pessoas com talento para (e que gostam de) ser porteiro, diarista ou atendente de lanchonete – justamente aqueles exemplos citados na brincadeira infeliz da garotada. São trabalhos dignos, necessários, que requerem talento como todos os outros – e por isso devem ser respeitados. E aplaudidos.
Graças ao trabalho de pessoas que servem ao próximo sem aquele sentimento de servilismo ou frustração de que falava o personagem do filme de Benigni, levo uma vida cercada de tranquilidade e segurança. Sou grato e aprecio o trabalho realizado pelos porteiros e seguranças do condomínio onde resido. E também os profissionais de limpeza e jardinagem que mantêm um ambiente agradável, limpo e bonito à minha volta. Gosto de ver as plantas, flores e frutas do jardim do condomínio e de minha casa. Quem não gosta disso? Em especial, sinto-me feliz de ver o carinho que minha diarista dedica ao meu lar e à minha família. Servir é uma arte. E cada um de nós, em seu trabalho, está sempre servindo aos outros.
Por isso, através da Fátima (minha diarista), Agnaldo (segurança do condomínio onde resido) e Wilson (gerente da minha lanchonete favorita), quero aqui expressar meu respeito e agradecimento a todos os profissionais que trabalham duro – e dizer a cada um deles o que eles já sabem e demonstram: eles deram certo na vida.






fonte:
Eles deram certo na vida | Marcelo Nobrega | Pulse | LinkedIn

Mais Tomás: o "ser" e o "Ser"


Joathas Soares Bello*
 
Aristóteles cunhou o conceito de "ato" (energeia), "plenitude"; a realidade é "ativa", é "atuação", mas designou a "forma" como o princípio real mais excelente, aquele que dá conta da realidade da substância, ao atualizar a matéria-prima. A forma, contudo, é o princípio determinante da essência do real, fazendo com que o real seja "isto" ou "aquilo outro". Mas será a forma aquilo que faz o real "ser" simplesmente?

O que Tomás viu em "O ente e a essência" [ele fez a descoberta mais profunda da história da filosofia no seu primeiro texto!], é que, se a forma fosse o princípio último da realidade ou da substância, uma forma "pura" (substância separada aristotélica ou anjo bíblico) seria (estritíssimamente) divina. Mas os anjos são criados, então o seu ser, doado por Deus, não pode ser explicado suficientemente através da forma angélica, sendo necessário, portanto, supor que há um princípio ou ato mais supremo que a própria forma: esta última é o princípio da especificação da realidade (enquanto a matéria é princípio da individuação, nos seres sensíveis), mas ela é "potência" em relação a seu "ser" ou existência (não que sejam "2 coisas", como já falei no início); a forma não dá conta absolutamente da realidade (autossuficiência) de algo, mas se subordina ao princípio ou "ato de ser". Só Deus é o Próprio Ser, as demais realidades, a começar pelos anjos, "têm" ser ou "participam do ser": do ser que são, mas que não realizam de golpe, senão processualmente, e da totalidade do ser criado, e não diretamente do Ser Divino (o que seria panteísmo ou o mais sofisticado panenteísmo).

Essa distinção (ou composição) é de uma riqueza maravilhosa, mas parece que insuficientemente explorada na filosofia, mesmo pela escola tomista, que na Modernidade não valorizou este tema. Por que digo que é algo grandioso? Porque precisamente a análise desta composição é que nos permite chegar filosófica ou racionalmente ao Deus Criador e Transcendente da Bíblia!

Se lermos a "1a via" com esta chave metafísica, entenderemos que ali não se trata só de "atos" para ser "isto" ou "aquilo" (o que, no final das contas, poderia ser explicado só com o recurso às causas ou atos segundos), mas de uma comunicação do ser ou existir mesmo: "atualizar" uma potência é "realizá-la". Assim, o fogo não transmite apenas "calor" ou "quentura" à água fria, mas "realidade"/"ser" caloroso ou quente. "Atualizar" é "fazer mais real", "ativar realidade (ser)". E é porque as realidades intra-cósmicas não têm o ser por si mesmas, ou seja, elas não recebem apenas o ser "isto" ou "aquilo", mas o "ser" isto ou aquilo, que deve haver um Ato Puro ou Motor Imóvel que é o Ser Subsistente!

Não porque não possa haver uma série infinita de coisas finitas, mas porque uma infinitude de coisas finitas, e ponto, é algo sem sentido! A série (quantitativamente) infinita não poderia ter se dado o ser, justamente porque nesta série só há coisas finitas que não possuem o ser por si! Logo, sendo finita ou infinita (o que em tese seria possível, como demonstrou Tomás em "Acerca da eternidade do mundo") a série das coisas finitas, elas devem repousar num Ser qualitativamente Infinito, que possui o Ser por Si e transmite o ser (criado ex nihilo) a suas criaturas finitas, transcendendo-as, isto é, distinguindo-Se delas.

O Motor Imóvel não está no princípio cronológico das coisas, ele é seu Princípio Supremo hic et nunc.






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(*) graduação em Licenciatura em Filosofia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2000), mestrado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2004) e doutorado em Filosofia pela Universidad de Navarra, Espanha (2009), atuando principalmente nos seguintes temas: teoria do conhecimento, ontologia, filosofia da religião, antropologia filosófica, história da filosofia. 

A Modernidade em 3 ideias (tese, antítese e síntese abissal)


Joathas Soares Bello*

1) Deísmo agnóstico 

(Deus ocioso ou não Providente nem Revelador; adoração prática às leis científicas = destino ou "linguagem divina")


  • Sensualismo (“empirismo”) - Concupiscência da carne
  • Crítica da Razão Pura (→ Positivismo)
  • Revolução Industrial
  • Liberal-conservadorismo (“direita”)

Antecedente mítico: Zeus

Antecedentes pré-socráticos: Anaxímenes (a lógica explicativa da processualidade do “ar”); pitagóricos (o “número” como estruturação da realidade)

Exemplo teológico recente: racionalismo histórico-crítico; teologia da prosperidade (importa menos o dinheiro do que o bem-estar como "medida" da graça)

Exemplo político brasileiro recente: PSDB → funciona como direita (conceito/realidade sempre relativa), enquanto esta significa virtude “ordenadora” (da economia)

2) Imanentismo ateu

(“panteísmo” ou o Mundo como Deus; adoração prática à ação)


  • Conceitualismo continental (“racionalismo”) – Soberba da vida (voluntarismo)
  • Crítica da Razão Prática (→ Idealismo alemão → socialismo)
  • Revolução Francesa
  • Liberal-progressismo (“esquerda”)
 
  Antecedente mítico: Cronos

Antecedentes pré-socráticos: Tales (“Tudo é água” = Tudo é 1); Parmênides (monismo)
Exemplo teológico recente: teologia da libertação

Exemplo político brasileiro recente: PT

3) Dualismo gnóstico 

(“panenteísmo”: Deus ignorado em si e “sentido” no mundo e na carne)


  • Sentimentalismo irracionalista (“intuicionismo”) - Concupiscência dos olhos: amor ao deus Dinheiro para obter os ídolos do conforto e do poder (para adquirir mais dinheiro etc.)
  • Crítica da Faculdade do Juízo (→ Romantismo) 
  • Totalitarismos do séc. XX
  • Fascismo: “inimigo” dos liberais-conservadores e socialistas; na realidade, síntese ambidestra ou "amigo" da Indústria + Estado = comunismo efetivo e possível, que não é a utopia marxiana irrealizável; causa final da Modernidade (pela qual são atraídos inconscientemente os pensamentos e feitos modernos enquanto tais; e ao qual chegaria se a graça de Cristo não fosse prevalecer certamente no fim)

Antecedente mítico: Caos

Antecedentes pré-socráticos: Anaximandro (o “apeiron” x "injustiça" da geração); Heráclito (Logos x Devir)

Exemplo teológico: modernismo católico; teologia liberal protestante (“sentimento religioso”, “pluralismo salvífico” ou “gratificação universal”)

Exemplo político brasileiro recente: PMDB (“centro” que joga em qualquer posição)




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(*) graduação em Licenciatura em Filosofia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2000), mestrado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2004) e doutorado em Filosofia pela Universidad de Navarra, Espanha (2009), atuando principalmente nos seguintes temas: teoria do conhecimento, ontologia, filosofia da religião, antropologia filosófica, história da filosofia. 

Mandando a real

no sentido horário: Kant, Fichte, Schelling , Hegel
 
 
Joathas Soares Bello*
 
Por que a filosofia moderna e contemporânea pode parecer mais difícil que a grega e medieval (chamada injustamente de realismo "ingênuo")?

Porque seus princípios não têm base real, não correspondem a qualquer evidência ao alcance de todos (nem são auto-evidentes, isto é, também não possuem justificação metafísica).

Isso, somado ao domínio argumentativo dos filósofos (só um Peter Singer da vida às vezes erra contra a lógica formal clássica...), dá a impressão de que eles falam de algo muito complexo acima da compreensão do homem comum e "superior" à filosofia clássica; daí a necessidade de uma espécie de "iniciação", em que você precisa dominar os jargões dos filósofos, e daí também a prática incomunicabilidade das correntes filosóficas atuais, pois não partindo da realidade, mas de ficções ou construtos lógicos sem base real, não podem ter ponto de contatos e ser convalidadas.

Alguns exemplos (vou ficar só em 4 dos "maiores"):

1) Descartes


A "dúvida universal" como ponto de partida é uma impostura "evidente"; ninguém em sã consciência verdadeiramente acredita que os enganos dos sentidos, quer eventuais ou corriqueiros, são desmerecedores da verdade da realidade. Toda pessoa que raciocina minimamente deve concluir que o engano é da razão, que julga precipitadamente. Ver um vulto é ver verdadeiramente um vulto real. O problema é resolvido aproximando-se dele, não negando a realidade/verdade do vulto visto.

2) Spinoza 


conclui pelo monismo porque o modo como ele define arbitrariamente a "substância" não pode concluir outra coisa: o único conceito que não precisa depender de outro conceito para ser concebido (a confusão entre ente real e ente de razão já é um problema) é o de "totalidade". Não é uma verdade intuitiva a de que Deus=mundo, nem é auto-evidente o conceito arbitrário dele de "substância". Ou seja, ele "está roubando" desde o início da sua Ética geométrica.

3) Kant


Alegar que o "espaço" existe à parte das coisas sensíveis (meramente como forma da sensibilidade) porque só as vemos espacialmente ou porque podemos pensá-lo separado é tão obviamente insuficiente que não pode servir para justificar toda uma filosofia (que é muito útil ou tem lá sua verdade como epistemologia das ciências). É mais do que claro que também pode ser assim porque as coisas sensíveis são espaciais e porque o espaço pode ser abstraído delas! Não dá para levar tão a sério como filosofia geral uma cujo ponto de partida nem é intuitivo nem tem razão suficiente (o escandaloso é que não houvesse filósofos cristãos para mostrar isso...).

4) Hegel


Dizer que o "ser" é o "mais indeterminado" (no início da Fenomenologia do Espírito) ou que é "deveniente" (no início da Lógica) também não corresponde a qualquer visão efetiva da realidade: o conceito de "ente" não é uma abstração vazia, mas a entidade sempre é algo revestido de essencialidade ou determinação, não existe à parte desta (e vice-versa: toda essência existente é revestida de entificação ou realidade concreta). A entidade é sempre o ato ou existência real de uma essência realmente existente (a confusão de certa escolástica que pensa a "distinção real" entre ser e essência como uma combinação da existência factual com a essência lógica não deixa de ter alguma culpa na confusão hegeliana...). "Deveniente" é obviamente o ser ao alcance de nossos sentidos e intelecção primordial; daí a concluir que o Próprio Ser é assim vai uma distância infinita...




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(*) graduação em Licenciatura em Filosofia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2000), mestrado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2004) e doutorado em Filosofia pela Universidad de Navarra, Espanha (2009), atuando principalmente nos seguintes temas: teoria do conhecimento, ontologia, filosofia da religião, antropologia filosófica, história da filosofia. 

A principal lição revelada pelas delações da Odebrecht que pouca gente entendeu


Uma das facetas da elite brasileira inescrupulosa
Apesar do brasileiro médio saber que o meio político é corrupto, poucos tinham a real noção de quanto o sistema estava podre. A delação dos executivos da Odebrecht não tem paralelo na história do mundo. Podemos imaginar que o nível de corrupção na antiga URSS era até maior do que a apresentada no Brasil, pelo nível de intervenção do governo na economia e pela falta de qualquer ferramenta de controle, como um judiciário independente ou imprensa livre, mas muito pouco da corrupção foi documentada.
O caso brasileiro oferece uma oportunidade única para entender como a concentração de poder e a mentalidade estatista gera um ambiente propício para a corrupção absoluta.
A fórmula é simples: quanto mais recursos estiverem sob o controle de poucas pessoas, maior será o nível de corrupção e menor será o nível de liberdade e prosperidade num determinado país.
“O poder tende a corromper, e o poder absoluto corrompe absolutamente, de modo que os grandes homens são quase sempre homens maus.” John Dalberg-Acton
No Brasil, onde há uma carga tributária brutal, controlada na distante Brasília, além do controle estatal, direto ou indireto, de milhares de empresas, temos um exemplo perfeito de concentração de poder. O resultado não poderia ser outro.
O socialismo é a ideologia preferida pelos políticos por um motivo simples, ele requer exatamente a concentração de poder. Utilizando como desculpa o objetivo de proteger os pobres e “oprimidos”, um grupo de iluminados atribui a si o direito de decidir como a sociedade deve funcionar para corrigir os seus vícios.
O seu mantra é a desconstrução do modelo de organização social que evoluiu naturalmente ao longo de milênios de atividade humana. A tradição judaico-cristã fundou as bases morais dessa organização, pelo menos no mundo ocidental, baseado em crenças objetivas: o ser humano é fundamentalmente falho e sua existência abarca muitos outros aspectos além do mundo físico, fugindo por vezes a própria capacidade humana de entendimento. O ser humano ideal nessa ótica é aquele que tem consciência das suas limitações e falhas, buscando através do seu máximo esforço seguir um código moral que chegou até ele de uma instância superior, sabendo que dificilmente o alcance de um estágio final do seu desenvolvimento se dará nessa vida.
A visão socialista é ancorada na negação dessa realidade objetiva, com foco no materialismo e na possibilidade de moldar a sociedade da maneira que a vanguarda “progressista” desejar. Se não há uma realidade objetiva e este mundo abarca toda a existência humana, tudo seria uma “construção social”. Não existe certo ou errado, mas sim uma decisão pessoal, geralmente baseada nos instintos básicos. O sucesso ou o fracasso não é responsabilidade individual, mas sim uma consequência de uma estrutura social “opressiva”.
Se eu cometi um crime, a culpa é da sociedade, não minha. Um bandido, nesse caso, teria o mesmo valor de um homem honesto. Na verdade, o bandido, na visão socialista, está numa posição superior, pois ele foi prejudicado de alguma forma, enquanto o homem honesto deve ser honesto porque de alguma maneira foi beneficiado pela “velha” estrutura social. Se eu sou pobre, não é porque eu não consegui produzir algo valioso, ou simplesmente porque eu prefiro ser pobre, mas sim pela exploração de uma outra classe social.
A loucura chega ao ponto de negar a própria realidade objetiva de nascer biologicamente um homem ou uma mulher. Eu posso ser o que eu quiser, agir da maneira que eu quiser, e o único significado da vida é buscar a utopia socialista do paraíso socialista na Terra, não importando se tal utopia já se provou inúmeras vezes impossível de ser realizada, ou nem mesmo é muito bem definida.
Obviamente, para impor essa mudança estrutural na sociedade é necessário concentrar muito poder. Algumas pessoas que compartilham dessa visão de mundo tem de fato boas intenções, apesar de estarem erradas, mas a maioria daquelas que realmente tem o poder nas mãos sabem que tudo não passa de um engodo. Não obstante, elas mantém uma visão materialista atrelada a um alto grau de psicopatia: se não existe nada além dessa vida, eu quero ter o máximo de conforto possível e ter todas as minhas vontades realizadas, mesmo que isso represente a morte e o sofrimento de milhões de pessoas. Não é esse um resumo exato de todos os regimes socialistas na história?
O pensador que romantizou de forma mais precisa essa realidade foi George Orwell, nos seus clássicos “1984” e “A Revolução dos Bichos”.
Voltemos então à situação brasileira.
Temos uma dissecação de um sistema socialista com as delações da Odebrecht. O único objetivo daqueles que estão numa posição de poder, sejam eles políticos, empresários, jornalistas, juízes, sindicalistas, etc… é tirar algum benefício próprio, de forma legal ou ilegal, sob um manto de “democracia” e de promoção da “justiça social”.
A Constituição de 88 apresenta exatamente essa visão: a promessa é dar, no papel, direitos infinitos ao povo. Com a desculpa de dar ao povo o paraíso na Terra, é preciso cobrar desse mesmo povo impostos escorchantes e colocar tais valores nas mãos dessa vanguarda progressista, para que eles então realizem a “justiça social”.
Mais do que isso, é preciso controlar todas as atividades sociais, com um número infinito de regulações, para que a vanguarda progressista divida o poder conforme lhe convenha.
Legalmente, a imoralidade é produzida por salários garantidos à elite do funcionalismo público, usualmente sem a contrapartida de serviços prestados que justifiquem tal salário e benefícios sem fim. Ilegalmente, nós temos a relação promíscua entre políticos e empresários amigos do rei, que em troca de contratos repassam somas exorbitantes a esses políticos.
É uma lógica muito simples, se pararmos para pensar.
Num sistema assim, não existe livre mercado e aumento de eficiência que produziria maior criação de riqueza para todos. Por que a Odebrecht irá construir uma hidrelétrica pelo menor preço se ela tem o negócio garantido pelo maior preço possível? Até porque ela terá que pagar propinas para todo mundo.
Por que um funcionário público trabalhará mais se ele tem o seu emprego garantido, com salários e benefícios polpudos, mesmo se não produzir?
Por que os Correios irão buscar maior eficiência, se a empresa tem um monopólio do mercado e podem ser deficitários para sempre, já que o Tesouro irá socorrer a empresa em caso de necessidade de mais recursos?
O golpe final vem com programas como o bolsa-família, onde os políticos tiram 50% da renda dos mais pobres e jogam de volta algumas migalhas, comprando assim os seus votos.
O que aconteceu em 2014 é que o rei ficou nu. O sistema ficou inviável, onde 97% do povo sustenta a elite formada por 3% daqueles que orbitam a esfera pública, direta ou indiretamente. É verdade que no grupo dos 3% existem pessoas de bem e que fazem valer os seus vencimentos, mas infelizmente é uma minoria. No topo da pirâmide temos tipos como Lula e Renan Calheiros, que concentram um poder político e econômico inimaginável.
Não podemos afirmar que os 97% são inocentes. Boa parte é no mínimo conivente com práticas imorais, ou são criminosos mesmo. Mas não podemos esquecer que uma parte dessa postura pode ser explicada pela própria ação da elite e sua agenda de relativismo moral, implementada através das escolas e universidades, no meio cultural e até mesmo na Igreja, destruída parcialmente pela Teologia da Libertação. A Justiça também tem responsabilidade gigantesca no processo, seja pela sua lentidão, seja pela interpretação socialista das leis, transformando criminoso em vítima e vice-versa.
Esse é o quadro da tragédia brasileira.
Como sair dessa enrascada?
Não sei exatamente como, mas creio que o primeiro passo seja observar no mundo os exemplos de organização social que deram certo. E nesse sentido, salta aos olhos o exemplo americano, com base na visão dos Founding Fathers, estabelecidos pela Declaração de Independência e pela Constituição americana.
Ali fica muito clara a influência da tradição judaico-cristã, na sua passagem mais célebre:
“Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens são criados iguais, dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes estão a vida, a liberdade e a procura da felicidade. Que a fim de assegurar esses direitos, governos são instituídos entre os homens, derivando seus justos poderes do consentimento dos governados; que, sempre que qualquer forma de governo se torne destrutiva de tais fins, cabe ao povo o direito de alterá-la ou aboli-la e instituir novo governo, baseando-o em tais princípios e organizando-lhe os poderes pela forma que lhe pareça mais conveniente para realizar-lhe a segurança e a felicidade. Na realidade, a prudência recomenda que não se mudem os governos instituídos há muito tempo por motivos leves e passageiros; e, assim sendo, toda experiência tem mostrado que os homens estão mais dispostos a sofrer, enquanto os males são suportáveis, do que a se desagravar, abolindo as formas a que se acostumaram. Mas quando uma longa série de abusos e usurpações, perseguindo invariavelmente o mesmo Objeto, indica o desígnio de reduzi-los ao despotismo absoluto, assistem-lhes o direito, bem como o dever, de abolir tais governos e instituir novos Guardiães para sua futura segurança…”
Resumindo, existem direitos naturais que todo ser humano porta, dado por um Criador, entre os principais o direito a vida, a liberdade e a busca da felicidade. Governos são organizados com o consentimento dos governados e não apenas podem, mas devem ser destituídos no caso de não haver mais o consentimento dos governados, por conta de não mais garantirem os direitos naturais básicos aos governados. Não é exatamente o caso brasileiro?
Perceba que há um contraponto brutal com o ideal socialista, de relativismo moral absoluto e atribuição de poder a uma vanguarda que decidirá o caminho a ser adotado.
Mas como esse governo deve ser organizado?
Da maneira mais descentralizada possível, para que o poder seja repartido e haja um equilíbrio entre os ente federativos. Cada estado deve definir as suas leis e criar as suas forças policiais, além de instituir um Executivo e um Judiciário relativamente independentes do poder central. O presidente, assim como o Congresso são mais forças unificadoras do que centralizadoras de poder, pelo menos essa era a intenção original que foi sendo desvirtuada ao longo do tempo. Mesmo assim, hoje os EUA apresenta um grau de centralização de poder bem menor do que o Brasil, sobrevivendo à destruição gerada pela administração Obama.
Os impostos devem ser os menores possíveis, a propriedade privada é sagrada, as leis devem valer para todos os cidadãos e devem ser muito duras, especialmente para crimes graves.
O sistema político é organizado através do voto distrital, promovendo uma verdadeira representação popular. Os políticos podem sofrer recall caso não cumpram promessas de campanha. Existe uma postura ideológica, com uma definição mais ou menos clara entre direita e esquerda. Há melhor divisão entre impostos federais, estaduais e municipais, dando mair autonomia às menores unidades administrativas, promovendo uma maior fiscalização da aplicação dos recursos. O número de funcionários públicos é menor proporcionalmente que o Brasil, poucos tem estabilidade no emprego e os seus salários seguem a média da iniciativa privada, com o mesmo sistema de previdência.
O Legislativo é enxuto, custando uma fração do que é gasto no Brasil. No Judiciário, os juízes de primeira instância são eleitos pelo voto popular, precisando apenas cumprir requisitos básicos de educação para se candidatar. Os xerifes de polícia também. Juízes federais precisam ser aprovados pelo Congresso. A aprovação de juíz da Suprema Corte é realmente difícil no Senado, não uma mera formalidade como no Brasil. Não há Justiça do Trabalho, vale o acordo entre empregador e empregado.
Não existem grandes empresas estatais e o mercado é muito mais livre, impera o conceito de livre concorrência na maior parte dos casos. O nível de burocracia é reduzido, uma empresa pode ser aberta num dia. O sonho de um jovem numa faculdade é abrir uma empresa e não passar num concurso público.
Essas são algumas características que explicam como os EUA criou riqueza para todos como nenhum outro país na história.
É para esse tipo de modelo que devemos concentrar as nossas atenções na hora de reconstruir o Brasil, não em países como Cuba, um exemplo de opressão e geração de pobreza que a esquerda brasileira tanto idolatra.
Outro desafio é como implementar essa Revolução, já que não podemos esperar que os sanguessugas que escravizam o povo há décadas puxem o seu próprio tapete. Precisamos de uma elite corajosa e engajada para produzir a Revolução, mas em primeiro lugar, essa elite precisa ter os ideais corretos.


fonte: Medium

Revolução e Marxismo Cultural: Visão Histórica


"Mr. Gorbachev, open this gate. Mr. Gorbachev, tear down this wall!"

Em 1989, houve um acontecimento que mudou a história recente da humanidade: a queda do muro de Berlim. O que aconteceu, na prática, foi o suposto desaparecimento do comunismo real diante daquilo que parecia uma vitória do capitalismo ou uma vitória de dois homens específicos: o então presidente dos EUA, Ronald Reagan, anticomunista ferrenho, e o papa João Paulo II, vítima do comunismo na Polônia.
Dois anos antes da queda do muro de Berlim, em 1987, Ronald Reagan, diante do portão de Brandemburgo, em Berlim, falando a respeito do secretário geral do partido comunista Mikhail Gorbachev, pediu aquilo que todos os homens de boa vontade do Ocidente desejavam: "Mr. Gorbachev, open this gate. Mr. Gorbachev, tear down this wall!" [1].
Então, em 1989, diante da queda do muro, o capitalismo, os valores do ocidente e o Papa João Paulo II pareciam ter triunfado.
Porém, na ocasião da viagem de João Paulo II a Cuba, um jornalista perguntou a Fidel Castro como o líder cubano se sentia ao receber a visita do homem que havia derrubado o comunismo. Fidel respondeu: “eu não desprezaria assim Mikhail Gorbachev". Hoje, cada vez mais, se percebe que tudo aconteceu de caso pensado. Declarações do próprio Gorbachev e de alguns comunistas já previam a necessidade de se promover uma aparente morte do comunismo, para que o espírito e o ideal do comunismo se alastrassem no Ocidente. Os próprios comunistas compreendiam que havia uma espécie de queda de braço na guerra fria e que estavam perdendo a disputa. A guerra indicava uma vitória dos EUA, que estavam muito melhor que os soviéticos. Quando os EUA estavam vencendo a batalha militar, os comunistas se dirigiram para outro campo de batalha. Já há décadas haviam percebido que o caminho da vitória sobre o capitalismo não era o militar, mas o cultural.
Mas, como aconteceu o triunfo da linha marxista cultural, que parecia originalmente heterodoxa? No século XIX, Karl Marx defendia a ideia de que a sociedade era injusta porque explorava o trabalhador. Era necessário que através de um método revolucionário (armado), a classe trabalhadora tomasse posse do governo, implantando uma ditadura do proletariado, controlando os meios de produção. E essa ditadura seria uma ponte para uma sociedade que, ao final, seria justa, sem classes, sem governo.
Em suma, o ideal de Marx era a implantação de um paraíso terrestre, de uma sociedade justa, perfeita, através do poder criativo do mal. Marx, porém, não é a origem de tal pensamento, mas somente um porta-voz. Afirmar a força criativa do mal, do negativo, que da destruição faz surgir algo de bom é um princípio da filosofia Hegeliana. De uma antítese forte, segundo Hegel, surge uma síntese superior. Hegel identifica uma espécie de injustiça com o mal, com o negativo, que foi demonizado, exorcizado, criando imobilismo e falta de vitalidade. Hegel traz para a filosofia algo que já era enxergado e defendido pela arte, pelo romance [2] .
“Dê asas à maldade e acontecerá algo de bom". Foi o que Hegel propôs com a sua dialética. Marx levou tal conceito à prática. No caso de Marx e da revolução armada, a luta seria suprassumida, levada para cima. Matar, destruir, hostilizar a civilização, trazer abaixo a ordem foi o caminho adotado (ou proposto) por ele para a produção de uma ordem superior. E esse mesmo princípio é o que governa a vida de muitos sacerdotes e muitos bispos, dentro da própria Igreja hoje. Muitos fazem automaticamente coisas que não sabem de onde vêm [3] .
É preciso que desde o início estas realidades fiquem claras, para que se consiga distinguir claramente qual o papel que cada personagem desempenha na Igreja. Uma pessoa só pode ser julgada a partir das coisas que combate. Se alguém diz que é a favor dos pobres, dizendo que ama a justiça social, o único critério para verificar se está dizendo a verdade ou não é analisar o que irá combater: se combate tudo o que há de sagrado, como a liturgia do Missal, a disciplina do Código de Direito Canônico e a doutrina do Catecismo da Igreja Católica, percebe-se, claramente, uma realidade diversa daquela que é apresentada costumeiramente. Uma coisa é a propaganda que é feita de si mesmo, outra é o verdadeiro intento de cada pessoa em seu agir cotidiano.
Um exemplo pode ser encontrado numa pessoa que declara seu amor à verdadeira tradição da Igreja e não à “tradição engessada" de Trento; que afirma amar os santos, mas somente os que são “comprometidos"; que diz amar a liturgia, mas a liturgia “inculturada", capaz de “falar" ao povo. Na realidade, em todos os casos citados, é necessário entender que existe um princípio de ação marxista, que permeia todos os comportamentos: é o princípio do negativo, do destruidor, que busca por abaixo toda a estrutura vigente para que uma “melhor" seja erigida [4] .
O papa Bento XVI recentemente esteve na Alemanha, no Congresso Nacional (Bundestag) e dirigiu uma palestra aos parlamentares de seu país. Foi aplaudido efusivamente de pé por quase todos os congressistas, exceto por um pequeno número de pessoas, de um determinado partido. Em suas palavras conclusivas o papa disse:
"A cultura da Europa nasceu do encontro entre Jerusalém, Atenas e Roma, do encontro entre a fé no Deus de Israel, a razão filosófica dos Gregos e o pensamento jurídico de Roma. Este tríplice encontro forma a identidade íntima da Europa. Na consciência da responsabilidade do homem diante de Deus e no reconhecimento da dignidade inviolável do homem, de cada homem, este encontro fixou critérios do direito, cuja defesa é nossa tarefa neste momento histórico" [5].
Segundo Bento XVI, é necessário defender a fé cristã, o direito romano, a filosofia grega porque existe um movimento revolucionário que está derrubando (ou já derrubou) estas três colunas da civilização ocidental. O papa professa publicamente que é necessário reerguê-las. É preciso, porém, deixar claro quem quer e por que quer destruir estas colunas.
Hegel e Marx, como já apresentando, colocam a realidade do trabalho do negativo. Marx, por exemplo, quer, através de um trabalho de destruição, trazer abaixo uma ordem e um sistema que, segundo ele, oprimia o trabalhador. Marx profetizou uma sociedade justa, sem classes, sem governo, dizendo que isso aconteceria por uma revolução dos trabalhadores. Previa que os trabalhadores iriam sofrer tanto debaixo da pressão dos capitalistas que, mais cedo ou mais tarde, haveria tanto conflito a ponto de estourar uma revolta [6] .
Sua obra O manifesto do partido comunista termina com um convite para a união dos proletários. Imaginava que os trabalhadores dos diversos países da Europa iriam se unir contra os capitalistas, impondo uma ditadura do proletariado. Isso, porém, nunca aconteceu. Apesar de ter acontecido uma guerra (I Guerra Mundial), os trabalhadores não se uniram para lutar contra os proletariados, mas para lutar contra outros trabalhadores.
Depois da I Guerra Mundial, o marxismo estava em plena crise teórica: como foi possível a união dos trabalhadores para matar outros trabalhadores, buscando defender os interesses de seus patrões? Quem os alienou?
Marx, de certa forma, já havia encontrado a “solução" em uma de suas frases mais conhecidas: a religião é o ópio do povo [7]. Marx havia entendido que havia um fator cultural que alienava o povo. Porém, não conseguiu elaborar tal pensamento de forma adequada.
Tal elaboração será feita por dois filósofos, de forma independente, um húngaro, Georg Lukács e o outro italiano, Antonio Gramsci (que teve seu método acolhido pelos marxistas culturais). Quando terminou a I Guerra, diante da grande crise teórica do marxismo, para Gramsci e para os marxistas culturais, o grande adversário a ser derrubado mostrou a sua face: a ética judaico-cristã, a filosofia grega, o direito romano, eram como que uma espécie de veneno que alienava as pessoas, impedindo os trabalhadores de lutarem de forma revolucionária.
Gramsci esteve na URSS, durante a década de 20. Presenciou a tentativa de Lênin de estabelecer as bases do estado soviético. Viu também quando Stálin tomou as rédeas do partido, matando vários dissidentes comunistas (Trotsky, por exemplo). Viu que o comportamento de Stálin era a aplicação prática da filosofia de Hegel. Gramsci pôde compreender que era necessário destruir, trazer abaixo a cultura ocidental, mas que não haveria solução pelo caminho stalinista. Era preciso implodir as três colunas do Ocidente, lentamente, anonimamente, gradualmente. Na técnica gramsciana, nada pode ser ostensivo, tudo deve ser feito disfarçadamente, com o veneno sendo ministrado ao paciente como se fosse um remédio, como se fosse o medicamento de sua salvação. Em outras palavras, é necessário destruir a cultura ocidental em nome da dignidade e da liberdade do homem. Em nome da liberdade, cria-se a ditadura. Em nome dos Direitos Humanos, cerceiam-se os direitos do homem.
Uma coisa é aquilo que o marxismo cultural alardeia, outra coisa é o que ele verdadeiramente busca fazer. Em nosso país, um exemplo disso é a aprovação do “casamento" homossexual. Tudo foi feito em nome da dignidade humana, pois os homossexuais não podem ser oprimidos, têm direitos, não podem ser vítimas de um olhar preconceituoso.
O objetivo, na realidade, é a destruição da família, pois para o pensamento marxista a família é um valor burguês, uma desgraça que precisa ser extinta, já que está baseada em elementos que impedem a revolução: a propriedade privada (bens passados para herdeiros, perpetuação da propriedade privada), a opressão patriarcal (o homem é maior do que a mulher, não há igualdade) e a ética sexual burguesa. Só como exemplo, numa relação homossexual existe uma clara afronta à ética sexual cristã, uma violação ao patriarcalismo ocidental, não há herdeiros. A propaganda é a defesa dos direitos dos homossexuais, mas o interesse verdadeiro é a destruição da família. Como o povo está alienado, com um pensamento cristão muito arraigado, é necessário entrar em sua consciência e arrancar à força os valores “burgueses" que impedem a revolução. Mais uma vez, o caminho é olhar para o que é combatido, não para aquilo que pretensamente é defendido.
Esta introdução buscou colocar uma visão panorâmica do que é marxismo cultural. Marx quis implantar uma sociedade nova aqui na terra. Gramsci mostrou que os meios para tal empreendimento são os culturais, já que os métodos armados não deram certo. O que Gramsci propõe é a mudança do interior das pessoas, pois somente assim acontecerá verdadeiramente o início da nova sociedade. É necessário aculturar as pessoas, acabar com a cultura de cada uma delas.

Referências

  1. “Senhor Gorbachev, abra este portão! Senhor Gorbachev, derrube este muro!". Discurso proferido diante do portão de Brandemburgo no dia 12 de junho de 1987. O vídeo pode ser conferido em: http://www.youtube.com/watch?v=5MDFX-dNtsM.
  2. Isso pode ser conferido no romance Fausto, de Goethe, no momento em que Mefistófeles, o demônio, apresenta-se ao protagonista: “Fausto: Pois então, quem és tu? Mefistófeles: Eu sou uma parte dessa força que deseja sempre o mal e sempre cria o bem". (GOETHE. Fausto. Quadro IV, Cena II. Segundo o original: Fausto: Nun gut, wer bist du denn? Mephistopheles: “Ich bin ein Teil von jener Kraft, die stets das Böse will und stets das Gute schafft".)
  3. Nesta série de palestras, será necessário tomar uma decisão: ser um teólogo da Libertação competente, buscando fazer um trabalho de destruição dentro da própria Igreja; ser alguém fiel à Igreja, à Tradição e ao papa. Este material pode ser utilizado para o bem, sabendo o que se deve fazer para evitar o mal; ou então, ser utilizado para o mal, conscientemente usado para destruir a Igreja.
  4. Infelizmente, o princípio da destruição parece estar presente dentro da Igreja. Muitas pessoas creem que quanto mais forem devassas, quanto mais destruírem a moral tradicional, mais promoverão o amor; quanto mais caluniarem, quanto mais destruírem a vida dos outros, tanto mais implantarão o reino de Deus; creem que quanto mais criarem desordem e profanarem o sagrado, tanto mais servirão à causa de Deus. Vivem, portanto, de acordo com o princípio da destruição.
  5. Bento XVI, Discurso na visita ao Parlamento Federal no Palácio do Reichstag de Berlim, proferido no dia 22 de setembro de 2011. O discurso está disponível em http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/speeches/2011/september/documents/hf_ben-xvi_spe_20110922_reichstag-berlin_po.html
  6. Para dar maior fundamento às suas teorias, Marx consultou dados relativos aos trabalhadores nos “Blue books" ingleses, forjando, porém, os dados coletados.
  7. Numa época em que havia grandes dificuldades para se amenizar uma dor lancinante, o ópio era uma possibilidade alucinógena para fugir da dor.

fonte: Revolução e Marxismo Cultural: Visão Histórica

Consciência do Eu: O Brasil não é mulato nem o Nordeste é Salvador; ou: o Brasil Ibérico, caboclo e indígena e a política de cotas






Recentemente, houve uma polêmica em torno da escolha dos brancos Fernanda Lima e Rodrigo Hilbert como apresentadores do sorteio da Copa, deixando de lado os mulatos Camila Pitanga e Lázaro Ramos. O imbróglio revela a um só tempo a força do movimento negro e o preconceito e discriminação a que todos os cidadãos brasileiros que não são afrodescendentes podem sofrer nesses tempos de politicamente correto e de imitação das neuras estadunidenses nesse lado de cá do hemisfério. Esta discriminação assume um aspecto ainda mais feroz porque não se restringe ao campo jurídico, não diz respeito apenas ao estabelecimento de leis que dificultam a vida de indivíduos de etnias diversas, mas porque estabelece um discurso de classificação racial alheio à realidade do país, importado dos conflitos raciais da América do Norte, e que apaga da memória oficial ou menospreza elementos cruciais da formação nacional.

Um promotor, ao opinar sobre o a escolha realizada no sorteio, afirmou que os atores mulatos ''representam melhor a composição étnico racial do povo brasileiro.''[1]Onde, mizifio? Segundo o censo do IBGE, mais da metade da população desse país que o promotor citado desconhece se declara branca [2]. Esse pessoal não pode ser representado por causa de quê? Lá na festa da FIFA escolheram Olodum, Maragareth Menezes, Alcione, Vanessa da Mata, Alexandre Pires para que apresentassem a música brasileira. Ninguém buscou representar o som regional do Centro Oeste ou do Sul do país, por exemplo. Não vejo ninguém querendo abrir investigação por causa disso. 

Se a desculpa pela preeminência de figuras negras entre os artistas selecionados se dá por causa da realização do sorteio em Salvador, não custa lembrar que a população cabocla é tão ou mais significativa no Centro Oeste, Norte e Nordeste do país do que a de pretos e mulatos. O IBGE usa cinco classificações étnico/raciais nas estatísticas oficiais: brancos, amarelos, negros, indígenas e...pardos. Os pardos incluem todos os mestiços, que são tradicionalmente designados no país com termos diferentes para se fazer referência à sua ascendência: mulatos, caboclos, cafuzos. No Sudeste, o mestiço predominante é o mulato, e assim também ocorre em algumas cidades de Goiás e em Recife e Salvador -- estas últimas foram capitais nordestinas muito marcadas pela importação de africanos. Mas nas demais regiões brasileiras -- Sul, Norte, Centro-Oeste e Nordeste --, um dos tipos mestiços mais comuns, quando não o dominante, é o caboclo. Toda essa massa é escondida pelas pesquisas oficiais de cor do brasileiro porque são empurrados para o rótulo de ''pardos'', e este, por sua vez, é sinonimizado nas políticas públicas e na mídia com a figura do afrodescendente. Será que ainda se ensina nas escolas do Sudeste que grande parte dos mestiços desse país não tem ascendência africana? Pra essa gente, só se é brasileiro típico se você possuir algum pé na África, pouco importando se este gene africano é minoritário, irrelevante ou inexistente no fenótipo ou cultura de setenta por cento da população desse país [3]




O problema se torna ainda mais nítido quando se sabe que boa parte dos autodenominados brancos no Brasil são mestiços e, principalmente, caboclos. Para a Cultura Amazônica, nordestina [o típico nordestino do sertão, da caatinga], campeira e pecuarista, do peão e do pequeno agricultor do interior, da viola, do catolicismo arraigado, as marcas do africanismo são ou pequenas ou subordinadas a outros elementos étnicos [4]. E ainda assim o IBGE, a mídia, e as políticas públicas oficiais as impõem a todo este contingente populacional que se espraia pela maior parte do território nacional. 

No fundo, a importação dos dilemas do movimento negro estadunidense para estas regiões da América provocaram, para além de consequências positivas cá e acolá para pretos e mulatos, mais um ciclo de dominação do Brasil costeiro e voltado para USA e Europa sobre o Brasil profundo, e um afastamento em relação a muito do que nos une e aproxima dos vizinhos sul-americanos, que possuem uma herança fortemente indígena em sua constituição cultural e racial. [5]


o podemos nos esquecer também que, se é verdade que não somos herdeiros culturais e raciais dos vikings, também é verdade que fomos colonizados por um povo branco e europeu [com pitadas cá e lá doutros povos também brancos e europeus], que estabeleceu nestas florestas o cerne daquilo que em nós é civilização. Fingir que essa matriz civilizacional portuguesa, branca e católica-romana não existe é se tornar cego para a própria realidade que chamamos Brasil, que é, pra falar o óbvio ululante, herdeira da interiorização pela América Portuguesa de noções e esquemas de poder e sociedade metropolitanos.

E aqui se insere a questão da política de cotas que tomou conta do país. Sou contra cotas baseadas no critério de raça por vários motivos, sendo o principal deles a apropriação das dita cujas por movimentos organizados, de matiz africanista, importados do estrangeiro, e que moldam não só o debate racial, como são também racistas, se não sempre em teoria, quase sempre na prática, o que tem consequência deletérias para diversos grupos étnicos brasileiros, que somem de vista em um verdadeiro ''apagão histórico-racial'', além de impulsionar uma ''americanização'' da forma como a sociedade brasileira se percebe. Não falo do muxoxo de loiros da Barra da Tijuca, mas da sacanagem feita com caboclos e indígenas e do sufocamenteo do Brasil, esse país ibérico. Last but no least, a abordagem racialista muitas vezes distorce o verdadeiro problema, que é a imensa concentração de renda do país, e que seria melhor combatido com uma sistemas de cotas fundamentadas em critérios sócio-econômicos.



O Brasil parece querer provar ao mundo que, com o tempo, é possível conhecer cada vez menos de si mesmo.



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[3] ''Resumidamente, eis as conclusões do grupo de geneticistas: a quase totalidade dos genes dos brancos brasileiros de hoje herdados por via paterna vieram de portugueses; já no que respeita ao que foi recebido pela linhagem materna, 60% veio de índias e negras. O trabalho será publicado na edição de abril da revista Ciência HojePara Sérgio Pena, a surpresa maior foi encontrar tamanha contribuição ancestralidade indígena na população branca. "Todo mundo no Brasil já aceita o fato de que nós somos mestiços, mas não com índios", diz. [...] Entre os homens não houve grande surpresa. Nada menos do que 98% dos haplótipos encontrados por Sérgio Pena e seus colaboradores (Denise Carvalho-Silva, Juliana Alves-Silva, Vânia Prado e Fabrício Santos) são atribuíveis a uma origem européia, particularmente a portugueses (que possuem uma fisionomia genética própria por conta da influência moura, ou norte-africana). A comparação foi estabelecida com auxílio de uma amostra de 93 homens portugueses, fornecida pelo geneticista Jorge Rocha, da Universidade do Porto. [...] Bem diferente é o panorama da genealogia colonial oferecido pelas linhagens maternas, ou seja, pelos polimorfismos do mtDNA. Nesse caso, a distribuição é bem mais uniforme: 39% de contribuição européia, 33% de indígena e 28% de africanas.'' http://www.online.unisanta.br/2000/04-01/ciencia3.htm.  
Ver também: http://www.icb.ufmg.br/labs/lbem/pdf/retrato.pdf

[4] http://www.youtube.com/watch?v=pjiNMoh7L5Q 
Ver também Darcy Ribeiro na obra ''O Povo Brasileiro'': ''Só assim se explica, de resto, o próprio fenótipo predominantemente brancóide de base indígena do vaqueiro nordestino, baiano e goiano. Tais características têm sido interpretadas, por vezes, como resultado de uma miscigenação continuada com grupos indígenas dos sertões. A hipótese parece historicamente insustentável em face da hostilidade que se desenvolveu sempre entre vaqueiros e índios, onde quer que se defrontassem. Disputando o domínio dos territórios tribais de caçadas para destiná-los ao pastoreio e lutando contra o índio para impedi-lo de substituir a caça que se tornara rara e arredia nos campos povoados pela nova e enorme caça que era o gato, os conflitos se tornavam inevitáveis. Acresce que a suposição é desnecessária, porque partindo de uns poucos mestiços tirados das povoações da costa --e aos quais não se acrescentou nenhum contingente imigratório branco ou negro -- teríamos, natural e necessariamente, pelo imperativo genético da permanência dos caracteres raciais, a perpetuação do fenótipo original. Tudo isso parece ser verdade. A antropologia, porém, nega a história, mostrando a cabeça chata enterrada nos ombros, que não pode vir do nada. É inevitável admitir que, roubando mulheres ou acolhendo índios nos criatórios, o fenótipo típico dos povos indígenas originais daqueles sertões se imprimiram na vaquejada e nos nordestinos em geral. 

[5] Vide a influência do nheengatu como língua geral da América Portuguesa até o século XVIII, e que está na base de boa parte do modo de falar do ''caipira'': ''Caipira é aquele que fala o dialeto caipira. É português, mas com palavras tupi e sotaque da língua brasileira. A língua brasileira é o nheengatu, que existiu no Brasil até ser proibida por Portugal, no século 18. Seu nome parece coisa de índio, e é. O nheengatu incorpora a fala dos índios tupi, que ocupavam o litoral brasileiro. Na verdade, até hoje, quem se refere ao Ibirapuera, fica jururu, come abacaxi ou se pendura num cipó está se expressando nessa língua. Há algum tempo, quando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso usou a expressão "chega de nhémnhémnhém", estava falando puro nheengatu. No Brasil Colônia, era falada fluentemente em uma grande área do País, que ia de Santa Catarina ao Pará. A elite também se expressava por meio dela, embora não em todos os setores. Durante os processos, o juiz dispunha de um intérprete. "Tivemos uma língua brasileira até o século 18", diz o professor José de Souza Martins, do Departamento de Sociologia da Faculdade de Filosofia da USP. "Só os portugueses, que eram estrangeiros, falavam português." A língua foi criada no século 16 pelos jesuítas, destacando-se o Padre Anchieta. O fundador de São Paulo era lingüista. Para se entender com os nativos, classificou o tupi e criou uma gramática da língua geral. Ou seja, o nheengatu. "Uma língua de travessia, não é português, nem índio, eram ambas", diz Martins. O português, nesse caso, era o que hoje chamamos arcaico. Convidava-se uma dona para uma função, em vez de uma senhora para um baile. E dizia-se coisas como agardece (agradece), alevantá e inorância. Os índios tinham dificuldade em falar palavras portuguesas como os verbos no infinitivo. E também palavras com consoantes dobradas (rr) ou terminadas em consoante. Além disso, colocavam vogal entre consoantes. Mulher, colher e orelha viraram muié, cuié e oreia. De sua dificuldade com o "erre", vem o "pooorta", reflexivo, com a língua tocando o céu da boca. Martins esclarece que "o dialeto caipira não é um erro, é uma língua dialetal". Mais do que isso: "É uma invenção lingüística musical e social." Os brasileiros viviam muito bem com ela, até que, no reinado de d. José I (1750 a 1771), Portugal a proibiu. O veto veio em um decreto do primeiro-ministro, o Marquês de Pombal. Bania o ensino do nheengatu das escolas. A decisão foi acatada nas salas de aula, mas o povo continuou falando no dialeto caipira. O tempo acabou por impor o português, mas o dialeto puro resiste. Ainda é falado em alguns pontos da fronteira com o Paraguai. E, em São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, a 860 quilômetros de Manaus, uma lei de 2002 tornou o nheengatu língua co-oficial do município. Na contramão do decreto do marquês, determina que seja incentivado seu ensino nas escolas, e o uso nos meios de comunicação (o tucano e o baniva também se tornaram línguas co-oficiais). E ficou o "caipirês" da roça. Por essas bandas, ensina Martins, a língua se multiplica. "Quando o novo aparece, o caipira inventa, a partir da matriz da palavra, algo que tem sentido para ele." Há certo tempo, Martins e um grupo de estudantes apresentaram questões a algumas pessoas. Perguntaram a um homem: "Você concorda ou não concorda?" O homem não entendeu. A pergunta foi sendo repetida, sem sucesso, até que um dos estudantes mudou a forma: "Você concorda ou disconcorda?" Deu certo.'' [http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,sotaque-vem-do-nheengatu-a-lingua-brasileira,160205,0.htm]

fonte: Consciência do Eu
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