A Garota Dinamarquesa é um disparate. Eu falo com conhecimento de causa. Fui uma mulher transgênero.


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Por vezes eu me senti como se estivesse encurralado escutando uma interminável conversa de vendedor de pacote turístico. Quando acabariam aquelas frases de efeito tão previsíveis?
A Garota Dinamarquesa está cheio de sentimentos fofos e pegajosos projetados para convencer heterossexuais “homofóbicos” ou “transfóbicos” de que as voltas e reviravoltas na vida de um transgênero são na verdade uma busca saudável e corajosa pelo seu verdadeiro eu. O filme transborda tópicos batidos do discurso LGBT. Num momento chave, o personagem principal exclama: “Eu finalmente sou quem eu sou!”
A Garota Dinamarquesa, baseado num romance homônimo de David Ebershoff e dirigido por Tom Hooper, conta a história de Lilli Elbe, um dos primeiros beneficiários da cirurgia de mudança de sexo. O filme apresenta Eddie Redmayne no papel de Einar Wegener/Lilli Elbe, a emergente transgênero feminina. Alicia Vikander coestrela como Gerda, sua esposa devota, que ama seu marido profundamente e permanece fiel a ele ao longo dos anos de sua espiral descendente.
Embora as atuações sejam boas, o filme, em última instância, não passa de uma ferramenta de marketing LGBT.  É verdade que as pessoas transgênero estão sofrendo. Mas o que o filme não aborda é que, muito frequentemente, pacientes transgênero continuam sofrendo mesmo depois da cirurgia, porque seus problemas psicológicos permanecem não tratados. Eu sei disso por experiência própria, pois já fui uma mulher trangênero e me arrependo muito de ter feito a cirurgia de mudança de sexo.
O Enredo
O filme se passa na Dinamarca nos anos 1920. Quando o vemos pela primeira vez, Einar, o marido, é um pintor de paisagens estável e brilhante com algum sucesso no mundo das artes. Ele não denota qualquer traço de insatisfação com seu gênero nem tendência homossexual. Gerda, também artista, é uma mulher atraente que ama seu marido, mas luta para ganhar reconhecimento como artista. Eles parecem um casal apaixonado comum.
As coisas começam a ficar estranhas quando Gerda precisa de um modelo feminino para terminar uma pintura. Gerda pede a Einar para ajudá-la posando como mulher. Obviamente, essa é a primeira vez que Einar faz isso: ele precisa da ajuda da esposa para vestir as meias finas de náilon. Einar desliza seus pés para dentro das sandálias femininas, rendilhadas e muito pequenas, e adota uma pose feminina para a pintura. Ele é um ajudante relutante, contudo sucumbe de bom grado aos desejos de Gerda. Eles fazem disso um jogo divertido – um jogo que termina indo longe demais.
Gerda se deixa envolver pelo entusiasmo de Einar ao posar como mulher. Ela encoraja a fêmea em ascensão, a quem eles provocadoramente chamam de Lilli, a ser amável e bonita. Gerda descobre sua paixão artística inexplorada enquanto o desenha e ele, por sua vez, é seduzido pelos desenhos de si mesmo como mulher. O gatilho está puxado. Einar se apaixona por sua aparência quando vestido de mulher. Isso não é transsexualismo, mas um fetiche sexual, impulsionado pela energia e entusiasmo que Gerda, inocentemente, inculcou nele. Einar passa a vestir-se de mulher às escondidas e a explorar o fascínio sexual de si mesmo usando trajes de suaves e macios tecidos.
O termo médico para o comportamento de Einar – um homem que se excita sexualmente com a ideia de ser ou tornar-se uma mulher – é “autoginecofilia”. Einar troca seu amor marital pela esposa por um amor próprio, um amor à sua imagem refletida no espelho e nas telas. A encenação atinge um novo nível quando, por alguma razão, Gerda encoraja o marido a acompanhá-la a uma mostra artística vestido de mulher. Gerda põe uma peruca em Einar, passa maquiagem nele e escolhe um vestido. Gerda ensina-o a andar e atuar como uma mulher. Na noite da festa, Gerda desfruta do entusiasmo de usar o disfarce de Einar para enganar seus conhecidos, até que pega o marido num beijo romântico com um homossexual. Lilli está às portas, dando giros de pura alegria, quando Gerda finalmente percebe o que havia provocado.
Gerda não sabe o que fazer com Lilli, cujas aparições não desejadas e inesperadas estavam se tornando cada dia mais frequentes. Gerda acaba aproximando-se de um amigo de infância de Einar, com o qual Einar havia perdido contato. Quando ela diz a Einar que seu amigo quer vê-lo, Einar conta a ela sobre um incidente há muito esquecido de sua juventude, quando seu amigo lhe havia dado um beijo porque o achara “tão lindo.”
O filme avança incansavelmente mostrando cada passo do surgimento de Lilli, o completo desaparecimento de Einar e a angústia, a solidão e a frustração de sua esposa abandonada, que lamenta a perda do homem que outrora fora seu marido. Ver a angústia da mulher faz-me lembrar outro filme, Uma mente brilhante, em que uma esposa vê, impotente, seu marido afundar cada vez mais profundamente em sua doença mental.
Paralelos com a minha vida
A experiência da minha primeira infância despertou em mim os mesmos desejos que despertaram em Einar. No caso de Einar, a experiência de infância que influenciou sua vida posterior ocorreu quando seu companheiro de brincadeiras o beijou porque ele lhe pareceu “tão lindo.” No meu caso, tive uma avó que secretamente me vestia de menina desde meus quatro anos. Ela costurava vestidos especialmente para mim, vestia-me e me dizia que eu ficava lindo quando os vestia para ela.
Como Einar, eu me casei como uma mulher e vivi como um homem. Como Einar, eu me vestia secretamente de mulher e às vezes até saía em público trajando roupas femininas. Eu também me sentia revigorado pela experiência. Depois de algum tempo, meu desejo de ser mulher tornou-se mais forte, e senti que não tinha outra chance a não ser me transformar em “Laura” (o nome de minha persona feminina) para “ser quem eu sou.” Como Lilli, eu queria matar minha identidade masculina para que Laura pudesse viver. Foi por isso que me submeti a uma transformação cirúrgica total.
Lilli não teve a oportunidade de viver como um transgênero feminino para saber se viver a vida como uma mulher preencheria suas expectativas e lhe seria útil em seu caminho rumo à paz. Ela morreu de uma infecção alguns dias depois de sua segunda operação de reconstituição. Hoje, as técnicas empregadas na cirurgia de mudança de sexo não constituem particularmente um risco à vida. Depois de fazer a cirurgia, eu vivi como transgênero feminino por oito anos, alguma parte desse tempo trabalhando e vivendo em São Francisco. Logo depois da cirurgia, assim como Einar, fiquei muito alegre por finalmente ter feito a mudança. Mas o entusiasmo logo passou.
Com o tempo, eu descobri que a vida como mulher poderia não me dar paz. Para meu desgosto, eu continuava oscilando entre Walt e Laura, às vezes muitas vezes num único dia. O que quer que tenha me levado a mudar minha identidade de gênero, isso não foi resolvido com a cirurgia de mudança de sexo nem com viver a vida como uma mulher. Eu continuei buscando por uma resposta.
Um retrato (parcialmente) fiel
O filme retrata de maneira precisa os profundos problemas emocionais e psicológicos que as pessoas transgênero vivenciam, ilustrando como esses problemas são difíceis de diagnosticar e tratar. Ele fez um bom trabalho ao mostrar como o desconforto com relação ao gênero pode partir de um incidente aparentemente pequeno na infância e, então, na vida adulta, evoluir para um desconforto profundo que, por fim, leva à cirurgia de mudança de sexo.
O público vê como Einar progride de uma relutância em vestir-se de mulher para ajudar a esposa com suas pinturas a sentir-se sexualmente atraído pela ideia de usar roupas femininas, a sentir prazer em ser Lilli e, por fim, a rejeitar sua identidade masculina como Einar e seu casamento com Gerda. Lilli deseja ardentemente a cirurgia genital, mesmo que isso ponha sua vida em risco. Imediatamente após a cirurgia, ela parece verdadeiramente feliz com sua decisão.
A maioria das pessoas transgênero diria que isso realmente ocorreu em suas experiências; de fato, eu vi a mesma progressão em minha vida. Contudo, como Lilli morreu depois da segunda cirurgia, o filme só consegue retratar os anseios anteriores à transição e o efeito imediato da cirurgia, não os resultados a longo prazo na vida pós-mudança de sexo. No meu caso, a mudança prometia uma vida boa, mas depois que a euforia inicial passou, só me restou desespero. Até eu decidir deixar de viver como Laura e fazer o que fosse preciso para voltar a ser Walt, não consegui ficar em paz. Abrir-me para restaurar minha masculinidade mudou tudo.
Quando um diagnóstico correto de meu transtorno dissociativo foi feito, o primeiro tratamento efetivo pôde começar. Isso levou muitos anos, mas eu persisti no tratamento do transtorno dissociativo, e meus sentimentos de querer ser mulher foram se dissolvendo até terem o completamente embora. Eu percebi que a cirurgia de mudança de sexo não fora necessária, mas já era tarde. Meu corpo fora mutilado de maneira irreversível.
Transtornos geram transtornos
O diagnóstico habitual para pacientes que se identificam como transgêneros é “disforia de gênero.” De acordo com o DSM-5 (a última edição do Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais), a disforia de gênero é caracterizada por uma acentuada incongruência entre o gênero experimentado/expressado por alguém e seu sexo biológico, com duração de pelo menos seis meses. Embora não se fale muito sobre isso, estudos mostram que uma maioria de pacientes transgêneros sofrem de outros transtornos comórbidos (coexistentes).
O filme mostra muito claramente os transtornos comórbidos de Einar. Primeiro, vemos a eclosão de uma autoginecofilia, transtorno sexual no qual Einar torna-se o objeto de sua própria afeição na identidade de Lilli. Depois de ser alimentado e satisfeito por um tempo, esse transtorno se incrementa até dar origem a uma obsessão narcisista por autogratificação à custa de seu relacionamento com a esposa.
Vemos emergir em Einar o desejo de se tornar uma mulher quando sua esposa Gerda o pinta tão belamente. O anseio transforma-se em obsessão. Suas novas e poderosas emoções mudam sua visão de si mesmo como homem. E, por fim, Lilli se dissocia de Einar, de forma que duas personae passam a existir dentro de uma. Isso é chamado de transtorno dissociativo. Irreprimida, Lilli toma controle total e transforma Einar em mera tela onde se imprime a pintura de Lilli, a mulher.
Lilli diz que Einar está morto, que se foi. Essa declaração demonstra um transtorno e não uma realidade, pois é Einar quem está ali falando. Eu fiz declarações simulares sobre Walt. Falava que queria que Walt morresse e tivesse um funeral apropriado, para que Laura pudesse viver livre de Walt. Esse é o discurso de uma mente transtornada. Na realidade, eu também tinha um transtorno comórbido.
Os criadores de A Garota Dinamarquesa estão claramente tentando vender a ideia popular de que, durante toda a sua vida, Einar tinha uma garota presa dentro de si. Não se deixe enganar pelo “papo de vendedor.” Olhe um pouco mais de perto e perceberá uma série de transtornos mentais mal interpretados e não diagnosticados que levaram Einar a tornar-se Lilli, a mulher transgênero. Pessoas transgênero não nascem assim; elas se transformam a partir de experiências que moldam suas emoções e desejos.
Prestando os devidos cuidados psiquiátricos
No final do filme, enquanto passavam os créditos, eu me virei para a senhora de meia idade ao meu lado e lhe perguntei o que ela achava. Ela respondeu: “Pareceu-me propaganda! Vivo em um bairro onde pessoas que precisam de cuidados psiquiátricos vagam pelas ruas, mas ninguém está lá para ajudá-las.”
De certa forma, essa descrição se aplica às pessoas transgênero também: todas elas precisam dos devidos cuidados psiquiátricos, mas frequentemente não têm ninguém para ajudá-las. Mais de 60% dos pacientes com disforia de gênero sofrem de transtornos comórbidos. Geralmente, dentre eles incluem-se transtornos psicológicos e psiquiátricos como a dissociação, fetiches sexuais como a autoginecofilia e transtornos de humor como a depressão. Em praticamente todos os casos, esses transtornos podem ser resolvidos sem qualquer intervenção cirúrgica se os pacientes receberem o tratamento adequado, incluindo psicoterapia e medicação.
Uma pesquisa feita em 2011 apontou que 41% das pessoas transgênero relataram já ter tentado suicídio ao menos uma vez na vida. Descontentamento e suicídios foram primeiro relatados em 1979 por um médico na clínica de Harry Benjamin, o endocrinologista Charles Ihlenfeld. Depois de seis anos administrando uma terapia hormonal de mudança de gênero a quinhentos pacientes transgênero, o dr. Ihlenfeld disse que 80% das pessoas que desejavam uma cirurgia de mudança de sexo não deveriam fazê-la. A razão? Os altos índices de suicídio após a operação entre a população transgênero. E o que é ainda mais impressionante: o dr. Ihlenfeld afirmou que a cirurgia de mudança de sexo nunca pretendeu ser um tratamento que ofereceria uma solução para toda a vida, mas apenas um adiamento, algo temporário.
Embora suas intenções possam ser boas, muitos ativistas que lutam pela aceitação dos transgêneros acabam, na verdade, impedindo que as pessoas transgênero consigam a ajuda de que precisam. Como os transtornos mentais coexistentes não são tratados de maneira adequada, é provável que os altos índices de suicídio entre a população transgênero continuem assim.
Em uma cena de A Garota Dinamarquesa, um especialista diagnostica Einar com esquizofrenia paranoide. Antes que o médico retorne com uma equipe para encarcerá-lo, Einar compreensivelmente foge, com medo do tratamento desumano que o esperava.
Eu anseio pelo dia em que a prática atual de apoiar a cirurgia de mudança de sexo para todos aqueles que expressam insatisfação com seu gênero de nascença será igualmente vista como algo desumano.
Walt Heyer é um autor e conferencista com uma paixão por ajudar outras pessoas que se arrependeram da mudança de gênero. Em seu website, SexChangeRegret.com, e em seu blog, WaltHeyer.com, Heyer desperta a consciência do público sobre a incidência de arrependimento e sobre as trágicas consequências sofridas como resultado. A história de Heyer pode ser lida no romance Kid Dakota and The Secret at Grandma’s House e em sua autobiografia, A Transgender’s Faith. Dentre as publicações de Heyer encontram-se ainda Paper Genders e Gender, Lies and Suicide.
Reproduzido com permissão de The Witherspoon Institute.

Neurocirurgião volta do coma e se convence que há vida após a morte


Alexander Eben entrou em coma profundo, teve visões de uma espécie de paraíso, e voltou convencido de que existe vida do outro lado.

 

O Fantástico conta uma história do além! Um neurocirurgião americano nunca acreditou em vida após a morte até passar por uma experiência dramática. Ele entrou em coma profundo, teve visões de uma espécie de paraíso, e voltou convencido de que existe vida do outro lado.
O que existe depois que a vida acaba? Para o neurocirurgião Alexander Eben, a morte sempre significou o fim de tudo. Ele entende do assunto: foi professor da escola de medicina de Harvard, nos Estados Unidos, e há mais de 25 anos estuda o cérebro.
Sempre tinha uma explicação científica para os relatos dos pacientes que voltavam do coma com histórias de jornadas fora do corpo para lugares desconhecidos. Até que ele próprio vivenciou uma delas. E agora afirma: existe vida após a morte.

Era 10 de novembro de 2008. O doutor Alexander é levado às pressas para o hospital, com fortes dores de cabeça. Ao chegar lá, é imediatamente internado na UTI. Em poucas horas já estava em coma profundo.
Ele havia contraído uma forma rara de meningite. Quando o doutor Alexander entrou no hospital os médicos disseram à família que a possibilidade dele sobreviver seria muito baixa.  Ele ficou em coma profundo por sete dias. E foi durante esse período que o doutor Alexander afirma ter tido a experiência mais fantástica que um ser humano pode ter.

Na jornada que eu tive não existia corpo, apenas a minha consciência, diz o médico. Meu cérebro não funcionava. Eu não me lembrava de nada da minha vida pessoal, meus filhos, ou quem eu era.
Ele escreveu um livro para relatar a sua experiência de quase morte. E conta que primeiro foi levado para um ambiente escuro, lamacento e sem seguida chegou a um lugar bonito e tranqüilo. Um vale extenso, muito verde, cheio de flores e repleto de borboleta, diz ele. Ele conta que viu também um espírito lindo, uma mulher com uma roupa simples e com asas. Ela me disse: ‘você vai ser amado para sempre, não há nada a temer, nós vamos cuidar de você’.
Perguntamos ao doutor Alexander se ele viu Deus. Ele disse que sim: Deus estava em tudo ao meu redor, ele estava lá o tempo todo.
Um pesquisador da Universidade Federal de Juiz de Fora participa do maior estudo mundial já feito sobre as experiências de quase morte.
“Os estudos mostram que apenas 10%, uma em cada dez pessoas que tiveram uma ressuscitação bem sucedida relatam experiência de quase morte. Os pacientes que vivenciaram uma experiência de quase morte tendem a ter ao longo do tempo, por exemplo, aumento da satisfação com a vida, tendem a ter diminuição do medo da morte, maior apreciação da espiritualidade, maior apreciação da natureza”, afirma o professor de psiquiatria da Universidade de Juiz de Fora Alexander Moreira-Almeida.
A morte é uma transição, não é o fim de tudo, resume o doutor Alexander. Minha jornada serviu para me mostrar que a consciência nossa existe além do corpo, e ela é muito mais rica fora dele. Isso pode significar que a nossa alma, nosso espírito, seria eterno.
No Brasil, existem pacientes como o doutor Alexander.  Outro caso aconteceu com a mãe de Vera Tabach que passou três meses em coma. Ela voltou contando uma história incrível.
“Ela confessou que nesse período de coma ela se viu como se fosse num quarto de hospital sempre numa cama com várias pessoas em volta de branco. Ela disse que tinha feito um acordo. Que eles tinham dado mais 20 anos para ela, que ela ia conseguir criar os filhos e depois ela ia embora. E a gente acho aquilo uma história, mas realmente aconteceu”, lembra a jornalista Vera Tabach.
Dia 17 de outubro de 1974, quando ela foi para UTI. E voltou depois de um tempo. Quando passou 20 anos, em 1994, em abril, ela começou a se sentir mal. Às 05h, 18 de outubro de 1994, ela morreu.
“Ela sempre dizia que na vida só não tinha jeito pra morte. E depois que ela voltou ela disse que até para morte tinha jeito” conta Vera Tabach.
O doutor Alexander diz que por dois anos tentou achar uma explicação científica para o que aconteceu com ele e com esses outros pacientes. Queria saber se tudo podia ser uma ilusão produzida de alguma maneira pelo cérebro, conversei com colegas da área e cheguei à conclusão de que não há como que explicar. Não foi alucinação, não foi sonho.
Mas nem todos concordam. O professor de neurociências da Universidade de Columbia, Dean Mobbs, diz que é difícil acreditar num desligamento completo do cérebro. E que mesmo no caso do doutor Alexander, outras áreas do cérebro podem ter permanecido ativas, provocando as sensações que ele descreve.
O nosso cérebro é muito bom em transformar a realidade. Em um acidente, como um trauma na cabeça, os caminhos do cérebro podem ser danificados mas é possível que ele encontre outras maneiras de identificar os sinais que vêm de fora e criar uma nova experiência como a da quase morte, por exemplo.
O uso de fortes analgésicos e a baixa oxigenação do cérebro durante estados de coma podem explicar que luzes e sons estranhos sejam percebidos pela mente.
E a sensação de estar fora do corpo já foi induzida artificialmente em muitas pesquisas. Eu acho que essas experiências de quase morte na realidade são uma maneira do cérebro lidar com um trauma.
A ciência ainda não tem respostas conclusivas sobre as experiências de quase morte.
“A grande discussão que existe hoje é: a mente é um produto do cérebro, o cérebro produz a mente; ou a mente é algo além do cérebro, mas que se relaciona com o cérebro”, questiona Alexander.
Independentemente do que tem acontecido,  diz a esposa do doutor Alexander, para ela, que ficou ao lado do leito do hospital esperando o marido voltar, o final foi feliz. Quando chegamos em casa e sentamos no sofá, não acreditei que ele estava  junto comigo de novo.

fonte
 
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