Meditação torna pessoa mais adaptativa instantaneamente


Redação do Diário da Saúde


Meditação torna pessoa mais adaptativa instantaneamente


Se você não tem tempo para um retiro de três meses, não se preocupe, a meditação pode ser diluída ao longo do dia : Cure a si mesmo: Faça meditação.[Imagem: Jon Sullivan/Wikimedia]



Adaptabilidade a pronta entrega



A meditação é tão boa que já foi chamada de "o melhor remédio do mundo" - não por acaso, agora já se fala na Ciência da Meditação.



Novos experimentos mostraram que a meditação tem um efeito imediato
sobre o comportamento da pessoa, mesmo em pessoas que nunca meditaram
antes.



Mas parece que diferentes técnicas de meditação têm efeitos
diferentes, sobretudo quando o assunto é dar mais maleabilidade ao
meditador.





Tipos de meditação



"Há dois tipos fundamentais de meditação, que nos afetam de forma
diferente," explica Lorenza Colzato, da Universidade de Leiden
(Bélgica), cuja equipe já havia demonstrado que a meditação certa pode tornar você mais criativo.



"A meditação guiada aberta, que envolve estar receptivo a qualquer
pensamento e sensação, e a meditação da atenção focada, que envolve
prestar atenção em um determinado pensamento ou objeto," detalha a
pesquisadora, que fez o estudo juntamente com sua colega Iliana Samara.



Elas compararam as diferenças entre essas duas técnicas com a ajuda
de 36 voluntários que nunca haviam feito meditação antes. Metade das
pessoas praticou a meditação guiada aberta, enquanto a outra metade
praticou a meditação da atenção focada. Ambas as práticas foram feitas
em uma seção de 20 minutos.





Capacidade de adaptação



Depois de meditar, os participantes realizavam uma tarefa em que
precisavam se ajustar continuamente a uma situação mutável e discriminar
informações irrelevantes de informações relevantes, tudo o mais
rapidamente possível.



Em comparação com os participantes que realizaram a meditação aberta,
aquelas que realizaram a meditação focada foram significativamente
melhores na adaptação, ajustando seu comportamento de momento a momento.



"Mesmo que preliminar, estes resultados fornecem a primeira evidência
de que a meditação afeta instantaneamente o comportamento, e que este
impacto não requer prática. Assim, nossos resultados lançam uma nova luz
interessante sobre o potencial da meditação para otimizar o comportamento adaptativo," resumiu Colzato.





fonte: Meditação torna pessoa mais adaptativa instantaneamente

Homem feminista descobre que as feministas não toleram diferenças de opinião



Por InsideMAN
 

Em Fevereiro último, Tanveer Ahmed, um psiquiatra e um comediante, e alguém que foi escolhido para ser uma das 2,000 celebridades masculinas para a campanha feminista White Ribbon (criada com o propósito de lidar com a violência contra as mulheres na Austrália), escreveu um artigo salientando o facto dos homens serem esquecidos no debate em torno da violência doméstica.

O artigo provocou uma ofensa junto das feministas, gerando uma furiosa e, em última análise, bem sucedida campanha para a sua demissão como embaixador da White Ribbon. A InsideMANfoi a primeira publicação do Reino Unido a reportar a história, e aqui Tanveer descreve nas suas palavras o que acontece quando um homem feminista se atreve a falar contra a irmandade. Este artigo apareceu pela primeira vez na edição imprensa da revista "The Spectator", Austrália.

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Tenho sido consideravelmente enfraquecido desde que falei sobre o enfraquecimento dos homens. Vadeando pelas águas traiçoeiras, virulentas, e carregadas de estrogénio do feminismo moderno, aprendi que a guerra dos géneros são vistas por muitos como uma guerra do tudo-ou-nada, algo parecido ao poker ou à negociação de derivados.

Depois de escrever para o Australian durante o mês passado sobre a limitada discussão que existe em torno do enfraquecimento masculino no contexto da violência doméstica, fui vítima de uma orgia de abuso, ameaças e total má-representação dos meus pontos de vista. Estes ataques foram dissiminados nos órgãos mediáticos convergentes - online, sistemas móveis e pela televisão.

‘Fui chamado de misógino’

O artigo foi parcialmente uma resposta às minhas próprias experiências de ver parentes e pacientes que haviam sido violentos para os parceiros. Eu desprezava-os enquanto era criança e enquanto era adolescente, mas com mais maturidade e educação, vim a entender que a sublevação social que havia sido forçada sobre eles devido à migração era uma forma de humilhação.

Fui chamado de misógino e culpador de mulheres. Mensagens ameaçadoras foram deixadas no local onde exerço a minha profissão. Devido aos ataques públicos ao meu carácter, as enfermeiras do meu hospital psiquiátrico em Sydney ocidental chamaram-me à parte para aplicar sobre mim as técnicas de aconselhamento. "Você irritou algumas pessoas, doutor. Você está bem?"Este encontro ocorreu no preciso momento em que alguns pacientes reais ameaçavam causar danos a si próprios na enfermaria.

Depois de sugerir que a violência é uma expressão de stress subjacente, fui transformado num agressor de mulheres e misógino que ainda se agarrava ao patriarcado. Está tudo bem quando se tenta entender aqueles sancionados como vítimas bona fideoprimidos pelo poder, mas aqueles que são vistos como opressores privilegiados não têm o direito de serem alvo de acções de esclarecimento.

A saga recebeu mais atenção devido ao facto de eu estar intimamente associado ao movimento "White Ribbon", uma campanha onde os homens usam uma fita em forma de loop em torno do seu peito, e encorajam outros homens a não atacar as mulheres. A minha cara foi uma das cinco a estar presente nesta campanha.

Eu cheguei a ir para o Paquistão, há alguns anos atrás, como forma de expandir a campanha por lá, financiada pela AusAid. Encontrei-me com furtivos activistas masculinos na cosmopolita cidade de Lahore, com vítimas femininas na bastião do Sufismo em Multan, e com radicais que foram agitados  com a noção da violência contra a mulher chegar a ser estigmatizada na capital da madrasah do Paquistão, a cidade do deserto com o nome de Bahawalpur.

Uma ‘aparência de racionalidade’

Entretanto, as feministas Ocidentais continuam focadas em tópicos da elite tais como o pagamento das mulheres que fazem parte de conselhos directivos, ou os salários de actrizes milionárias de Hollywood, tal como lamentado pela Patricia Arquette durante os Óscares.

A polemista da Fairfax, Clementine Ford, descrita por Andrew Bolt como "uma feministas qualquer com tatuagens visíveis", criticou os meus pontos de vista por usar a mais engenhosa e mais privilegiada ferramenta do patriarcado, a "aparência de racionalidade". Ela ilustrou o ridículo do feminismo moderno quando este é criticado por ser um movimento com ódio aos homens escrevendo:

Não tenho tempo para os sentimentos coitadinho-de-mim dos homens.

Duas noites depois do meu artigo ter sido publicado, Tim Watts falou no Parlamento federal em favor da minha demissão. Eu observei surpreso com tudo isto. Uma tele-conferência de emergência foi levada a cabo com os administradores da White Ribbon. Eles exigiram uma declaração de esclarecimento, apenas para publicarem um comunicado de imprensa no dia seguinte delineando a forma como a CEO Libby Davies se encontrava chocada e lamentava os meus pontos de vista.

Eu não lamentava os meus pontos de vista, mas sim que eles haviam sido totalmente mal-representados. A contradição foi salientada ainda mais pelo conselheiro científico-chefe da White Ribbon da Austrália, o Dr Michael Flood, que havia co-escrito vários artigos por toda a região confirmando a fragilização dos homens como um factor em crescimento por trás da violência contra as mulheres.

Traidor de classe e colaborador

Um grupo Britânico que milita pelos direitos dos homens publicou uma história com o título ‘Global feminism goes into meltdown as male supporter reveals he has a mind of his own.’

Um grupo paralelo, e derivado, também chamado de White Ribbon (focado na violência contra ambos os sexos) e iniciado pela fundadora global dos abrigos para mulheres, Erin Pizzey, escreveu no seu site uma carta aberta de apoio. Fiquei a saber mais tarde que o movimento White Ribbonlocal se encontrava envolvido numa batalha legal com o site Canadiano por este usar o nome sem permissão. Senti-me como uma criança recém-adoptada no meio de discussões de divórcio.

As vítimas masculinas de violência enviaram-me as suas histórias de abuso e convidaram-me para falar na vindoura conferência em Toronto focada na masculinidade moderna - todas as despesas pagas. Vários académicos locais escreveram-me, sob condições estritas de anonimato, para me dizerem o quão difícil era falar abertamente e cientificamente em torno deste assunto nos seus departamentos.

O colega psiquiatra e escritor Marxista, o Dr Tad Tietze, disse-me que eu era visto por algumas secções da Esquerda como o "Tio Tom", termo usado para qualificar traidores raciais. Isto causou algum impacto porque a minha esposa e a minha família haviam feito piadas em torno do facto da minha crescente intolerância para com comida carregada de chilli ser um sinal de que eu me estava a tornar num coco: escuro por fora, branco por dentro.

Fui condenado por me fazer amigo de outros traidores da minha estirpe, Judeus com ódio a si mesmos, Negros domésticos e bananas - aquelas pessoas exteriormente Chinesas mas que estão desejosas por adoptar os maneirismos da classe média Branca como forma de suavizar a sua ascensão social.

O site da White Ribboncontinuou a ser alvo de ataques com posts a exigir a minha demissão. Apesar o grupo ser sobre homens, as centenas de posts enraivecidos vinham exclusivamente de mulheres. No dia seguinte, a White Ribbonemitiu um comunicado afirmando que os apelos para a minha demissão eram tão persistentes que eu havia sido contactado para sair.

Num reviravolta final em perfeito acordo com a natureza totalitária de todo o episódio, para que eu fosse readmitido, eu teria que me submeter a um programa de recompromisso para garantir que os meus pontos de vista estavam de acordo com o movimento. Eu guardei a minha fita branca numa gaveta no porão, e timidamente voltei para o meu emprego, não mais como embaixador da causa, e voltei a escrever prescrições para drogas psico-activas.


Dr Tanveer Ahmed é um psiquiatra, comentador mediático, e autor

Algoritmo Facebook: Usuários transformam seus murais no Facebook em ‘bolhas’ ideológicas

Algoritmo ajuda a reduzir a diversidade ideológica das páginas, mas não é maior culpado

Usuários se fecham em suas próprias ideias, aponta estudo com 10 milhões de pessoas

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Facebook





Facebook mostra pouco conteúdo contrário à ideologia de seus usuários. / EFE

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Embora ainda muita gente não saiba, o Facebook
seleciona o que os usuários veem em seu mural. Um algoritmo filtra o
que é mostrado para, em princípio, dar ao usuário apenas o que mais lhe
agrada ver e não enchê-lo com informações que não lhe interessem tanto. A
dúvida é se esse algoritmo que nos conhece tão bem está nos alimentando
apenas com o que gostamos, criando uma bolha a nosso redor na
qual não entra nada que desafie nosso modo de pensar. Para dissipar
dúvidas, os cientistas sociais do Facebook publicaram na quinta-feira na
revista Science o primeiro estudo que analisa a influência dessa fórmula que manipula os murais: a bolha ideológica existe, mas é mais culpa dos próprios usuários do que da programação de Mark Zuckerberg.



Depois de estudar mais de 10 milhões de usuários e sua interação com
os links de notícias políticas, os cientistas do Facebook descobriram
que a rede social é uma caixa de ressonância para nossas próprias
ideias, com poucas janelas para o exterior. Assim, de todos os links
vistos pelas pessoas que se consideram progressistas, apenas 22%
desafiam sua forma de pensar. Os conservadores veem cerca de 33% de
notícias que não correspondem com sua ideologia.

Sem a intervenção do algoritmo, os progressistas teriam visto 24% de
notícias incômodas e, os conservadores, 35%. Ou seja, essa fórmula
idealizada nos computadores do Facebook ajuda a reduzir a diversidade
ideológica do mural dos usuários, mas não é a principal culpada. De
acordo com o estudo, os usuários são os responsáveis por se fechar em
suas próprias ideias: se não escolhessem suas amizades como o fazem, mas
de forma aleatória, os progressistas veriam cerca de 45% de notícias
contrárias às suas ideias, em comparação a 40% pelos conservadores.

Logicamente, o ambiente off line, as pessoas com as quais os
usuários se relacionam fisicamente, tampouco é aleatório. Mas é muito
mais difícil medir essa bolha ideológica na ruas do que nas redes
sociais. A vasta quantidade de informação que uma empresa como o
Facebook pode compilar sobre seus usuários (e os que não são) lhe
permite medir a tendência dos que se fecham em grupos de pensamento mais
ou menos isolados. Por exemplo, a probabilidade de clicar no mural em
uma notícia favorável às próprias ideias —um eleitor do conservador
Partido Republicano dos Estados Unidos ler uma notícia da Fox News— em
relação a uma contrária é esmagadora.



É um estudo na defensiva. O Facebook tem um problema de imagem e
queria demonstrar que o filtro algorítmico não tem tanta influência como
o filtro social

Esteban Moro, pesquisador
Um dos pontos fracos do estudo é que são analisados apenas os
usuários dos EUA que definiram sua posição ideológica em uma seção do
Facebook —mais fácil de ser mostrada em lados opostos—, o que gera um
viés significativo e deixa dúvidas sobre o comportamento dos usuários
que têm ideologia, mas não a selecionaram em seu perfil. Para Pablo Barberá,
que estuda a polarização das redes na Universidade de Nova York, os
usuários estudados provavelmente têm uma rede de contatos mais homogênea
no Facebook: “Se o estudo tivesse incluído todos os usuários,
certamente observaríamos níveis ainda mais altos de exposição à
diversidade de opiniões e um efeito maior dos algoritmos”.

A era dos algoritmos

“É um estudo na defensiva”, explica Esteban Moro,
especialista em redes sociais da Universidade Carlos III. “O Facebook
tem um problema de imagem, por causa dos algoritmos que filtram a
informação que vemos e queria demonstrar que o filtro algorítmico não
tem tanta influência como o filtro social”, resume o pesquisador.



Não é fácil saber se a bolha ideológica é maior
ou menor fora do Facebook, mas alguns estudos indicam que as redes
ajudam a diminuí-la
Vivemos na era dos algoritmos. O que nos é mostrado nos resultados do
Google, no mural do Facebook ou em outras plataformas é decido por uma
fórmula cada vez mais complexa que seleciona o melhor para satisfazer os
interesses do usuário e da empresa. No entanto, ainda há muitos os que
pensam que veem o que existe e não o que o algoritmo acredita
que devem ver. Mas não é assim: em função da interação dos usuários com
os amigos e atividade, o Facebook define seus interesses e mostra o que
provocará mais interação, para que permaneçam mais tempo na rede e,
deste modo, gerem mais receita para a empresa.

Este ciclo de retroalimentação despertou o interesse do ativista Eli Pariser, que publicou em 2012 um livro chamado Filter Bubble (A Bolha dos Filtros),
referindo-se ao efeito do algoritmo em nossas vidas: ao buscar “Egito”
no Google, alguns usuários recebem informações sobre revoltas e, outros,
apenas sobre férias nas pirâmides, tudo em função de seu comportamento
prévio.

Em meados de 2014, o Facebook divulgou outro de seus estudos
—publicados regularmente sobre o comportamento na rede— que gerou uma
polêmica inusitada, porque revelou que manipulava emocionalmente seus usuários,
mostrando-lhes mais mensagens negativas ou positivas de seus contatos,
para verificar se havia certo contágio na forma de expressão. Em grande
parte, a polêmica surgiu porque o público descobriu que o Facebook manipula os murais e, portanto, o comportamento das pessoas.



Dados do estudo

O estudo foi realizado com usuários que informaram sua posição
ideológica nos EUA. Estudaram 10,1 milhões dos quase um bilhão de
usuários ativos diários registrados atualmente.

Apenas 13% dos links de notícias estudadas correspondiam a informações factuais, notícias políticas válidas para o estudo.

Dos 903 milhões de notícias vistas pelos usuários estudados, foram clicadas apenas 59 milhões de vezes.

Apenas 20% das notícias que os progressistas clicaram eram contrarias às suas ideias, comparadas aos 29% dos conservadores.

Os pesquisadores explicam que essa diferença entre progressistas e
conservadores é devido ao fato de que os usuários de esquerda são mais
propensos a compartilhar links com notícias de sua ideologia.
Não é algo que faça questão de esconder, muito pelo contrário: o
Facebook gaba-se de influenciar de forma notável a participação
eleitoral em todo mundo, depois de arrastar às urnas cerca de 340.000
pessoas que não tinham intenção de votar nas legislativas dos EUA.

Nesse cenário, os cientistas da empresa comandada por Zuckerberg mostram que o contágio social ou a bolha ideológica que se forma em sua rede social é semelhante ou mais moderada à que se produz off line.
De fato, já em 2012, havia publicado um estudo que negava que a bolha
fosse tão grave, mas naquela ocasião o importante era diminuir a culpa
do algoritmo.

A pesquisa preliminar de Barberá e este estudo destacam que as redes
sociais poderiam ser um mecanismo para receber informação diferente da
habitual. “Por exemplo, um eleitor de direita que apenas vê Antena 3 e lê La Razón
[jornal ultraconservador da Espanha] poderia ser exposto pela primeira
vez a um conteúdo com um viés de esquerda compartilhado por seus
contatos no Facebook”, explica Barberá.

No entanto, esse é outro ponto fraco deste último estudo da equipe do
Facebook, como lamenta Moro, da Carlos III. “O problema é que não
compara com nada. Não podemos saber se o que ocorre é pior ou melhor
fora do Facebook.”




fonte: Algoritmo Facebook: Usuários transformam seus murais no Facebook em ‘bolhas’ ideológicas | Tecnologia | EL PAÍS Brasil

A Igreja Católica e a escravidão





Ricardo da COSTA





Vivemos em uma época conturbada. Qualquer coisa afirmada levianamente ganha auréola de verdade. Por exemplo, recentemente, o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ (link is external)) disse que sessenta por cento dos congressistas brasileiros utilizavam serviços de prostitutas e que, por isso, eles gostariam de gozar essa atividade em “locais mais seguros”. Conclusão: para o deputado, deveríamos regulamentar a vida das meninas.3 Rapidamente a notícia ganhou as manchetes dos jornais. Contudo, dias depois, Wyllys voltou atrás – em uma matéria infinitamente menor, claro: disse que baseou sua afirmação em sua “percepção da sociedade brasileira”, e que, de fato, desconhecia casos de pagamento de prostitutas por colegas.4



Bem, cito o deputado do PSOL (link is external)porque o próprio se valeu de um trecho de uma mensagem do papa Bento XVI no XLVI Dia Mundial da Paz (link is external) para mais uma de suas afirmações bombásticas. O papa defendera a “estrutura natural do matrimônio” – a união entre um homem e uma mulher – quando negou que quaisquer outras formas radicalmente diversas de união fossem igualmente consideradas, pois elas “prejudicam, desestabilizam e obscurecem a função insubstituível do casamento”. Fazer essa equiparação constituía uma “ofensa contra a verdade da pessoa humana e uma ferida grave infligida à justiça e à paz”. Parafraseando o papa, o deputado afirmou que “ferida grave infligida à justiça e à paz foi a escravidão de negros africanos apoiada pela Igreja Católica”.5



Nesse caso, Jean Wyllys não está só. Essa é uma das acusações costumeiras feitas à Igreja. Teria ela, segundo seus detratores, apoiado o sistema escravocrata, especialmente o ocorrido na África no período moderno (séculos XVI-XIX). Isso é verdade? Não. A verdade é exatamente o contrário disso. Vamos (mesmo que brevemente) aos fatos?



Na Bíblia há várias passagens relativas a escravos (especialmente o Antigo Testamento). Quase sempre são prescrições atenuantes. Por exemplo: não se deve entregar um escravo fugitivo6, nem utilizá-lo em tarefas degradantes ou serviços desnecessários7; ao escravo é reservado o dia de descanso (sábado).8 Em Eclasiástico:



    Emprega-o [o escravo] em trabalhos, como lhe convém,

    e, se não obedecer, prende-o ao grilhão.

    Mas não sejas muito exigente com as pessoas

    e não faças nada de injusto.



    Tens um só escravo? Que ele seja como tu mesmo,

    pois o adquiriste com sangue.

    Tens um só escravo? Trata-o como a um irmão,

    pois necessitas dele como de ti mesmo (Eclo 33, 29-32).



Em resumo: apesar de reconhecer a escravidão, a religião a atenuava. Essa foi basicamente a herança do mundo antigo no que diz respeito aos preceitos religiosos.



Com a ascensão social e política da Igreja na Idade Média e a consequente cristianização das monarquias, a pressão a favor dos pobres, das mulheres e dos escravos tornou-se maior. Por exemplo, uma lei do século VI (sob influência da Igreja) afirmava que nenhum escravo poderia ser preso caso estivesse em um altar católico: seu dono deveria pagar uma pesada multa caso fizesse isso. Nesses séculos conhecidos pelos especialistas como Alta Idade Média (V-X) o Catolicismo que se difundiu na Europa pressionou aquelas sociedades a considerar a escravidão algo ultrajante aos seres humanos, já que, pela fé em Jesus Cristo, somos todos filhos de Deus.9



Apesar disso, a escravidão só lentamente diminuiu – para dar lugar, pouco a pouco, à servidão. Com ela, a dignidade humana estava muito acima da escravidão. Nessa, o escravo era uma coisa que falava; naquela, o servo tinha deveres (e muitos!) – mas também direitos (como, por exemplo, a inalienabilidade da terra).



Mas os homens são dificilmente civilizados (e com revezes regulares). Mesmo com a pregação regular da Igreja, na Europa medieval a escravidão continuou tão comum que teve que ser reiteradamente condenada pela Igreja (Concílios de Koblenz, em 922, de Londres, em 1022, e no Conselho de Armagh, ocorrido na Irlanda em 1171). Naquele Concílio de Londres, por exemplo, foi decidido: “Que futuramente, na Inglaterra, ninguém queira entrar naquele comércio nefasto no qual estavam acostumados a vender homens como animais irracionais” (artigo 27 (link is external)).



O problema era que as antigas leis romanas, seu código civil, reorganizado nos anos 529-534 pelo imperador bizantino Justiniano I como Corpus Iuris Civilis (link is external) (Conjunto do Direito Civil), regulamentava a escravidão. Segundo ele, embora o estado natural da Humanidade fosse a liberdade, os direitos dos povos poderiam, no entanto, substituir a lei natural e escravizar pessoas. Basicamente um escravo era: 1. alguém cuja mãe era escrava, 2. qualquer pessoa capturada em batalha, 3. qualquer um que se vendeu para pagar uma dívida (fato comum nos primeiros séculos medievais).



Com a ascensão do Cristianismo, o direito também se cristianizou. Os advogados medievais, a partir do século XI, chegaram à conclusão que a escravidão era contrária ao espírito cristão. Isso para cristãos (e que não me venha nenhum fariseu acusar a Igreja de não legislar para não cristãos). Em contrapartida, por exemplo, foi o Islã quem difundiu largamente a escravidão. Vejamos isso com mais pormenor.



Começo com uma citação do grande historiador Fernand Braudel (1902-1985): “O tráfico negreiro não foi uma invenção diabólica da Europa. Foi o Islã, desde muito cedo em contato com a África Negra através dos países situados entre Níger e Darfur e de seus centros mercantis da África Oriental, o primeiro a praticar em grande escala o tráfico negreiro (...). O comércio de homens foi um fato geral e conhecido de todas as humanidades primitivas. O Islã, civilização escravista por excelência, não inventou, tampouco, nem a escravidão nem o comércio de escravos”.10



Aqui chegamos à escravidão negra. Muitos séculos ANTES da chegada dos brancos europeus à África, tribos, reinos e impérios negros africanos praticavam largamente o escravismo, exatamente como os berberes (e demais etnias muçulmanas). Os europeus do século XVI tinham verdadeiro pavor de deixar o litoral ou mesmo desembarcar de seus navios e avançar para longe da costa e capturar escravos. Estes eram trazidos pelos próprios africanos, que tinham grandes mercados espalhados pelo interior do continente, abastecidos por guerras entre as tribos, ou mesmo puro sequestro. Isso pode ser facilmente comprovado, por exemplo, com a descrição do império de Mali feita pelo cronista muçulmano Ibn Batuta (1307-1377), um dos maiores viajantes da Idade Média, e o depoimento de al-Hasan (1483-1554) sobre Tumbuctu, capital do império de Songai. Ademais, havia tribos africanas que praticavam sacrifícios humanos, naturalmente de escravos. Às vezes, para interromper a chuva, mulheres negras (e escravas) eram crucificadas.11



Entrementes, a Igreja Católica, reiteradamente, condenava a escravidão. Há inúmeras bulas papais a respeito: Sicut Dudum (1435) – Eugênio IV manda libertar os escravos das ilhas Canárias; em 1462, Pio II instrui os bispos a pregarem contra o tratamento de escravos negros etíopes, e condena a escravidão como um “crime tremendo”; Paulo III, na bula Sublimus Dei (1537) recorda aos cristãos que os índios são livres por natureza (isto é, ao contrário dos negros, eles não praticavam a escravidão); em 1571 o dominicano Tomás de Mercado declarou desumana e ilícita a escravidão; Gregório XIV (Cum Sicuti, de 1591) e Urbano VIII (Commissum nobis, de 1639) condenaram a escravidão. 12



Paro no século XVII. Há muito mais.13 Mas qual é o resumo da ópera? Devemos estudar o passado, não inventá-lo.















Notas


    1.
    Esse é o texto integral. Para o Jornal, por motivos de espaço, ele foi diminuído.
    2.
    Paris: Firmin Didot Frères, 1839. “Embora tenha caído em desuso o artigo da primitiva lei sobre a escravidão, que prescrevia aos brasileiros mandarem batizar seus negros novos dentro de um determinado prazo, deixou, entretanto, vestígios de seu objetivo moral no coração dos proprietários indígenas. É raro, com efeito, encontrar-se hoje em dia um negro que não seja cristão; por outro lado, do ponto de vista político, esse freio de uma religião tão tolerante torna-se também uma garantia para os senhores obrigados a dirigir uma centena de escravos reunidos. A observância desse costume é tanto mais fácil para o citadino quanto circulam nas ruas alguns velhos negros livres, corretores de profissão, professores dos princípios da religião católica e que são principalmente apreciados porque têm a vantagem de falar várias línguas africanas, o que facilita os progressos dos novos catecúmenos (...) É em geral o escravo mais antigo que serve de padrinho e nas casas ricas concede-se essa honra aos mais virtuoso. Entretanto, isso não acarreta nenhuma obrigação em relação ao escravo e o senhor se desobriga de seus escrúpulos mediante uma simples esmola oferecida à Igreja.” – Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil, Jean Baptiste Debret. Belo Horizonte: Itatiaia, 1978, Tomo II, Volume III, Prancha 8, p. 166.
    3.
    “Eu diria que 60% da população masculina do Congresso Nacional faz uso dos serviços das prostitutas, então acho que esses caras vão querer fazer uso desse serviço em ambientes mais seguros”. Internet (link is external).
    4.
    Folha de São Paulo, sexta, 18 de janeiro de 2013. Internet (link is external).
    5.
    Tweeter (link is external).
    6.
    “Não entregarás a seu senhor o servo que, tendo fugido dele, se acolher a ti” – Deuteronômio 23:15.
    7.
    “Porque são meus servos, que tirei da terra do Egito; não serão vendidos como se vendem os escravos. Não te assenhorearás dele com rigor, mas do teu Deus terás temor.” – Levítico 25:42-43.
    8.
    “Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR teu Deus; não farás nenhum trabalho nele, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu boi, nem o teu jumento, nem animal algum teu, nem o estrangeiro que está dentro de tuas portas; para que o teu servo e a tua serva descansem como tu.” – Deuteronômio 5:14.
    9.
    “Mas a Escritura encerrou tudo debaixo do pecado, para que a promessa pela fé em Jesus Cristo fosse dada aos crentes. Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei, e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar. De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados. Mas, depois que veio a fé, já não estamos debaixo de aio. Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus. Porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo. Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.” – Gálatas 3:22-28.
    10.
    BRAUDEL, Fernand. Gramática das Civilizações. São Paulo: Martins Fontes, 1989, p. 138.
    11.
    COSTA, Ricardo da. “A expansão árabe na África e os Impérios Negros de Gana, Mali e Songai (sécs. VII-XVI)”. In: NISHIKAWA, Taise Ferreira da Conceição. História Medieval: História II. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009, p. 34-53.
    12.
    Documentos oficiais da Igreja contra a escravidão. (link is external)
    13.
    Indico, como um excelente resumo da posição da Igreja, a leitura da Carta Apostólica In Supremo, de 03 de dezembro de 1839, sobre a condenação da escravidão dos indígenas e do comércio dos negros. Site (link is external). Há também uma obra com fontes primárias sobre o tema: BALMES, Jaime. A Igreja Católica em face da escravidão. São Paulo: Centro Brasileiro de Fomento Cultural, 1988 (agradeço ao Prof. Samuel Cardoso Santana pela indicação).

- See more at: http://www.ricardocosta.com/artigo/igreja-catolica-e-escravidao#sthash.FwpbhNGb.dpuf


A Igreja Católica e a escravidão

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Negras novas a caminho da Igreja para o batismo. Jean Baptiste Debret (1768-1848).2
Vivemos em uma época conturbada. Qualquer coisa afirmada
levianamente ganha auréola de verdade. Por exemplo, recentemente, o
deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ (link is external))
disse que sessenta por cento dos congressistas brasileiros utilizavam
serviços de prostitutas e que, por isso, eles gostariam de gozar essa
atividade em “locais mais seguros”. Conclusão: para o deputado, deveríamos regulamentar a vida das meninas.3 Rapidamente
a notícia ganhou as manchetes dos jornais. Contudo, dias depois, Wyllys
voltou atrás – em uma matéria infinitamente menor, claro: disse que
baseou sua afirmação em sua “percepção da sociedade brasileira”, e que,
de fato, desconhecia casos de pagamento de prostitutas por colegas.4

Bem, cito o deputado do PSOL (link is external)porque o próprio se valeu de um trecho de uma mensagem do papa Bento XVI no XLVI Dia Mundial da Paz (link is external)
para mais uma de suas afirmações bombásticas. O papa defendera a
“estrutura natural do matrimônio” – a união entre um homem e uma mulher –
quando negou que quaisquer outras formas radicalmente diversas de união
fossem igualmente consideradas, pois elas “prejudicam, desestabilizam e
obscurecem a função insubstituível do casamento”. Fazer essa
equiparação constituía uma “ofensa contra a verdade da pessoa humana e
uma ferida grave infligida à justiça e à paz”. Parafraseando o papa, o
deputado afirmou que “ferida grave infligida à justiça e à paz foi a
escravidão de negros africanos apoiada pela Igreja Católica”.5

Nesse caso, Jean Wyllys não está só. Essa é uma das acusações
costumeiras feitas à Igreja. Teria ela, segundo seus detratores, apoiado
o sistema escravocrata, especialmente o ocorrido na África no período
moderno (séculos XVI-XIX). Isso é verdade? Não. A verdade é exatamente o contrário disso. Vamos (mesmo que brevemente) aos fatos?

Na Bíblia há várias passagens relativas a escravos (especialmente o Antigo Testamento). Quase sempre são prescrições atenuantes. Por exemplo: não se deve entregar um escravo fugitivo6, nem utilizá-lo em tarefas degradantes ou serviços desnecessários7; ao escravo é reservado o dia de descanso (sábado).8 Em Eclasiástico:

Emprega-o [o escravo] em trabalhos, como lhe convém,

e, se não obedecer, prende-o ao grilhão.

Mas não sejas muito exigente com as pessoas

e não faças nada de injusto.



Tens um só escravo? Que ele seja como tu mesmo,

pois o adquiriste com sangue.

Tens um só escravo? Trata-o como a um irmão,

pois necessitas dele como de ti mesmo (Eclo 33, 29-32).
Em resumo: apesar de reconhecer a escravidão, a religião a atenuava.
Essa foi basicamente a herança do mundo antigo no que diz respeito aos
preceitos religiosos.

Com a ascensão social e política da Igreja na Idade Média e a
consequente cristianização das monarquias, a pressão a favor dos pobres,
das mulheres e dos escravos tornou-se maior. Por exemplo, uma lei do
século VI (sob influência da Igreja) afirmava que nenhum escravo poderia
ser preso caso estivesse em um altar católico: seu dono deveria pagar
uma pesada multa caso fizesse isso. Nesses séculos conhecidos pelos
especialistas como Alta Idade Média (V-X) o Catolicismo que se
difundiu na Europa pressionou aquelas sociedades a considerar a
escravidão algo ultrajante aos seres humanos, já que, pela fé em Jesus
Cristo, somos todos filhos de Deus.9

Apesar disso, a escravidão só lentamente diminuiu – para dar lugar,
pouco a pouco, à servidão. Com ela, a dignidade humana estava muito
acima da escravidão. Nessa, o escravo era uma coisa que falava; naquela,
o servo tinha deveres (e muitos!) – mas também direitos (como, por
exemplo, a inalienabilidade da terra).

Mas os homens são dificilmente civilizados (e com revezes regulares).
Mesmo com a pregação regular da Igreja, na Europa medieval a escravidão
continuou tão comum que teve que ser reiteradamente condenada pela
Igreja (Concílios de Koblenz, em 922, de Londres, em 1022, e no Conselho
de Armagh, ocorrido na Irlanda em 1171). Naquele Concílio de Londres,
por exemplo, foi decidido: “Que futuramente, na Inglaterra, ninguém
queira entrar naquele comércio nefasto no qual estavam acostumados a
vender homens como animais irracionais” (artigo 27 (link is external)).

O problema era que as antigas leis romanas, seu código civil,
reorganizado nos anos 529-534 pelo imperador bizantino Justiniano I como
Corpus Iuris Civilis (link is external) (Conjunto do Direito Civil),
regulamentava a escravidão. Segundo ele, embora o estado natural da
Humanidade fosse a liberdade, os direitos dos povos poderiam, no
entanto, substituir a lei natural e escravizar pessoas. Basicamente um
escravo era: 1. alguém cuja mãe era escrava, 2. qualquer pessoa capturada em batalha, 3. qualquer um que se vendeu para pagar uma dívida (fato comum nos primeiros séculos medievais).

Com a ascensão do Cristianismo, o direito também se cristianizou. Os
advogados medievais, a partir do século XI, chegaram à conclusão que a
escravidão era contrária ao espírito cristão. Isso para
cristãos (e que não me venha nenhum fariseu acusar a Igreja de não
legislar para não cristãos). Em contrapartida, por exemplo, foi o Islã
quem difundiu largamente a escravidão. Vejamos isso com mais pormenor.

Começo com uma citação do grande historiador Fernand Braudel
(1902-1985): “O tráfico negreiro não foi uma invenção diabólica da
Europa. Foi o Islã, desde muito cedo em contato com a África Negra
através dos países situados entre Níger e Darfur e de seus centros
mercantis da África Oriental, o primeiro a praticar em grande escala o
tráfico negreiro (...). O comércio de homens foi um fato geral e
conhecido de todas as humanidades primitivas. O Islã, civilização
escravista por excelência, não inventou, tampouco, nem a escravidão nem o
comércio de escravos”.10

Aqui chegamos à escravidão negra. Muitos séculos ANTES da chegada dos
brancos europeus à África, tribos, reinos e impérios negros africanos
praticavam largamente o escravismo, exatamente como os berberes (e
demais etnias muçulmanas). Os europeus do século XVI tinham verdadeiro
pavor de deixar o litoral ou mesmo desembarcar de seus navios e avançar
para longe da costa e capturar escravos. Estes eram trazidos pelos
próprios africanos, que tinham grandes mercados espalhados pelo interior
do continente, abastecidos por guerras entre as tribos, ou mesmo puro
sequestro. Isso pode ser facilmente comprovado, por exemplo, com a
descrição do império de Mali feita pelo cronista muçulmano Ibn Batuta
(1307-1377), um dos maiores viajantes da Idade Média, e o depoimento de
al-Hasan (1483-1554) sobre Tumbuctu, capital do império de Songai.
Ademais, havia tribos africanas que praticavam sacrifícios humanos,
naturalmente de escravos. Às vezes, para interromper a chuva, mulheres
negras (e escravas) eram crucificadas.11

Entrementes, a Igreja Católica, reiteradamente, condenava a escravidão. Há inúmeras bulas papais a respeito: Sicut Dudum
(1435) – Eugênio IV manda libertar os escravos das ilhas Canárias; em
1462, Pio II instrui os bispos a pregarem contra o tratamento de
escravos negros etíopes, e condena a escravidão como um “crime
tremendo”; Paulo III, na bula Sublimus Dei (1537) recorda aos
cristãos que os índios são livres por natureza (isto é, ao contrário dos
negros, eles não praticavam a escravidão); em 1571 o dominicano Tomás
de Mercado declarou desumana e ilícita a escravidão; Gregório XIV (Cum Sicuti, de 1591) e Urbano VIII (Commissum nobis, de 1639) condenaram a escravidão. 12

Paro no século XVII. Há muito mais.13 Mas qual é o resumo da ópera? Devemos estudar o passado, não inventá-lo.

Notas

  • 1. Esse é o texto integral. Para o Jornal, por motivos de espaço, ele foi diminuído.
  • 2.
    Paris: Firmin Didot Frères, 1839. “Embora tenha caído em desuso o
    artigo da primitiva lei sobre a escravidão, que prescrevia aos
    brasileiros mandarem batizar seus negros novos dentro de um determinado
    prazo, deixou, entretanto, vestígios de seu objetivo moral no coração
    dos proprietários indígenas. É raro, com efeito, encontrar-se hoje em
    dia um negro que não seja cristão; por outro lado, do ponto de vista
    político, esse freio de uma religião tão tolerante torna-se também uma
    garantia para os senhores obrigados a dirigir uma centena de escravos
    reunidos. A observância desse costume é tanto mais fácil para o citadino
    quanto circulam nas ruas alguns velhos negros livres, corretores de
    profissão, professores dos princípios da religião católica e que são
    principalmente apreciados porque têm a vantagem de falar várias línguas
    africanas, o que facilita os progressos dos novos catecúmenos (...) É em
    geral o escravo mais antigo que serve de padrinho e nas casas ricas
    concede-se essa honra aos mais virtuoso. Entretanto, isso não acarreta
    nenhuma obrigação em relação ao escravo e o senhor se desobriga de seus
    escrúpulos mediante uma simples esmola oferecida à Igreja.” – Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil, Jean Baptiste Debret. Belo Horizonte: Itatiaia, 1978, Tomo II, Volume III, Prancha 8, p. 166.
  • 3. “Eu
    diria que 60% da população masculina do Congresso Nacional faz uso dos
    serviços das prostitutas, então acho que esses caras vão querer fazer
    uso desse serviço em ambientes mais seguros”. Internet (link is external).
  • 4. Folha de São Paulo, sexta, 18 de janeiro de 2013. Internet (link is external).
  • 5. Tweeter (link is external).
  • 6. “Não entregarás a seu senhor o servo que, tendo fugido dele, se acolher a ti” – Deuteronômio 23:15.
  • 7.
    “Porque são meus servos, que tirei da terra do Egito; não serão
    vendidos como se vendem os escravos. Não te assenhorearás dele com
    rigor, mas do teu Deus terás temor.” – Levítico 25:42-43.
  • 8.
    “Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR teu Deus; não farás nenhum
    trabalho nele, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo,
    nem a tua serva, nem o teu boi, nem o teu jumento, nem animal algum teu,
    nem o estrangeiro que está dentro de tuas portas; para que o teu servo e
    a tua serva descansem como tu.” – Deuteronômio 5:14.
  • 9.
    “Mas a Escritura encerrou tudo debaixo do pecado, para que a promessa
    pela fé em Jesus Cristo fosse dada aos crentes. Mas, antes que a fé
    viesse, estávamos guardados debaixo da lei, e encerrados para aquela fé
    que se havia de manifestar. De maneira que a lei nos serviu de aio, para
    nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados. Mas,
    depois que veio a fé, já não estamos debaixo de aio. Porque todos sois
    filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus. Porque todos quantos fostes
    batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo. Nisto não há judeu nem
    grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós
    sois um em Cristo Jesus.” – Gálatas 3:22-28.
  • 10. BRAUDEL, Fernand. Gramática das Civilizações. São Paulo: Martins Fontes, 1989, p. 138.
  • 11. COSTA, Ricardo da. “A expansão árabe na África e os Impérios Negros de Gana, Mali e Songai (sécs. VII-XVI)”. In: NISHIKAWA, Taise Ferreira da Conceição. História Medieval: História II. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009, p. 34-53. 
  • 12. Documentos oficiais da Igreja contra a escravidão. (link is external)
  • 13. Indico, como um excelente resumo da posição da Igreja, a leitura da Carta Apostólica In Supremo, de 03 de dezembro de 1839, sobre a condenação da escravidão dos indígenas e do comércio dos negros. Site (link is external). Há também uma obra com fontes primárias sobre o tema: BALMES, Jaime. A Igreja Católica em face da escravidão. São Paulo: Centro Brasileiro de Fomento Cultural, 1988 (agradeço ao Prof. Samuel Cardoso Santana pela indicação).
- See more at: http://www.ricardocosta.com/artigo/igreja-catolica-e-escravidao#sthash.FwpbhNGb.dpuf


fonte: A Igreja Católica e a escravidão | Idade Média - Prof. Dr. Ricardo da Costa

A Arte Contemporânea é uma farsa: Avelina Lésper






Com a finalidade de dar a conhecer seus argumentos sobre os porquês da arte contemporânea ser umaarte falsa“, a crítica de arte Avelina Lésper apresentou a conferência “El Arte Contemporáneo- El dogma incuestionable” na Escuela Nacional de Artes Plásticas (ENAP)sendo ovacionada pelos estudantes na ocasião.
 A arte falsa e o vazio criativo
A
carência de rigor (nas obras) permitiu que o vazio de criação, o acaso e
a falta de inteligência passassem a ser os valores desta arte falsa,
entrando qualquer coisa para ser exposta nos museus
A crítica explica que os objetos e valores estéticos que se apresentam como arte são aceites em completa submissão aos princípios de uma autoridade impositora. Isto faz com que, a cada dia, formem-se sociedades menos inteligentes aproximando-nos da barbárie.
O Ready Made
Lésper aborda também o tema do Ready Made, expressando perante esta corrente “artística” uma regressão ao mais elementar e irracional do pensamento humano, um retorno ao pensamento mágico que nega a realidade. A arte foi reduzida a uma crença fantasiosa e sua presença em umero significado. “Necesitamos de arte e não de crenças”.
Génio artístico
Da mesma maneira, a crítica afirma que a figura do “génio”, artista com obras insubstituíveis, já não tem possibilidade de manifestar-se na atualidade. “Hoje em dia, com a superpopulação de artistas, estes deixam de ser prescindíveis qualquer obra substitui-se por outra qualquer, uma vez que cada uma delas carece de singularidade“.
O status de artista
A substituição constante de artistas dá-se pela fraca qualidade de seus trabalhos, “tudo aquilo que o artista realiza está predestinado a ser arte, excremento, objetos e fotografias pessoais, imitações, mensagens de internet, brinquedos, etc. Atualmente, fazer arte é um exercício ególatra; as performances, os vídeos, as instalações estão feitas de maneira tão óbvia que subjuga a simplicidade criativa, além de serem peças que, em sua grande maioria, apelam ao mínimo esforço cuja acessibilidade criativa revela tratar-se de uma realidade que poderia ter sido alcançada por qualquer um“.
Neste sentido, Lésper afirma queao conceder o status de artista a qualquer um, todo o mérito é-lhe dissolvido e ocorre uma banalização. “Cada vez que alguém sem qualquer mérito e sem trabalho realmente excepcional expõe, a arte deprecia-se em sua presença e concepção. Quanto mais artistas existirem, piores são as obrasA quantidade não reflete a qualidade“.
 Que cada trabalho fale pelo artista
O artista do ready made  atinge a todas as dimensões, mas as atinge com pouco profissionalismo; sfaz vídeo, não alcança os padrões requeridos pelo cinema ou pela publicidade; sfaz obras eletrónicasmanda-as fazer, sem ser capaz de alcançar os padrões de um técnico mediano; senvolve-se com sons, não chega à experiência proporcionada por um DJ; assume que, por tratar-se de uma obra de arte contemporânea, não tem porquê alcançar um mínimo rigor de qualidade em sua realização.
Os artistas fazem coisas extraordinárias e demonstram em cada trabalho sua condição de criadoresNem Damien Hirst, nem Gabriel Orozco, nem Teresa Margolles, nem a imensa e crescente lista de artistas o são de fato. E isto não o digo eu, dizem suas obras por eles“.
 Para os Estudantes
Como conselho aos estudantes, Avelina diz que deixem que suas obras falem por eles, não um curador, um sistema ou um dogma.Sua obra dirá se são ou não artistas e, se produzem esta falsa arte, repito, não são artistas”.
O público ignorante
Lésper assegura que, nos dias que correm,
a arte deixou de ser inclusiva, pelo que voltou-se contra seus próprios
princípios dogmáticos e, caso não agrade ao espectador, acusa-o de “
ignorante, estúpido e diz-lhe com grande arrogância que, se não agrada é por que não a percebe“.
O espectador, para evitar ser chamado ignorante, não pode dizer aquilo que pensa, uma vez que, para esta arte, todo público que não submete-se a ela é imbecil, ignorante e nunca estará a altura da peça exposta ou do artista por trás dela.Desta maneira, o espectador deixa de presenciar obras que demonstrem inteligência”.
Finalizando
Finalmente, Lésper sinaliza que a arte contemporáneé endogámica, elitista; com vocação segregacionista, é realizada para sua própria estrutura burocrática, favorecendo apenas às instituições e seus patrocinadores. “A obsessão pedagógica, a necesidade de explicar cada obra, cada exposição gera a sobreprodução de textos que nada mais é do que uma encenação implícita de critérios, uma negação à experiência estética livre, uma sobreintelectualização da obra para sobrevalorizá-la e impedir que a sua percepção seja exercida com naturalidade“.
A criação é livre, no entanto a contemplação não é. “Estamos diante da ditadura do mais medíocre”


fonte: Vanguardia
 A Arte Contemporânea é uma farsa: Avelina Lésper | Incubadora de Artistas
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