Estudo descobre truque para combater a procrastinação

Homem olha para relógio, com papéis na mesa


Prazo palpáveis: pensar no futuro usando métricas mais, digamos,
sensíveis provou ser de grande ajuda para torná-lo um foco de atenção já 


Ana Carolina Prado, da Superinteressante


É segunda-feira e a sua lista de tarefas para a semana já está bem
robusta, com algumas coisas mais complexas que vão exigir um trabalho
considerável. Mas calma aê, né? Você ainda está se recuperando da
melancolia de domingo e tem vários dias pela frente para resolver tudo.

O seu eu do futuro vai certamente lidar com tudo muito melhor. Chega a
noite de quinta-feira e você não fez nem um terço do que precisava
fazer. Mas poxa, você trabalhou a semana inteira (enquanto não estava no
Facebook), está cansado e merece um pouquinho de diversão também. Não
tem problema ver uns episodiozinhos de uma série no Netflix e deixar o seu eu do futuro fazer o trabalho depois – ele vai produzir bem mais estando relaxado.

Se você é do time dos procrastinadores, esse tipo de pensamento deve ter
morada certa na sua cabeça. E é justamente esse, meu caro, o porquê de
você não conseguir sair dessa vida. “As pessoas assumem que devem dar
conta do presente e que seu eu do futuro pode lidar com o que está por
vir.

Esta regra aparentemente plausível pode desviar as pessoas, em parte
porque alguns eventos futuros exigem ação atual”, explica Daphna
Oyserman, professora de Psicologia e pesquisadora da Universidade do Sul
da Califórnia (University of Southern California, ou USC).

Segundo ela, para que o futuro possa motivar a ação atual, ele deve
parecer iminente. E isso pode acontecer com um truque simples: se
pensarmos no futuro como o agora, alterando as métricas que usamos para
medir o tempo.

Em uma série de experimentos, Oyserman e o co-autor Neil Lewis Jr., da
Universidade de Michigan, descobriram que os participantes viam o futuro
como sendo muito mais próximo quando calculavam suas metas e prazos em
unidades de dias em vez de meses ou anos – e, assim, sentiam-se mais
motivados para realizar seus objetivos.

No primeiro teste, 162 participantes foram convidados a imaginar a
preparação para eventos futuros, como um casamento ou uma apresentação
do trabalho, e em seguida foram perguntados sobre quando o tal evento
iria ocorrer.

Mas eles foram aleatoriamente designados para pensar em termos de dias,
meses ou anos. Resultado: aqueles que contavam o tempo usando dias
informaram que o evento iria ocorrer, em média, 29,6 dias mais cedo do
que aqueles que pensavam no evento como estando a meses de distância.

Uma segunda série de estudos explorou se essa noção de tempo afeta
planos para começar a poupança de longo prazo. Mais de 1.100 voluntários
foram perguntados sobre quando iriam começar a poupar dinheiro para a
faculdade ou aposentadoria, e descobriu-se que planejavam começar a
poupar quatro vezes mais cedo aqueles que pensavam no evento em termos
de dias em vez de anos.

E não era só sobre o dinheiro: eles se sentiam mais ligados ao seu eu
futuro e estavam mais dispostos a deixar de lado os gastos com
recompensas atuais.

O fato é que, como apontam os pesquisadores – e nós bem sabemos –,
tempo, recursos e atenção são limitados. Sendo assim, nós os alocamos
para os eventos que são urgentes – aqueles que devem acontecer em
questão de dias (ou horas, se você for procrastinador nível hard) e
deixamos de lado aqueles que acontecerão meses ou anos mais tarde.

Isso é natural; o problema é que estamos sempre sendo pressionados por
necessidades urgentes e é muito difícil conseguir parar para se dedicar a
planos que estão mais lá para a frente – e, quando eles chegam, já
estamos super atrasados.

Pensar no futuro usando métricas mais, digamos, sensíveis (meses em vez
de anos, dias em vez de meses e horas em vez de dias, por exemplo),
provou ser de grande ajuda para torná-lo um foco de atenção já. E isso é
importante não só porque cria a impressão de urgência maior, mas
porque, como diz o estudo, “dá a sensação de que o futuro e o presente
estão conectados e, portanto, são harmônicos em vez de conflitantes”.
Bora tentar?

O estudo foi publicado na revista Psychological Science.


fonte: Estudo descobre truque para combater a procrastinação | EXAME.com

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