* Thaís Gualberto




ENEM-20121


No Brasil registram-se cerca de 60000 homicídios por ano. Homens,
mulheres, ricos, pobres, gordos, magros, brancos, negros, baixos e altos
são diariamente expostos à violência que impera nas grandes cidades.
Ineficazes políticas de segurança pública baseadas em teorias de matizes
vermelhos que vitimizam os criminosos em detrimento das verdadeiras
vítimas condenam cada cidadão desse país ao medo e à incerteza quanto a
chegar em casa em segurança e com todos os pertences após um dia de
trabalho e/ou estudo, sejam esses homens ou mulheres.


A Biologia, contudo, é inegável. Embora a violência persista contra
toda e qualquer pessoa de bem e até mesmo quando dentro das próprias
casas, a menor força física das mulheres faz com que estas sejam vítimas
preferenciais dos mais diversos tipos de criminosos. No caso de um
assaltante, por exemplo, é óbvio que, se estiverem duas pessoas passando
pela mesma calçada que ele, sendo um homem e uma mulher, o mais
provável é que ele ataque a mulher, que normalmente terá menor
possibilidade de reagir ao uso da força.


Um grande erro de muitos que se pretendem grandes bastiões contra
certos tipos de violência que assolam sobretudo às mulheres é falar
sobre uma tal “cultura do estupro” que incluiria desde atitudes banais
como olhares cobiçosos de homens para mulheres e gracejos de gosto
duvidoso até violência física, tortura psicológica e estupro. Ora,
classificar como fomentador de violência sexual um homem que apenas fez
uma “cantada” ousada é banalizar os verdadeiros casos de estupro, visto
que iguala atos banais apesar de incômodos a uma das mais torpes formas
de se atentar à integridade de uma pessoa, que, a propósito é condenado
como ato abominável por todo e qualquer homem, inclusive entre
presidiários. Quando tudo é estupro, nada é estupro.


Por outro lado, infelizmente é preciso reconhecer que sim existe uma
forma de violência contra a mulher que se deve sim ao machismo: a
violência cometida pelo cônjuge. Cônjuges violentos e possessivos,
embora eles próprios não se dignem a pertencer a apenas uma parceira,
que impõe a suas mulheres que os satisfaçam sexualmente ainda que elas
não tenham vontade naquele momento, que as agridem simplesmente porque a
comida não estava pronta quando chegaram em casa não reconhecem que
mulheres são indivíduos dotados de direitos e vontades e que como toda e
qualquer pessoa devem ser respeitadas. Engana-se também quem pensa que
uma lei como a “Maria da Penha” ou a tipificação do crime de feminicídio
(que trata a vida do homem como inferior a da mulher) é relevante para
impedir esse tipo de ocorrência, uma vez que o homicídio por si só é
crime e que quando cometido pelo cônjuge seria um agravante.


Nesses casos o que realmente importa é que se faça valer as leis e
que mulheres vítimas de violência doméstica possam denunciar seus
agressores sem temer pela própria vida e pelas dos filhos, que essas
denúncias não sejam banalizadas e que esses homens não sejam tidos como
vítimas de uma compulsão ou mesmo do próprio ciúme. Isso aparece muito
bem descrito, por exemplo, em “A Vida na Sarjeta”, do psiquiatra
britânico Theodore Dalrymple, ao narrar situações que presenciou
enquanto médico em um hospital em um subúrbio inglês nas quais homens
violentos tomavam overdoses como meio de coagir suas parceiras a
sentirem compaixão e não os denunciarem ou a serem vistos como vítimas
das circunstâncias quando diante um tribunal.


O que realmente seria eficaz em tornar as mulheres menos vulneráveis à
covardia de criminosos seria a liberação do porte de armas para
cidadãos que comprovadamente tenham bons antecedentes policiais e
psiquiátricos. Nada é mais eficiente em igualar as forças físicas que a
natureza faz distintas do que  permitir o exercício pleno da legítima
defesa por meio das armas de fogo, afinal, um criminoso não hesitaria em
usar força física ou armas (brancas ou ilegalmente obtidas) a fim de
dominar uma vítima. No Brasil, contudo, vê-se justamente o contrário,
visto que se cultiva a ideia de que sempre devemos ser passivos e
compassivos diante aqueles que covardemente nos vilipendiam, uma vez que
estes seriam vítimas de uma “sociedade injusta”, “lares destruídos”,
“abuso de substâncias ilícitas” etc.


Na verdade, analisando friamente, é abjeto demonstrarmos uma
preocupação tão veemente contra a violência que aflige especificamente
as mulheres quando se vive em uma conjuntura de segurança pública como a
brasileira, da qual todos somos igualmente vítimas. A permanência da
violência na sociedade brasileira dá-se de uma maneira ampla e
irrestrita, atingindo a homens e mulheres. Portanto, não há como reduzir
a violência contra a mulher enquanto não houver um ambiente em que
segurança e o exercício da legítima defesa sejam garantidos a todos.
Mulheres querem poder se defender por si próprias e homens minimamente
decentes não só repudiam aguerridamente o estupro como também querem ter
o poder de proteger as mulheres que os rodeiam.


Bem, acho que não é necessário dizer que certamente eu levaria um
zero por violar os direitos humanos (já que a academia não considera o
porte de arma por cidadãos de bem um direito humano) e por fugir ao tema
(afinal eles certamente esperavam que eu falasse da dita “cultura do
estupro” a partir da mesma ótica que eles e que eu não expusesse que a
violência permanece contra todos e não apenas contra nós mulheres).
Gramática, ortografia, coesão e coerência estão irretocáveis e é isso o
que realmente importa (ignorem que eu fiz um parágrafo a mais do que me
haveria permitido o espaço disponível na prova do ENEM a menos que eu
reduzisse minha já pequena letra a um tamanho microscópico), não seguir a
cartilha esquerdista/feminista que o MEC impõe aos estudantes. E antes
que algum imbecil venha de mimimi: fiz 1000 na redação do ENEM de 2009 e
92,5 na de 2008 (modelo antigo, ainda no segundo ano) apesar de não ter
perdido minha dignidade na redação.










* Thaís Gualberto é graduada em ciências econômicas pelo Instituto Brasileiro de Mercados e Capitais (IBMEC-RJ).