Oito atitudes típicas de pessoas que têm depressão, mas não demonstram


Medo ou desconhecimento?
Nesse artigo conheça 8 sintomas de pessoas que levam a vida com o que chamamos de “depressão mascarada”, doença que elas tentam esconder ou mesmo que nem sabem que têm.
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Embora a sociedade atual demonstre, de modo geral, um maior conhecimento sobre a depressão, o que se vê, muitas vezes, é uma compreensão equivocada desta doença e de seus sintomas.
Por tratar-se de uma doença marcada por um estigma, nem sempre conseguimos identificar familiares ou pessoas próximas que estejam lutando contra a depressão. Pior ainda: devido às concepções equivocadas sobre os diferentes modos de manifestação da doença, e o tipo de ajuda a ser buscado, muitos indivíduos que sofrem de depressão não recebem o devido diagnóstico.
O resultado disso é que muitos indivíduos convivem com uma depressão mascarada – ou seja, invisível para as pessoas que os cercam, ou mesmo para eles próprios. Além disso, nos casos em que não recebeu o diagnóstico adequado, o indivíduo tenderá a lidar com seus problemas de modo a esconder a depressão, e terá dificuldades para reconhecer os verdadeiros sintomas da doença.
É preciso deixar de lado a concepção de que o sofrimento é sempre visível. Deste modo, será possível compreender melhor e oferecer ajuda aos que lutam contra as doenças não manifestas. Listamos, a seguir, alguns sinais de uma pessoa que talvez sofra de uma depressão mascarada.

1. Ela talvez “não pareça deprimida”

Influenciados por estereótipos culturais e veiculados pela mídia, muitos têm uma imagem equivocada do comportamento e da aparência do indivíduo com depressão. Na visão do senso comum, esta pessoa raramente sai de seu quarto, veste-se com desleixo, e parece estar sempre triste. Porém, nem todos que sofrem de depressão têm o mesmo comportamento.
Claro que os indivíduos são diferentes, assim como variam os sintomas e a capacidade de cada um de lidar com a doença. Muitos conseguem exibir um “verniz” de boa saúde mental – como mecanismo de autoproteção –, mas o fato de serem capazes de fazê-lo não significa que eles sofram menos. Do mesmo modo, as pessoas incapazes de mostrar tal “verniz” não são mais “fracas” que as demais.

2. Ela pode parecer exausta, ou queixar-se de um cansaço constante

Um efeito colateral da depressão é um cansaço permanente. Embora este sintoma não se manifeste em todos que sofrem de depressão, ele é muito comum. Em geral, é um dos piores efeitos colaterais desta doença.
Além disso, se o indivíduo não recebeu o diagnóstico de depressão, a causa deste cansaço pode ser uma incógnita. Mesmo que ele durma um número suficiente de horas à noite, talvez acorde na manhã seguinte como se tivesse dormido pouco. Pior que isso: talvez ele culpe a si mesmo, atribuindo isso à preguiça ou então que algum defeito de sua personalidade esteja causando esta sensação de fraqueza e falta de energia.
Este sintoma também acaba se tornando uma dificuldade para quem recebeu o diagnóstico de depressão, mas tenta ocultá-la dos amigos e colegas. Isso porque esta sensação de cansaço afeta o seu ritmo de trabalho e também os seus relacionamentos pessoais.

3. Ela poderá ficar mais irritadiça

O comportamento de uma pessoa com depressão pode ser interpretado equivocadamente, como melancolia. É muito comum que a pessoa deprimida fique mais irritadiça, e que isso não seja interpretado como um sintoma da doença. Isso é compreensível, já que a depressão não é problema de saúde “visível”, e tampouco pode ser medido com precisão – o que dificulta o combate à doença.
Além disso, o esforço constante exigido do indivíduo para lidar, ao mesmo tempo, com as inúmeras demandas de sua vida cotidiana, e com a depressão, suga suas energias, deixando-o impaciente e incapaz de ter a compreensão exata sobre as coisas.
Se o seu amigo ou conhecido recebe o diagnóstico de depressão, e compartilha esta informação com você, uma dificuldade poderá surgir, caso o comportamento desta pessoa não corresponda à imagem (equivocada) que se tem de uma pessoa com depressão: um indivíduo tímido e calado. A tendência a ter “pavio curto” e a irritar-se com facilidade é, na verdade, um efeito colateral da depressão.

4. Para ela, pode ser difícil corresponder ao afeto e preocupação das pessoas ao redor

A ideia equivocada mais comum em relação à depressão, sugerida nos parágrafos acima, é que ela causa um sentimento de tristeza.
Pelo contrário: muitas vezes, o indivíduo com depressão não sente nada; ou então vive as emoções de modo limitado ou passageiro. Depende de cada caso, mas muitos relatam um sentimento parecido com o “torpor”, e o mais próximo que chegam de uma emoção é uma espécie de tristeza, ou irritação.
Deste modo, o indivíduo terá dificuldade para corresponder de modo adequado a gestos ou palavras afetuosas. Ou então nem se dará ao trabalho de manifestar qualquer reação.
 Talvez demonstre uma irritação nada racional: é possível que o cérebro dele tenha dificuldades para processar e corresponder ao seu afeto e carinho.

5. Talvez recuse a participar de atividades de que gostava muito

Uma atípica falta de interesse em participar de atividades – e durante um longo período – pode ser um sinal de depressão. Conforme mencionado acima, esta doença drena a energia do indivíduo tanto no plano físico quanto no mental – o que afeta sua capacidade de sentir prazer com as atividades cotidianas.
Um indivíduo com depressão talvez não se sinta mais atraído por atividades que adorava no passado, pois esta doença acaba dificultando o desfrute de tais atividades, que não satisfazem mais o indivíduo. Se não há nenhum outro sinal visível que possa explicar o interesse cada vez menor do indivíduo por estas atividades, este talvez seja um sintoma de depressão clínica.

6. Talvez passe a ter hábitos alimentares incomuns

O indivíduo deprimido desenvolve hábitos alimentares incomuns por duas razões: como um modo de lidar com a doença, ou como um efeito colateral da ausência do cuidado consigo mesmo. Comer pouco ou em demasia é um sinal comum de depressão. A ingestão excessiva de alimentos é vista como vergonhosa, e neste caso a comida talvez seja a principal fonte de prazer da pessoa com depressão, o que a faz comer além do necessário.
Quando o indivíduo depressivo come pouco, em geral é porque a doença está afetando seu apetite, transformando o ato de comer em algo desagradável. Isso também pode ser uma necessidade subconsciente de controlar algo, já que ele não é capaz de controlar sua depressão. Se a pessoa não recebeu o devido diagnóstico, ou se omitiu diante das pessoas o fato de estar deprimida, elas poderão considerar que os hábitos alimentares “errados” se devem a um defeito de personalidade, e tal “julgamento” fará com que o indivíduo deprimido se sinta ainda pior.

7. Os outros talvez passem a exigir mais de você

Naturalmente, as funções vitais de um indivíduo com depressão não podem ser as mesmas de alguém com boa saúde mental. Haverá coisas que ele não será mais capaz de fazer com a mesma frequência, ou abandonará de vez. Perturbá-lo ou fazer com que ele se envergonhe por causa disso só tende a causar mágoas, em vez de ajudar. Se a depressão é um assunto que ele tem tido dificuldade de abordar, será igualmente difícil para ele lidar com alguém que fique irritado diante de sua incapacidade de agir do mesmo modo que uma pessoa mentalmente sadia.
Por isso, convém sempre ser compreensivo com as pessoas, seja de seu círculo profissional ou do pessoal. Não há como saber se um indivíduo está simplesmente “desacelerando”, ou se está enfrentando um verdadeiro problema de saúde.

8. Ela poderá ter dias ruins, e dias “melhores”

Trata-se de uma doença com altos e baixos. Se o indivíduo sofre de uma depressão mascarada, ou não diagnosticada, pode parecer que suas flutuações de humor são aleatórias, dependendo da regularidade de sua depressão. Para você (e mesmo para ele, no caso de ele não ter recebido um diagnóstico), talvez não haja uma motivação para as alterações de humor, mas esta é simplesmente a maneira como a depressão se manifesta em algumas pessoas.
Se você sabe que o indivíduo sofre de depressão, poderá ter a falsa impressão de que ele, tendo passado por uma sequência de dias “bons”, está definitivamente curado. O fato de ele ter passado um dia melhor do que na véspera pode ser excelente, mas convém que você sempre lhe peça para que ele deixe claro o que consegue ou não fazer, e em que momentos.
Concluir que o indivíduo que sofria de depressão está plenamente recuperado, ou forçá-lo a retomar rapidamente a rotina normal poderá sobrecarregá-lo, e fazer com que ele se “retraia” novamente. Ofereça apoio ao amigo ou parente com depressão, mas deixe que ele tome as decisões necessárias.

Por Jane Scearce  

Traduzido exclusivamente para CONTI outra pelo tradutor e revisor LUIS GONZAGA FRAGOSO

Masturbação: menos moral e mais ciência


Um médico psiquiatra fala sobre a realidade dos seus pacientes


 Dr. Carlos Chiclana, médico psiquiatra.



Peço-lhe que leia este texto sem preconceitos morais nem religiosos.

Acho decepcionante que se dedique dinheiro público ou privado para promover a masturbação como um comportamento sexual saudável. Os pediatras, educadores e psicólogos infantis sabem que, em algumas etapas do desenvolvimento da pessoa e da sua personalidade, este hábito pode estar presente de forma esporádica. Mas eu me atrevo a afirmar que a prática da masturbação como um hábito não é benéfica para quem a sofre.

Digo "para quem a sofre" porque é sofrimento que vejo nas pessoas que chegam ao meu consultório por este motivo. Não são pessoas estranhas, de forma alguma. Mas elas têm um problema e querem resolvê-lo: a masturbação. Não é necessário que o médico lhes diga isso; são elas mesmas que consideram que isso é uma escravidão, uma perda da liberdade. E pedem ajuda.

A maioria quer resolver a questão porque se sente aprisionada, porque percebe que está fechada em si mesma, porque lhe resulta difícil relacionar-se com seu cônjuge e com outras pessoas, porque isso gera desordem interior e desassossego, ao ir perdendo autonomia e capacidade de decisão.

Alguns podem pensar: "Mas que médico louco é este que escreveu o texto? De onde ele saiu? Que besteiras está falando! Isso não acontece com ninguém!". Infelizmente, atendo pessoas com este problema todas as semanas. Ainda bem que ainda existem pessoas que não têm vergonha de pedir ajuda na busca da própria felicidade. São pessoas incríveis, admiráveis, com problemas muito comuns, como no caso da masturbação.

Quando falo de problemas, não me refiro às bobagens que você pode ler por aí (que a masturbação provoca cegueira, epilepsia, paralisia, acne etc.). Isso são invenções. Mas não são invenções os maus bocados pelos quais passam aqueles que não conseguem exercer sua liberdade porque precisam se masturbar sim ou sim, por acúmulo de excessiva tensão emocional, por impulsividade, por dificuldades nas relações interpessoais, por traços de personalidade narcisista ou evasiva, porque receberam uma educação sexual errônea, porque desenvolveram uma aprendizagem comportamental simplista, baseada na satisfação do prazer, ou por imaturidade global da sua pessoa.

Vemos, portanto, que o interessante não é tanto observar os problemas de tal conduta, mas por que esta pessoa precisa da masturbação para equilibrar sua vida, ou por que não consegue desenvolver uma sexualidade harmônica com seu projeto vital. Outros utilizam o álcool e outras drogas, a comida etc.

É preciso realizar um trabalho preventivo que diminua a incidência destes problemas, e também que responda a eles quando já estão presentes, ao invés de promovê-los ou considerá-los em abstrato, sem atender cada pessoa integralmente, de acordo com suas necessidades e interesses.

Podemos considerar que já superamos a crise de 68, a revolução sexual. É hora de amadurecer, de buscar a excelência e ser líderes sexuais de nós mesmos, sem ficar presos a tabus, convenções sociais, morais e religiosas, nem considerar-nos o adolescente imaturo que tem direito a tudo porque é o rei da cocada branca.

Vivemos em uma sociedade hiperssexualizada, na qual são promovidos como normais (provavelmente por ignorância) comportamentos que não o são, ou que são expressão de problemas psicológicos ou psiquiátricos. Algumas vezes, os jornais são autênticos tratados de psicopatologia.

Concordo totalmente com um internauta que comentava: "Não há nada pior que viver com medo e reprimido". De fato, não favorece a pessoa ter medo da sexualidade. Tampouco a beneficia reprimir-se (dizer-se "não" por resignação), seja quais forem os motivos, e com o significado de negação.

Nem tampouco sublimar e pronto, em dois sentidos. Em primeiro lugar, no sentido de ordenar a sexualidade sem vivê-la por um bem maior (moral, religioso, por saúde etc.). Em segundo lugar, no sentido de vivê-la sem ordená-la, também pelo que consideramos um bem maior (prazer, deleite, libertinagem). Em ambos os casos, a pessoa degrada, invalida e desvaloriza a sexualidade.

A sexualidade saudável não é sublimada nem reprimida, mas integrada no projeto vital de cada um, de acordo com seus critérios pessoais. Para poder integrá-la, precisamos adquirir as habilidades necessárias, que, a meu ver, são as seguintes: conhecimento pessoa, ordem, proatividade, sentido de pertencimento a um grupo, confiança pessoal, determinação, iniciativa, saber descansar, amizade, racionalidade, afetividade rica e abundante.

Frequentemente, os problemas na vivência da sexualidade são acompanhados de outras circunstâncias que podem nos servir para identificar as habilidades que precisamos desenvolver para manter-nos no caminho da integração.

Resumo estas circunstâncias no seguinte quadro:
  
CIRCUNSTÂNCIAS QUE ACOMPANHAM HABILIDADES A SEREM ADQUIRIDAS
Desconcerto. Surpresa Conhecimento pessoal
Desordem. Falta de horário Ordem
Preguiça. Não fazer o que se deve fazer Proatividade. Diligência
Egocentrismo. Narcisismo. Individualismo Sentido de pertencimento a um grupo
Medo do ambiente Confiança pessoal
Indecisão Determinação, segurança
Tédio, perda de tempo Iniciativa
Esgotamento, abatimento Saber descansar
"Raciocínio" emocional Racionalidade
Sentimentalismos infantis Afetividade rica e abundante
Colegas e amigos oportunistas Amizades verdadeiras

Enfim, todos estes comentários surgiram com o propósito de explicar por que sou contra a ideia de promover a masturbação entre os jovens.

O Emir Sader americano


Olavo de Carvalho

Fortemente recomendado à minha leitura por um dos
homens mais inteligentes que conheço, e aliás
também mencionado em How The World Really Works
de Alan B. Jones como um dos dez livros fundamentais para
a compreensão da nova ordem global (v. http://www.olavodecarvalho.org/semana/061211dc.html),
A Century of War: Anglo American Oil Politics and the
New World Order
, de William Engdahl (Pluto Press, 2004),
foi uma decepção desde as primeiras páginas.


Sua tese fundamental é que praticamente tudo o que
acontece de mau no mundo é obra da elite financeira
americana – os Rockefeller e tutti quanti –,
empenhada em expandir ilimitadamente o poderio dos EUA por
meio do controle geopolítico de uma fonte essencial
de energia: o petróleo.


Um lance decisivo dessa guerra de conquista universal, diz
o autor, foi a invasão do Iraque, “parte da agenda
americana pós-guerra-fria, em busca da ‘dominação
de pleno espectro’”.


Um ano após a invasão de Bagdá, prossegue
Engdahl, “tornou-se claro que a guerra pouco tinha a
ver com a ameaça das armas de destruição
em massa... ou com o proclamado esforço de ‘levar
a democracia’ ao até então despótico
Iraque”.


“Tornou-se claro” para quem? Para quem tem o
New York Times e a CNN como suas principais ou únicas
fontes de informação, talvez. Para quem lê
livros e sabe o que são documentos de fonte primária,
não.


(1) A lista oficial das armas de destruição
em massa encontradas no Iraque – suficientes, por si,
para destruir muitas cidades americanas –, pode ser
lida, junto com provas convincentes da existência das
armas não encontradas, nas páginas 97-106 do
livro Disinformation: 22 Media Myths that Undermine the
War on Terror
, de Richard Miniter (Regnery, 2005). “Praticamente
– diz Miniter – nenhum dos críticos da
guerra que estiveram envolvidos nos esforços para encontrar
essas armas disse jamais não haver provas de que o
Iraque as possuía.” Foi evidentemente a mídia
popular que, para fins de propaganda anti-guerra, colocou
essa afirmação em bocas onde ela nunca esteve.
A diferença entre dizer que nem todas as armas foram
encontradas e que nenhuma foi encontrada é pelo menos
tão decisiva quanto a diferença entre dizer
“alguém opinou” e “tornou-se claro”.
Não é admissível que um estudioso profissional
de assuntos militares ignore uma dessas diferenças
ou, pior ainda, as duas.


(2) Mesmo os críticos mais ferozes do governo Bush
admitem que a democracia prometida ao Iraque foi instalada
e está funcionando perfeitamente há cinco anos.
Se alguém diz que vai fazer alguma coisa e acaba por
fazê-la de fato, só uma má-vontade psicótica
pode insistir em proclamar que ele jamais teve a intenção
de fazê-la. Pensem o que quiserem de George W. Bush,
mas que ele levou a democracia ao Iraque, levou.


Só por esses parágrafos, já se vê
que Engdahl, para dizer o mínimo, não é
sério. Mas ele complica formidavelmente sua situação
quando atribui à elite dominante dos EUA a autoria
de catástrofes inumeráveis, como “a ocupação
dos campos petrolíferos do Iraque, a guerra em Kosovo
e nos Bálcãs, infindáveis guerras civis
na África, crises financeiras ao longo da Ásia,
o dramático colapso da União Soviética
e a subseqüente emergência de uma oligarquia russa”,
e, linhas adiante, com a maior inocência, reconhece
que “um ano após a ocupação americana
de Bagdá, os objetivos da única superpotência
mundial estavam sendo questionados como nunca tinham sido
desde a guerra do Vietnã. Cenas degradantes de iraquianos
torturados lotavam as páginas da mídia mundial.
Alegações de corrupção e conspiração,
subindo até os mais altos níveis da administração
em Washington, tornavam-se lugares-comuns”.


Do confronto dessas duas séries de afirmações
temos de concluir que uma oligarquia poderosa o bastante para
determinar o curso dos acontecimentos em todo o orbe terrestre
não teve, coitadinha, os meios de obter para as suas
políticas o apoio dos jornais e canais de TV dos quais
ela própria, aliás, possui o controle acionário.
Ou acreditamos nessa hipótese imbecil, ou admitimos
que Engdahl não é muito honesto na sua tentativa
de impingir ao leitor a crenca de que a oligarquia globalista
trabalha para a expansão do poderio internacional dos
EUA e não de um governo global visceralmente anti-americano.
Oligarquia financeira e oligarquia midiática são
obviamente a mesma coisa: se os jornais em peso se voltam
contra a política militar do governo, é claro
que ela perdeu, ou jamais teve, o apoio daquela oligarquia.
Mas a ira da grande mídia não se voltou só
contra as iniciativas guerreiras do governo Bush: invariavelmente,
ela ataca tudo o que seja ou pareça favorável
ao crescimento do poder americano ou ao fortalecimento da
identidade nacional dos EUA (veja-se o horror ilimitado com
que reagiu à nova lei do Arizona contra a imigração
ilegal). Que Engdahl inverte as intenções da
oligarquia é algo que nem preciso argumentar –
David Rockefeller já o fez por mim na página
405 das suas Memórias: “Alguns acreditam
que somos parte de uma cabala secreta que trabalha contra
os melhores interesses americanos, caracterizando a mim e
à minha família como ‘internacionalistas’
e acusando-nos de conspirar para construir uma política
global mais integrada... Se essa é a acusação,
declaro-me culpado – e orgulhoso de sê-lo.”


A dúvida, se alguma existe, fica totalmente esclarecida
quando Engdahl diz a que veio: o que ele propõe é
deter ou pelo menos desacelerar o crescimento de “um
poder que já não é sustentável
nem saudável para os EUA nem para o resto do mundo”.
É o mesmo programa da Rússia, da China e dos
potentados árabes, bem como... dos Rockefellers e similares.
Foi para realizá-lo, como aliás está
sendo realizado, que a oligarquia americana apoiou e continua
apoiando Barack Obama quando ele propõe o desarmamento
unilateral dos EUA, a dissolução da identidade
americana numa pasta “multicultural” ou a completa
inação ante a corrida armamentista iraniana,
a espionagem chinesa onipresente e a ocupação
da América Latina pelas forças do comunochavismo.
Se isso é “expansão do poderio dos EUA”,
também deve sê-lo a sistemática demolição
do parque industrial americano, em que aquela elite se empenha
há décadas com uma volúpia destruidora
de fazer inveja ao vírus da Aids.


Não espanta que, com perspectiva que tem ou finge
ter das coisas, Engdahl faça tanto sucesso na televisão
russa, onde volta e meia reaparece com ares de grande expert
em geopolítica mundial. Para mim, ele é uma
espécie de Emir Sader americano: o homem que descreve
“o mundo às avessas”.





Publicado no Diário do Comércio com
o título de "O mundo às avessas"






fonte: O Emir Sader americano

Dia Internacional da Mulher: Promovendo Guerra dos Sexos

Marxism

Dia Internacional da Mulher: Promovendo Guerra dos Sexos

Os
Dias Internacionais do Homem e da Mulher envolvem vários objetivos,
ambos os dias destacando questões consideradas específicas dos homens e
das mulheres. A seguir, destacamos duas correntes centrais do D.I.M. e
do D.I.H., respectivamente: a suposta luta das mulheres contra a
opressão e o interesse dos homens de promover reconhecimento positivo
dos homens e meninos numa sociedade misândrica.


Existem muitos mitos populares envolvendo o Dia Internacional da
Mulher. E após uma pesquisa da literatura relacionada, vários relatos
aparentemente criaram confusão para escritores. Por exemplo, uma
falsidade amplamente divulgada sobre o DIM que surgiu nos círculos
comunistas franceses alegava que mulheres trabalhadoras da indústria de
roupas e tecidos fizeram um protesto em 8 de março de 1857 em Nova
Iorque. Esta história dava conta que as trabalhadoras de vestuário
protestavam contra péssimas condições de trabalho e salários e foram
atacadas e dispersas pela polícia. Alegou-se que este evento levou a uma
passeata em comemoração em comemoração de seu 5º aniversário (em 1907),
este encontro comemorativo constituindo o primeiro Dia Internacional da
Mulher. Em resposta a essas lendas, Temma Kaplan explica que “Não se
mostra evidência de nenhum dos dois eventos, mas muitos europeus pensam
que 8 de março de 1907 inaugurou o Dia Internacional da Mulher”.


Estas fantasias de origens claramente posicionam o Dia Internacional
da Mulher em uma narrativa das mulheres como vítimas, mas vão além.
Especulando sobre as origens da lenda de 1857, Liliane Kandel e
Françoise Picq sugeriram que era provável que alguns podem ter pensado
ser conveniente desconectar o Dia Internacional da Mulher da sua origem
na História Soviética e atribuir ao dia uma origem “internacional” que
poderia ser vendida como mais antiga que o bolchevismo e mais espontânea
que uma decisão de Congresso, ou iniciativa daquelas mulheres afiliadas
ao Partido Comunista.2


Enquanto inúmeras estórias apócrifas dessa natureza existem, podemos
dizer com segurança que o Dia Internacional da Mulher foi primeiro
celebrado pela socialista Clara Zetkin em 1910, como uma forma de
promover objetivos políticos socialistas e foi sempre chamado pelo nome
político “Dia Internacional da Mulher”. O evento foi primeiro observado
dentro dos limites do Bloco Soviético. Só a partir de 1970, quando
mulheres fora da “cortina de ferro” procuraram celebrar o evento que o
termo “mulheres trabalhadoras” foi cada vez mais omitido, juntamente com
muito do seu significado socialista.


A partir dos anos 70, o Dia Internacional da Mulher foi sujeito à
revisão feminista. Enquanto o Dia Internacional da Mulher Trabalhadora
era usado para chamar atenção à opressão da mulher pela classe dominante
burguesa de homens e mulheres, as feministas da década de 70 alteraram
os fundamentos do dia, afirmando que agora teriam sido só os homens, uma
classe de “chauvinistas”, que detinham todo o poder sobre todas as
mulheres, essas tendo se tornado vítimas da dominação masculina. Era
agora a dominação opressiva dos homens que o Dia Internacional vinha
destronar.


Um momento decisivo do revisionismo feminista veio das Nações Unidas,
que oficialmente endossaram o evento no final da década de 70.
Juntamente com o apoio, a ONU trabalhou duro para eliminar os traços
socialistas do Dia Internacional da Mulher, algo que não foi aceito por
muitos grupos de mulheres socialistas. Por exemplo, em 1980, na Suécia, o
“Grupp 8”, de mulheres socialistas, rejeitou trabalhar juntamente com
outras organizações de mulheres para promover o Dia Internacional da
Mulher, porque queriam manter as origens socialistas do evento: “Nós
agora conduzimos muitas discussões dentro de nossa organização e
chegamos à conclusão de que, como representantes do movimento das
mulheres socialistas, nós não podemos fazer parte de uma demonstração
conjunta em 8 de março. Afinal, do ponto de vista histórico, 8 de março é
o “Dia Internacional da Mulher Socialista” e nossa organização pensa
que isso deveria permanecer absolutamente assim. Mudar isso seria como
mudar o 1º de Maio. Por essa razão, nós não poderemos apoiar o apelo da
ONU.”3 O evento revisado foi visto por muitos como uma traição tanto da História quanto dos objetivos fundamentais do dia.


Slogan popular que circulou no Dia Internacional da Mulher em pôsteres, bottons, camisetas, adesivos e mídia impressa.
Slogan popular que circulou no Dia Internacional da Mulher em pôsteres, bottons, camisetas, adesivos e mídia impressa.
Com essa nova mudança ideológica, as mulheres não eram mais vistas
como parte da classe dominante e do grupo antes opressor das mulheres –
ou seja, o capitalismo: esquemas tradicionais de esquemas impostos por
homens e mulheres com poder; várias leis, linguagens e assim por diante –
foram reduzidos a um inimigo único e abrangente: os homens e seu
Sistema Patriarcal. As novas bases ideológicas do Dia Internacional da
Mulher foram elaboradas no fim dos anos 70 e nos 80, sob a rubrica
“teoria do patriarcado”4 e sua chegada foi correlacionada com um forte aumento no número de mulheres observando o Dia Internacional da Mulher,5 um interesse gerado pelas crescentes preocupações e medos pela “opressão patriarcal” das mulheres.


É verdade que mulheres buscaram desmantelar estereótipos restritivos de gênero, mas o D.I.M. demonstra estar mais preocupado em perpetuar esses estereótipos do que em desmantelá-los. À luz das explicações ultra simplistas propostas pela “teoria do Patriarcado”6,
espera-se que quaisquer problemas que as mulheres ainda enfrentem serão
explorados de formas mais sofisticadas e pormenorizadas para dar ao Dia
Internacional da Mulher uma plataforma ainda mais convincente para
promover igualdade de gênero e melhorar as relações de gênero.


O Dia Internacional do homem,
conforme concebido pelo Dr. Jerome Teelucksingh em 1999, tem uma base
ideológica inteiramente diferente, tanto nas fases inicial quanto
posterior, ao Dia Internacional da Mulher. Embora os objetivos do Dia
Internacional do Homem ocasionalmente estejam em interseção com os do
Dia Internacional da Mulher, como defender a tratamento igual a ambos os
sexos, o primeiro se preocupa principalmente com celebrar as
representações positivas dos homens e outras questões
específicas às experiências dos homens e meninos. Essa abordagem é
considerada necessária em um contexto social que é muitas vezes
fascinado com imagens de homens agindo mal, como a retratação feita pela
mídia de homens como idiotas, emocionalmente incompetentes,
gananciosos, violentos, perigosos, sedentos de poder, egoístas,
irresponsáveis e assim por diante. Esses estereótipos masculinos
negativos são frequentemente promovidos numa tentativa de obrigar, por
via da humilhação, os homens e meninos a agir mais positivamente,
ignorando o fato de que esses comportamentos negativos não se aplicam à
vasta maioria de homens e meninos, ou que essa negatividade poderá
impactar de forma muito negativa a autoimagem e autoestima dos meninos, o
que por sua vez traga impacto sobre sua disposição de investir em
relacionamentos sociais nas comunidades. Destacando imagens positivas de
homens, o Dia Internacional do Homem procura mostrar que seres humanos
masculinos de todas as idades respondem mais de forma mais enérgica a
imagens positivas do que a estereotipização negativa.


Em suma, O Dia Internacional da Mulher começou como um dia para
promover objetivos socialistas, especialmente para as mulheres
proletárias, para lutar contra a opressão das poderosas classes
dominantes formadas tanto por homens quanto mulheres. Nos anos
1970, o evento se tornou um novo movimento a declarar que os homens
somente oprimiram as mulheres e que o Dia Internacional da Mulher será
um veículo para destacar, principalmente, os resultados de uma suposta
guerra de gêneros. Em outras palavras, o foco do Dia Internacional da
Mulher mudou de uma guerra de classes para uma guerra de gêneros.


O Dia Internacional do Homem não se baseia numa guerra de gêneros,
mas para principalmente celebrar imagens positivas dos homens como
alternativa à estereotipização negativa do masculino, o objetivo sendo
inspirar as novas gerações de homens e meninos a desenvolver senso de
valor próprio e um desejo de participar em uma sociedade que irá
(espera-se) um dia ser livre de misandria.


Referências:


[1] Temma Kaplan, On the Socialist Origins of International Women’s Day, in: Feminist Studies, 11, 1985, S. 163-171.

[2] Liliane Kandel / Françoise Picq, Le Mythe des origines à propos de
la journée internationale des femmes, in: La Revue d’en face, 12, 1982,
S. 67-80.

[3] Silke Neunsinger, Worlds Of Women; International Material in the
Collections of ARAB, p23 – letter by Grupp 8, Stockholm, 1981

[4] Lindsey German, Theories of Patriarchy in International Socialism second series no 12. 1981.

[5] 1900-2010: Increased interest in IWD correlates with the emergence of ‘patriarchy theory’.

Timelines-patriarchy


Originalmente postado em A Voice for Men. Tradução: Aldir Gracindo.





Dia Internacional da Mulher: Promovendo Guerra dos Sexos

PT, O Partido da Tradição


por Fernando Schüler.


(Artigo publicado originalmente na Revista Época, 09, 02,2015)







O PT é, de longe, o maior caso de sucesso na história do sistema
partidário brasileiro. O Partido tem cinco governadores, a maior bancada
na Câmara dos Deputados, e terá permanecido por 16 anos à frente do
Governo Federal, quando se encerrar o mandato da Presidente Dilma
Rousseff.

Sucesso que deriva, em primeiríssimo lugar, de seus
próprios méritos. Partido com a maior e mais aguerrida militância, feito
objeto de crença e via de ascensão social para milhares de pessoas, com
um líder cujo carisma e senso estratégico não parece ter rival na
política brasileira. Além disso, a sorte. O Partido governou o Brasil na
época de ouro das commodities, na esteira da bem sucedida estabilização
econômica do País, nos anos 90, e da grande mutação social que varreu a
América Latina, no início do século, resultando na formação disso que
se convencionou chamar de “nova classe média”.

Esta semana, o
Partido comemora seus trinta e cinco anos. Em tempos sombrios. A
economia parou, a miséria voltou a crescer, a corrupção não sai das
manchetes, e nossa maior Empresa pública está na lona. Para qualquer
partido, seria o fim. Não para o PT, que retribuirá ao País com uma
grande festa, em Belo Horizonte. A frase mais ouvida, ao longo desses
dias, será a de que o partido deve “voltar às origens”. Volta e meia,
este discurso aparece. Lula faz cara de sério, restringe as aparições
públicas, reúne antigos amigos para discutir a identidade do partido. Dá
até uma boa mídia, isso tudo. Depois passa, e a política segue no ritmo
de sempre.

O PT é um caso inédito, em nossa história, de
resiliência política. Protagonista, em sequencia, de dois casos
espetaculares de corrupção “sistêmica”, envolvendo ícones da vida
brasileira, como a Petrobrás, o Partido não se abala. Não reconhece seus
delitos, ganha as eleições, não perde parlamentares, transforma
apenados em heróis, e seus militantes, alguns já meio grisalhos,
continuam firmes, mandando ver, em geral nas redes sociais.

Em
parte, a resiliência do Partido se explica nas alegorias que compõem a
cultura política brasileira. Desde criancinha, aprendemos que a
“direita” é sempre autoritária e corrupta, e a “esquerda”, sempre
democrática e bem intencionada. O sujeito elogia os irmãos Castro e
continua certo de que é um democrata (dia desses li um artigo chamando
Kim Jong un de “líder moderno”, e ninguém achou estranho). O mito da
esquerda x direita vem do fundo da nossa cultura. É ensinado pelos
professores, no colégio, nas universidades, e aceito acriticamente por
boa parte de nosso jornalismo político. O mito resiste aos fatos, e suas
conseqüências são evidentes. A corrupção da esquerda é sempre
“política”, e não “pessoal”. Por isso o sujeito pode ir pro xadrez, em
um camburão da Polícia Federal, não sem antes erguer o braço esquerdo,
punho cerrado. E a imagem ainda vira peça de campanha do partido.


A matriz ideológica do PT vem dos anos 80. Talvez da transição para os
anos 80, período final e melancólico do ciclo autoritário brasileiro.
Época de profundo vazio político, em que a velha tecnoburocracia
civil-militar, instalada no poder, há muito perdera qualquer
legitimidade, ao mesmo tempo em que a oposição democrática, liderada
pelo MDB, formava uma frente heterogênea, de corte parlamentar,
envelhecida, carente de programa ou utopia, incapaz de entusiasmar a
juventude que voltava a se interessar pela política, no retorno da
democracia.

Nesse ambiente, o PT surge como um extraordinário
experimento de participação política. Partido ordenado sob estatutos
democráticos, alternativos à normatização burocrática da LOP - Lei
Orgânica dos Partidos. Organizado em células de base, com um amplo leque
de correntes de opinião. O PT nasce como um grande partido de base não
parlamentar, intenso no debate e na deliberação coletiva. Algo raro na
história política brasileira. É evidente que isto iria se perder, à
medida em que o Partido passa a ocupar, crescentemente, posições de
Estado. Mas não totalmente.
Já nos anos 80, percebia-se o paradoxo:
nascido “da sociedade”, e com uma estrutura moderna, o Partido cultiva
uma visão programática pobre, recheada dos clichês tradicionais da
esquerda acadêmica. Revolucionário sem revolução, socialista sem
socialismo, o PT aprendeu, desde o início, a não levar muito a sério
tudo que dizia e escrevia em seus documentos. As palavras estavam lá, a
“estatização dos bancos e da indústria farmacêutica”, o “rompimento com o
FMI.” Ninguém sabia bem o que isto significava, o que também não tinha a
menor importância. Na constituinte de 1987/88, o Partido chegou a
defender posições como a concessão de estabilidade no emprego pra todo
mundo, no setor privado, aos noventa dias de trabalho. O curioso é
perceber que até hoje, na lenda partidária, propostas “progressistas”,
como esta, foram barradas pela maioria “conservadora“ que dominava a
constituinte.

A ideologia cumpre, na história do PT, uma função
ambivalente. O militante típico realmente acredita que políticas de
“austeridade” são coisas do capeta, amaldiçoa os bancos, e vai passar o
fim de semana exorcizando o “neoliberalismo”, na festa de Belo
Horizonte. Ao mesmo tempo, Joaquim Levy está lá, no comando do
ministério da Fazenda. Foi assim, em 2002, com a “Carta ao Povo
Brasileiro”, e a posterior nomeação de Henrique Meireles para o Banco
Central. Não há nada errado com isso. A ambivalência foi uma via para os
grandes acertos do Partido. Da sabedoria em revisar, de quando em
quando, suas posições. O problema é a ambivalência moral. O engano
sistemático. Onde uma “ética da convicção” (para usar a expressão
weberiana), fundada em um tipo de discurso, serve à militância, enquanto
uma ética da responsabilidade, fundada na negação deste mesmo discurso,
serve ao governo.
Uma segunda ambivalência diz respeito à visão
republicana. Estridente no discurso ético em relação à esfera pública,
desde o início, considerava perfeitamente normal colonizar estruturas
sindicais e estudantis. Os anos 80 foi o tempo do pequeno
patrimonialismo. Da máquina dos sindicatos, instituições públicas,
usadas em proveito de um ente privado: o Partido. A justificativa? Muito
fácil. Um, como o outro, não defendiam os mesmos “interesses de
classe”? A ideologia como verniz do costume patrimonialista. Foi um bom
exercício para o que viria depois.

Nos anos 90, os ventos da
modernização econômica e da reforma do Estado chegaram ao Brasil. E o PT
saiu atirando. Ficou contra o Plano Real, contra o modelo das
Organizações Sociais, contra a privatização de empresas como a Embraer,
Vale do Rio Doce e Cia Siderúrgica Nacional. Por um instante, penso no
que teria ocorrido a todas estas empresas, caso permanecessem, até hoje,
nas mãos do Governo. Talvez tivessem um destino melhor do que a
Petrobrás. Difícil saber.

A rejeição da reforma do Estado, nos
anos 90, estabeleceu as bases para a dicotomia que marca, há mais de
duas décadas, a política brasileira. De um lado, a aposta na
impessoalidade do Estado, no realismo fiscal, na autonomia das agências
reguladoras. A ênfase na eficiência, na competitividade econômica e no
realismo fiscal. Do outro, o capitalismo orientado pelo Estado, a
política dos “campeões nacionais”, a explosão do gasto público, a defesa
do modelo burocrático de gestão pública consagrado na constituição de
1988. Modelo da estabilidade rígida de emprego, das autarquias e
repartições públicas prestadoras de serviços, da recusa da meritocracia
no setor público.

É interessante como um partido nascido “na
sociedade” tenha se tornado, gradativamente, porta voz de uma “ideologia
do Estado”. Talvez isto decorra da influência que as corporações do
setor público sempre tiveram, em seu interior. Talvez seja nosso passado
colonial. Do Estado que sempre precedeu a sociedade, por estes
trópicos. Seu traço mais característico é a permanente confusão entre o
“público” e o “estatal”. O militante entoa slogans a favor da “educação
pública e gratuita”, mas quando você vai ver o que ele quer dizer,
descobre que é pura e simplesmente a defesa do modelo estatal de ensino.
A agenda dos sindicatos de “trabalhadores da educação” no setor
público. A mesmíssima agenda que colocou nossos alunos no 58º lugar na
última edição PISA, entre 65 países avaliados.
Na área da saúde, o
mesmo eufemismo. O sujeito defende a “saúde pública e gratuita”, mas
basta raspar um pouco da tinta ideológica para descobrir que ele está
falando, de fato, do sistema tradicional de hospitais estatais. O modelo
não funciona, as filas estão cheias, os indicadores de atendimento são
pífios, mas não dá nada. A classe média descobriu como se proteger,
contratando planos privados de saúde e bons colégios particulares. Aos
mais pobres, que não tem escolha, resta o Estado.

O PT não é, por
óbvio, o único porta voz da ideologia do Estado. É apenas o seu
campeão. Ela pertence ao cerne da nossa cultura política. Forma uma
ideologia própria, com justificações à “esquerda“ e à “direita”. Vai daí
o casamento harmonioso entre a liderança petista e nossas velhas
oligarquias regionais.

Alberto Carlos Almeida, em seu A Cabeça do
Brasileiro, mostrou a força do viés estatista e antiliberal, em nossa
cultura. 51% da população mostrou-se favorável ao controle estatal dos
bancos. O número vai num crescendo, até chegar a 77%, entre os
analfabetos. 83% acha que o governo deve socorrer empresas em
dificuldades, e mais da metade acha que o governo deve controlar os
preços de todos os produtos. Almeida conclui dizendo que o Brasil é
“hierárquico, familista, patrimonialista, e aprova tanto o jeitinho como
um amplo leque de comportamentos similares”. Não deveria surpreender a
ninguém um discurso anti-privatizações continue rendendo votos, ainda
que contra toda evidência empírica. Tão pouco que o Partido consiga
reeleger a presidenta da República, mesmo com seus dois últimos
presidentes e seu tesoureiro na cadeia, por corrupção. O PT navega a
favor, não contra, a tradição brasileira.
 




PT, O PARTIDO DA TRADIÇÃO | Blog do Percival Puggina

30 filmes para entender a história da arte










Renoir.jpg


Já que a arte existe para que a realidade não nos destrua (como dizia
Nietzsche), aqui vai uma lista para um melhor entendimento sobre a
arte, pintores e momentos históricos. Que agucemos e eduquemos nossa
sensibilidade:


1) Carnival in Flanders, 1935



A obra retrata a chegada dos soldados espanhóis a Flandres e aspectos da escola barroca holandesa e espanhola.



2) Rembrandt, 1936



A obra retrata a mudança de vida do pintor Rembrandt e a morte de sua companheira.



3) The moon and sixpence, 1943



Obra adaptada da vida Paul Gauguin.



4) Cinco mulheres ao redor de Utamaro, 1946: adaptação da vida do pintor japonês Utamaro.



5) Moulin Rouge, 1952



Baseada na novela de Pierre La Mure, o filme retrata momentos da vida do pintor Toulouse-Lautrec.



6) Lust for Life, 1956



Adaptação sobre a vida de Vincent Van Gogh.



7) O mistério de Picasso, 1956



Adaptação sobre a vida de Pablo Picasso.



8) Montparnasse 19, 1958: adaptação sobre a vida do escultor e pintor Amadeo Modiglani.


9) El Greco, 1966: adaptação da vida de Donénikos Theotokópoulos, El Greco.


10) Frida: natureza viva, 1984



Adaptação da vida de Frida Kahlo.



11) Caravaggio, 1985



Adaptação da vida e obra de Michelangelo Merisi, Caravaggio.



12) A paixão de Camille Claudel, 1988: adaptação da vida da escultora Camille Claudel.


13) Dalí, 1991: adaptação sobre o início da fama de Salvador Dalí.


14) Vincent e Theo, 1990



Fragmentos da vida do pintor holandês Van Gogh e de seu irmão.



15) Van Gogh, 1991: adaptação sobre o último verão da vida de Van Gogh.


16) Surviving Picasso, 1996: adaptação da vida de Picasso e sua amante Françoise Gilot.


17) I shot Andy Warhol, 1996



Filme que retrata a sociedade e arte dos anos 60, baseado na história de Valerie Solanas.



18) El amor es el demonio, 1998: adaptação do momento
de maior êxito de Francis Bacon, em confluência com o momento que seu
companheiro decide acabar com a própria vida.


19) Lautrec, 1998: adaptação da vida de Toulouse Lautrec, baseada em sua vida pessoal.


20) La hora de los valientes, 1998: representação do translado das obras de arte do Museo del Prado até Valência durante a Guerra Civil.


21) Goya en Burdeos, 1999: adaptação dos últimos meses de vida de Goya.


22) Abajo el telón, 1999



Nessa obra Diego Rivera recebe a tarefa de pintar a antecâmera do
Rockefeller Center, em um período complicado para os artistas.



23) Pollock, a vida de um criador, 2000



Obra baseada no livro de Jackson Pollock, sobre a técnica de dripping.



24) Buñuel and King Solomon's table, 2000: recriação do tempo que passaram juntos Buñuel, Garcia Lorca e Salvador Dalí.


25) Frida, 2002



Adaptação do livro de Hayden Herrera sobre a vida de Frida Kahlo e Diego Rivera.



26) Modigliarini - A paixão pela vida, 2004: adaptação da rivalidade entre Picasso e Modigliarini.


27) Klimt, 2006: adaptação da vida de Gustav Klimt.




28) As sombras de Goya, 2006



Marcada pelo contexto da Inquisição Espanhola, a obra narra momentos
históricos em que o pintor Francisco de Goya estava imerso.



29) El Greco, 2007



Adaptação da novela de Dimitris Siatíopulos sobre a vida de El Greco.



30) Renoir, 2013



Adaptação da vida do pintor Auguste Renoir.

© obvious: http://lounge.obviousmag.org/bienvenida/2015/02/30-filmes-para-entender-a-historia-da-arte.html#ixzz3TFrj9h8v

30 filmes para entender a história da arte

Ex-Ministra do Iraque afirma: Há um genocídio de cristãos do qual ninguém fala




Ex-Ministra do Iraque afirma: Há um genocídio de cristãos do qual ninguém fala


Ex-Ministra”Necessitamos ajuda internacional para lutar contra o Estado Islâmico. É diabólico”

“No Iraque está acontecendo um autêntico genocídio do qual ninguém
quer falar e nenhuma instância internacional se ocupa”, assim o
denunciou Pascale Warda, ex-ministra iraquiana entre os anos 2004 e
2005.
Em roda de imprensa organizada pela organização internacional Ajuda à Igrejaque
Sofre (AIS) e pela Fundação Promoção Social da Cultura (FPSC), Pascale
Warda assegurou que “necessitamos ajuda internacional para lutar contra o
Estado Islâmico. É diabólico. É um movimento internacional de
terrorismo que necessita soluções autênticas internacionais”.
Em sua opinião, o Estado Islâmico (EI) só quer “aniquilar” a
presença cristã e toda minoria social e religiosa que se oponha aos seus
princípios, quando a comunidade cristã no Iraque se remonta ao século
I, muito antes da chegada do Islã. “Em Mosul pela primeira vez agora em
2.000 anos não se celebra aEucaristia. É uma etapa histórica muito negra” para os caldeus.
“Os cristãos estão sendo massacrados e têm que buscar agora como
restabelecer a sua existência em um país que é seu muito antes que dos
outros. É muito difícil, são poucos e estão enfraquecidos”, disse.
Neste sentido, Warda advertiu aos países ocidentais que se o Estado
Islâmico “está agora localizado no Iraque, amanhã mesmo pode estar em
seus próprios países” e, por isso, pediu colaboração à comunidade
internacional para solucionar o problema.
Warda é uma das principais vozes contra a falta de liberdade
religiosa no Iraque e, desde a irrupção do Estado Islâmico, documentou
os abusos contra os Direitos Humanos que são cometidos em seu país.
É católica caldeia, fundadora da Sociedade Iraquiana pelos Direitos
Humanos (SIDH), e Presidente da Organização Hammurabi de Direitos
Humanos. Além disso, participou com a AIS no lançamento em Roma do
Relatório sobre a Liberdade Religiosa 2014.
Para sustentar aos 120.000 cristãos iraquianos que se encontram
refugiados no Curdistão, a Fundação pontifícia começou em dezembro do
ano passado a maior campanha de seus 50 anos de presença na Espanha.
Em Bagdá, a Fundação Promoção Social da Cultura continua com a
Campanha “Um grito de ânimo”, também para apoiar as famílias que fugiram
do norte e estão refugiadas na capital.


Ex-Ministra do Iraque afirma: Há um genocídio de cristãos do qual ninguém fala | Catholicus
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